A Samsung Electronics registrou um resultado financeiro histórico no terceiro trimestre de 2026, impulsionada pela crescente demanda por chips utilizados em sistemas de inteligência artificial (IA). A companhia sul-coreana anunciou lucro operacional de 107,44 trilhões de wons entre julho e setembro, tornando-se a primeira empresa de tecnologia do mundo a superar a marca de 100 trilhões de wons, o equivalente a R$ 400 bilhões, em lucro operacional em um único trimestre.
A receita consolidada alcançou 195,25 trilhões de wons, cerca de R$ 780,34 bilhões, também um recorde trimestral. Na comparação com o mesmo período de 2025, o faturamento cresceu 126,9%, enquanto o lucro operacional avançou 783,1%, segundo os resultados divulgados pela empresa em 29 de outubro.
O desempenho foi sustentado principalmente pelo negócio de semicondutores, beneficiado pela expansão da infraestrutura de inteligência artificial e pela procura por memórias de alto desempenho utilizadas em servidores e aceleradores de IA.
LEIA TAMBÉM
Samsung lança Galaxy W27 dobrável de luxo só na China dia 29
Chips respondem por quase todo o lucro operacional
A divisão de semicondutores da Samsung registrou receita de 147,1 trilhões de wons e lucro operacional de 106,5 trilhões de wons no trimestre. O resultado correspondeu a aproximadamente 99,1% do lucro operacional total da companhia.
O negócio de memória atingiu novos recordes de receita e lucro operacional, impulsionado pela demanda por produtos destinados a servidores e aplicações de inteligência artificial. A empresa também ampliou as vendas de memórias de alta largura de banda, conhecidas como HBM, incluindo produtos da geração HBM4.
Esses componentes são importantes para sistemas que treinam e executam modelos de inteligência artificial, pois permitem transferir grandes volumes de dados entre processadores e memória. A expansão dos centros de dados e dos investimentos em infraestrutura de IA tem elevado a procura por esse tipo de tecnologia.
Lucro líquido cresce mais de seis vezes
O lucro líquido da Samsung chegou a 75,13 trilhões de wons no terceiro trimestre, o equivalente a R$ 300,82 bilhões, alta de 514,6% em relação aos valor registrado um ano antes, conforme dados divulgados pela empresa e reportados pela agência sul-coreana Yonhap.
Na comparação com o segundo trimestre de 2026, a receita avançou aproximadamente 14%. A sequência de resultados recordes reforça a importância dos semicondutores para o desempenho financeiro do grupo, que também atua nos mercados de smartphones, televisores, eletrodomésticos e telas.
Negócios de celulares e eletrônicos enfrentam pressão
Apesar do resultado consolidado, nem todas as divisões apresentaram o mesmo desempenho. A área de experiência do consumidor, que reúne smartphones e outros dispositivos, registrou prejuízo operacional de 800 bilhões de wons no trimestre, o equivalente a R$ 3,20 bilhões.
As vendas foram beneficiadas pelo lançamento de novos aparelhos premium, mas os custos mais elevados de componentes pressionaram a rentabilidade. As áreas de televisores e eletrodomésticos também enfrentaram desafios relacionados ao aumento de custos e às condições do mercado.
Os números evidenciam a crescente dependência do resultado da Samsung em relação ao setor de semicondutores, especialmente às memórias utilizadas na infraestrutura de inteligência artificial.
Ações caem apesar de resultado recorde
Mesmo após a divulgação dos números históricos, as ações da Samsung Electronics encerraram a sessão de quinta-feira (29) em queda de 4,13%. Durante o pregão, os papéis chegaram a recuar até 5%.
O movimento ocorreu apesar de o lucro operacional ter ficado próximo das expectativas do mercado. A reação mostra que resultados recordes nem sempre provocam valorização das ações, especialmente quando investidores já incorporam perspectivas elevadas de crescimento aos preços dos ativos.
Analistas também acompanham os riscos associados à concentração dos lucros em chips de memória, um mercado sujeito a mudanças de preços, ciclos de oferta e demanda e grandes investimentos em capacidade produtiva.
Samsung prevê demanda forte por chips de IA em 2027
A companhia espera que os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial continuem crescendo em 2027. A expectativa é de que a demanda por memória voltada a servidores e aplicações de IA permaneça elevada, podendo superar a expansão da oferta do setor.
Para atender ao mercado, a Samsung pretende ampliar as vendas de memórias HBM, DRAM para servidores e unidades de armazenamento SSD. A empresa também planeja direcionar investimentos à ampliação e modernização de sua capacidade de produção de semicondutores.
O resultado do terceiro trimestre confirma o peso crescente da inteligência artificial na indústria global de tecnologia. Para a Samsung, o desafio será manter o ritmo de expansão dos chips avançados e, ao mesmo tempo, melhorar a rentabilidade das demais divisões em um ambiente de custos elevados e concorrência intensa.