CEO do Airbnb alerta: dois perfis de profissionais correm mais riscos com a IA

Brian Chesky afirma que gestores que apenas supervisionam equipes e trabalhadores resistentes a mudanças podem perder espaço no mercado.
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O CEO e cofundador do Airbnb, Brian Chesky, apontou dois perfis de profissionais que, em sua avaliação, terão mais dificuldades para manter espaço no mercado de trabalho com o avanço da inteligência artificial (IA): gestores que apenas supervisionam equipes e trabalhadores que resistem a mudanças. Para o executivo, aprender novas ferramentas e participar diretamente das atividades da empresa serão competências cada vez mais importantes.

As declarações foram feitas durante uma participação no podcast Invest Like the Best, no início de 2026, e voltaram a repercutir nesta semana. Chesky argumentou que a transformação tecnológica não afeta apenas tarefas operacionais, mas também o papel das lideranças. Na visão dele, ocupar um cargo de chefia sem compreender profundamente o trabalho realizado pela equipe pode deixar de ser suficiente.

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Quais são os dois perfis de profissionais citados pelo CEO?

Brian Chesky dividiu sua avaliação em dois grupos que considera especialmente vulneráveis às mudanças provocadas pela inteligência artificial.

O primeiro é formado por gestores cuja atuação se concentra exclusivamente na administração de pessoas. São profissionais que organizam reuniões, acompanham equipes e supervisionam atividades, mas não participam diretamente da execução ou do desenvolvimento dos projetos.

O segundo grupo reúne trabalhadores que demonstram resistência a mudanças, evitam experimentar novas tecnologias e não buscam atualizar suas competências.

Para o executivo, os dois perfis compartilham uma dificuldade: adaptar a maneira de trabalhar às novas exigências das empresas.

A avaliação não significa que todos os profissionais dessas categorias perderão seus empregos. Os efeitos da inteligência artificial variam conforme a função, o setor e as decisões de cada organização.

Por que gestores que apenas supervisionam equipes estão em risco?

Na visão de Chesky, a liderança baseada exclusivamente na administração de pessoas tende a perder relevância à medida que ferramentas digitais assumem parte das tarefas de organização, acompanhamento e análise de informações.

O CEO defende que os gestores mantenham contato direto com os projetos e compreendam os aspectos técnicos das atividades realizadas por suas equipes.

Isso não significa que reuniões, conversas individuais e acompanhamento dos funcionários deixarão de ser necessários. O argumento é que essas responsabilidades devem ser combinadas com conhecimento prático sobre o trabalho.

Um gestor de tecnologia, por exemplo, pode precisar compreender como os produtos são desenvolvidos e como as ferramentas de IA afetam o processo. Em outras áreas, a exigência pode envolver domínio de operações, atendimento, análise de dados ou criação.

Chesky chamou esse modelo de liderança de gestor híbrido, capaz de administrar pessoas e também contribuir diretamente para os resultados da organização.

O que é um gestor híbrido?

O conceito de gestor híbrido apresentado pelo executivo combina duas responsabilidades: liderar equipes e participar ativamente do trabalho desenvolvido.

Em vez de atuar apenas como intermediário entre funcionários e direção, esse profissional acompanha decisões técnicas, compreende os produtos e consegue contribuir com soluções práticas.

Chesky citou Jony Ive, ex-diretor de design da Apple, como exemplo de liderança que conciliava a gestão de profissionais com envolvimento direto no desenvolvimento de produtos.

Na avaliação do CEO do Airbnb, esse modelo permite que os gestores orientem suas equipes com base em conhecimento concreto sobre as atividades, e não apenas em indicadores e reuniões.

A proposta também exige atualização contínua, já que ferramentas, processos e necessidades dos clientes podem mudar rapidamente.

Resistência à inteligência artificial também preocupa o executivo

O segundo perfil destacado por Chesky é o de profissionais que se recusam a mudar a maneira como trabalham.

Para ele, ignorar a inteligência artificial ou rejeitar novas ferramentas pode dificultar a adaptação a funções que passam por transformações tecnológicas.

O executivo defende uma postura de aprendizado contínuo, que permita experimentar recursos digitais, compreender suas limitações e identificar situações em que podem ser úteis.

Isso não exige necessariamente que todos os trabalhadores se tornem programadores ou especialistas em inteligência artificial.

Em muitas atividades, a adaptação pode envolver aprender a utilizar ferramentas de pesquisa, organização, produção de conteúdo, atendimento ou análise de informações.

O conhecimento técnico específico continuará dependendo das necessidades de cada profissão.

Airbnb já utiliza inteligência artificial em suas operações

As declarações de Chesky acontecem em um contexto de ampliação do uso de IA dentro do próprio Airbnb.

Em 2026, a empresa anunciou Ahmad Al-Dahle, ex-executivo da Meta, como diretor de tecnologia. Ele havia participado de projetos relacionados à inteligência artificial generativa e aos modelos Llama.

Nos resultados do primeiro trimestre, o Airbnb informou que quase 60% do código produzido por seus engenheiros era desenvolvido com participação de ferramentas de IA.

No segundo trimestre, a companhia também relatou que aproximadamente 45% das solicitações de suporte iniciadas por seu assistente de inteligência artificial eram resolvidas sem necessidade de intervenção humana.

Os números ilustram como a tecnologia já participa de atividades de programação e atendimento, embora não permitam concluir, isoladamente, quantos empregos foram criados, modificados ou eliminados.

Outros executivos também defendem a atualização profissional

A discussão sobre a importância de aprender a utilizar inteligência artificial também aparece nas declarações de outros líderes do setor de tecnologia.

Jensen Huang, CEO da Nvidia, já afirmou que a adoção dessas ferramentas tende a afetar diferentes profissões e defendeu que trabalhadores aprendam a utilizá-las.

Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, também destacou a possibilidade de profissionais que dominam recursos de IA conquistarem vantagens em atividades criativas.

Essas avaliações refletem expectativas de executivos sobre a transformação do mercado, mas não representam uma previsão comprovada de substituição generalizada de trabalhadores.

Especialistas e empresas continuam debatendo os efeitos da automação sobre produtividade, qualificação, remuneração e oferta de empregos.

Como se preparar para as mudanças no mercado de trabalho?

As declarações de Brian Chesky reforçam a importância de desenvolver competências que possam ser utilizadas em conjunto com novas tecnologias.

Entre as medidas que podem ajudar profissionais e gestores a acompanhar essa transformação estão:

  • Aprender a usar ferramentas de IA: conhecer recursos que possam apoiar tarefas relacionadas à própria profissão.
  • Desenvolver pensamento crítico: avaliar respostas e identificar possíveis erros nos resultados produzidos por sistemas automatizados.
  • Manter conhecimento prático: compreender as atividades e os processos executados pela equipe, mesmo em cargos de liderança.
  • Investir em comunicação: transmitir orientações com clareza e colaborar com profissionais de diferentes áreas.
  • Buscar atualização contínua: acompanhar mudanças tecnológicas e identificar novas exigências da profissão.

Também é importante considerar questões de segurança da informação e confidencialidade antes de inserir dados profissionais em ferramentas de inteligência artificial.

Inteligência artificial vai acabar com os cargos de gestão?

Não há evidências de que todos os cargos de gestão estejam destinados a desaparecer.

A previsão de Chesky se refere principalmente aos profissionais que limitam sua atuação à supervisão de equipes e não desenvolvem conhecimento prático sobre os processos sob sua responsabilidade.

Funções de liderança continuam envolvendo decisões estratégicas, resolução de conflitos, desenvolvimento de pessoas e responsabilidade por resultados.

A inteligência artificial pode modificar a execução de parte dessas tarefas, mas seus efeitos dependem de como as empresas organizam o trabalho e utilizam a tecnologia.

O principal argumento do CEO do Airbnb é que a capacidade de adaptação poderá ganhar importância tanto para quem ocupa cargos de chefia quanto para profissionais em outras posições.

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