Uma mulher suspeita de se passar por médica e realizar cirurgias plásticas clandestinas foi presa pela Polícia Civil em Santana, no Amapá, na quarta-feira (28). Segundo as investigações, uma das pacientes pagou mais de R$ 14 mil por procedimentos estéticos e ficou com deformidade permanente no rosto após desenvolver uma infecção grave.
A prisão preventiva foi cumprida pela 1ª Delegacia de Polícia de Santana. A investigada era responsável por uma clínica de estética localizada no bairro Paraíso, onde realizava procedimentos invasivos sem formação em Medicina, Enfermagem ou Biomedicina e sem registro em qualquer conselho profissional.
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, os policiais encontraram condições consideradas insalubres. Havia baratas nos ambientes de atendimento e medicamentos armazenados junto a venenos utilizados para combater insetos.
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A clínica funcionava como extensão da residência da suspeita e não possuía alvará da Prefeitura nem licença da Vigilância Sanitária.
Paciente pagou R$ 14 mil e ficou com deformidade no rosto
O caso que motivou a prisão envolve uma paciente que contratou procedimentos de lipoenxertia e aplicação de fios de sustentação, pagando mais de R$ 14 mil.
De acordo com a Polícia Civil, após os procedimentos, a mulher desenvolveu uma infecção bacteriana grave, com formação de flegmão, abscesso e deformidade facial permanente.
As investigações apontam que a suspeita atuava de forma recorrente na realização de procedimentos ilegais. Ao todo, cinco inquéritos policiais apuram sua atuação.
Polícia encontrou canetas emagrecedoras e medicamentos controlados
Durante as buscas, os agentes apreenderam instrumentos cirúrgicos, toxina botulínica, canetas emagrecedoras sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), hormônios, insulina e somatropina, conhecida como GH, o hormônio do crescimento.
Também foram encontrados produtos utilizados para preenchimentos estéticos e outros medicamentos sujeitos a controle.
Segundo a Polícia Civil, a investigada já responde a quatro outros inquéritos na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Santana. Entre os crimes investigados estão tentativa de homicídio, lesão corporal grave com deformidade permanente, exercício ilegal da medicina e estelionato.
A mulher também possui uma condenação definitiva a cinco anos, sete meses e dois dias de prisão, em regime semiaberto, por crimes da mesma natureza.
No novo caso, ela deverá responder por lesão corporal gravíssima, exercício ilegal da medicina com finalidade lucrativa, estelionato, crime contra as relações de consumo e infrações relacionadas a medicamentos ilegais.
Após passar por exame de corpo de delito, a investigada foi encaminhada ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.