O influenciador fitness e empresário Renato Cariani voltou ao centro de uma investigação criminal nesta quarta-feira (28), após o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pedir sua condenação por associação para o tráfico de drogas, tráfico de matérias-primas destinadas à fabricação de entorpecentes e lavagem de dinheiro. Conhecido nacionalmente pelos conteúdos de musculação e fisiculturismo, ele pode receber uma pena superior a 50 anos de prisão, caso seja condenado por todas as acusações.
Cariani responde ao processo em liberdade e nega qualquer participação no suposto esquema criminoso. A acusação está relacionada ao desvio de produtos químicos que, segundo os investigadores, teriam sido utilizados na fabricação de grandes quantidades de cocaína e crack. O caso começou a ser investigado anos antes de o influenciador se tornar alvo de uma operação da Polícia Federal, em dezembro de 2023.
Renato Cariani é denunciado pelo MP-SP por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro
Quem é Renato Cariani?
Renato Cariani é um dos influenciadores mais conhecidos do universo fitness brasileiro. Professor de química e educação física, empresário e atleta de fisiculturismo, ele construiu uma carreira nas redes sociais compartilhando conteúdos sobre musculação, alimentação, treinamento físico e desenvolvimento pessoal.



Com milhões de seguidores em diferentes plataformas, Cariani se consolidou como uma referência para praticantes de musculação e admiradores do fisiculturismo. Seus vídeos frequentemente abordam rotinas de treinamento, preparação de atletas, suplementação e hábitos relacionados à atividade física.
Além da produção de conteúdo, o empresário participa de eventos esportivos, mantém projetos educacionais e comercializa cursos voltados a diferentes áreas, incluindo nutrição, musculação e empreendedorismo.
A trajetória de Cariani também é marcada por relatos sobre sua infância. Em entrevistas anteriores, ele contou que sofreu bullying na escola por estar acima do peso e encontrou na musculação uma forma de melhorar a autoestima e desenvolver disciplina.
O influenciador atribui à prática esportiva parte importante de sua transformação pessoal e profissional. Sua formação acadêmica em química, administração de empresas e educação física também contribuiu para sua atuação no mercado empresarial.
Por que Renato Cariani é investigado?
A investigação criminal envolve a Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa localizada em Diadema, na Grande São Paulo, da qual Cariani era sócio.
Segundo o Ministério Público, a companhia teria sido utilizada para simular operações comerciais e justificar a saída de substâncias químicas que acabariam destinadas ao narcotráfico.
A acusação sustenta que o grupo realizou operações fraudulentas envolvendo produtos químicos controlados, posteriormente utilizados na preparação de drogas, especialmente cocaína e crack.
De acordo com os investigadores, foram identificadas 59 operações suspeitas envolvendo a comercialização desses insumos. Os produtos teriam sido registrados como vendidos a empresas que não reconheciam as transações.
Os promotores afirmam que o esquema também teria envolvido documentos falsos e movimentações financeiras destinadas a ocultar a origem de recursos.
Além de Cariani, os empresários Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira são apontados como participantes do suposto esquema.
Como começou a investigação da Polícia Federal?
O caso começou a ser apurado após a farmacêutica AstraZeneca comunicar às autoridades que não reconhecia operações comerciais registradas em seu nome.
Segundo a investigação, notas fiscais emitidas pela Anidrol indicavam vendas de produtos químicos à farmacêutica, embora a companhia afirmasse não ter realizado as compras.
Os investigadores identificaram suspeitas de utilização indevida de dados empresariais para dar aparência legal à comercialização dos produtos.
A apuração também apontou que terceiros teriam realizado depósitos em dinheiro para pagar pelas substâncias, levantando suspeitas sobre o destino das mercadorias.
Em dezembro de 2023, a Polícia Federal deflagrou a Operação Hinsberg, em conjunto com órgãos de fiscalização e investigação, para aprofundar as suspeitas.
Na ocasião, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais e Paraná, incluindo endereços relacionados ao influenciador e à empresa investigada.
Cariani negou envolvimento nas irregularidades e afirmou ter sido surpreendido pela operação.
O que a acusação diz sobre a participação de Cariani?
Nas alegações finais apresentadas à Justiça, o Ministério Público sustenta que Cariani não seria apenas um sócio da empresa investigada, mas teria conhecimento e participação em determinadas operações consideradas fraudulentas.
A promotoria afirma que o empresário teria autorizado retiradas de produtos fora do horário comercial e apresentado documentos considerados falsos para justificar movimentações de mercadorias.
Os investigadores também analisaram mensagens trocadas entre o influenciador e um policial civil ligado à fiscalização de substâncias químicas controladas.
Segundo o Ministério Público, essas conversas indicariam que Cariani tinha conhecimento sobre o possível emprego dos produtos na fabricação de entorpecentes e sobre procedimentos de fiscalização.
A acusação ainda aponta suspeitas de lavagem de aproximadamente R$ 2,5 milhões, por meio de depósitos realizados por terceiros e operações que teriam dado aparência legal aos valores movimentados.
Todas essas afirmações integram a versão apresentada pela acusação e precisam ser avaliadas pela Justiça.
Por que a pena pode chegar a 51 anos de prisão?
O pedido apresentado pelo Ministério Público considera diferentes crimes atribuídos aos acusados.
Segundo estimativa jurídica divulgada após as alegações finais, uma eventual condenação integral poderia resultar em penas de 16 anos e quatro meses a 51 anos e oito meses de reclusão, além de multas.
O cálculo leva em consideração a acusação de associação para o tráfico, 59 episódios de tráfico de insumos químicos e 59 episódios de lavagem de dinheiro, além das regras de aplicação e aumento de penas.
Entretanto, a possibilidade de uma sentença superior a 50 anos não significa que o influenciador necessariamente cumpriria todo esse período na prisão.
A legislação brasileira estabelece um limite de 40 anos para o tempo efetivo de cumprimento de penas privativas de liberdade.
Até esta quarta-feira (28), não havia condenação definitiva no processo. Cariani permanece em liberdade enquanto a Justiça analisa o caso.
O que diz a defesa de Renato Cariani?
O advogado Aldo Romani Netto, responsável pela defesa de Renato Cariani, afirmou que o pedido de condenação do Ministério Público já era esperado.
Segundo a defesa, a promotoria manteve a linha de acusação apresentada desde o início da ação penal, e os advogados pretendem contestar os argumentos na etapa de alegações finais.
“Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani”.
A defesa sustenta que as provas produzidas durante a instrução processual demonstram que as acusações contra o influenciador não procedem.
O Ministério Público também solicitou a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na Anidrol, e de Andréia Domingues Ferreira, que haviam sido citadas nas investigações.
Próximos passos
O processo está na fase de alegações finais, momento em que acusação e defesa apresentam seus últimos argumentos antes da decisão judicial.
Após a manifestação dos advogados, caberá à Justiça avaliar as provas, os depoimentos e os documentos reunidos durante a investigação para decidir pela condenação ou absolvição dos acusados.
O pedido apresentado pelo Ministério Público não representa uma sentença e não determina automaticamente a prisão de Renato Cariani.
Enquanto não houver decisão judicial em sentido contrário, o influenciador poderá continuar respondendo ao processo em liberdade.