Delegado e investigador suspeitos de desviar drogas perdem cargos na Polícia Civil da Paraíba

Exonerações foram publicadas nesta quinta-feira (29); policiais são réus em investigação sobre esquema que teria utilizado a estrutura da corporação para abastecer o tráfico.
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O delegado Braz Morroni de Paiva Júnior e o investigador Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”, foram exonerados dos cargos de confiança que ocupavam na Polícia Civil da Paraíba. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (29) e ocorre em meio a uma investigação sobre um suposto esquema de desvio e comercialização de drogas apreendidas em operações policiais.

Os dois foram presos em 2 de junho de 2026, durante a Operação Perfidus, que investiga a participação de agentes públicos em uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas. Apesar das exonerações, ambos continuam vinculados à Polícia Civil, já que a medida não representa demissão definitiva da corporação. Em 25 de setembro, a Justiça havia determinado a soltura dos investigados, mediante o cumprimento de medidas cautelares.

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Investigação aponta desvio de drogas e uso da estrutura policial

Braz Morroni estava vinculado à Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa. Segundo a investigação, ele é suspeito de participar do desvio de entorpecentes, receber parte dos lucros obtidos com a revenda das substâncias e utilizar sua posição hierárquica para proteger outros integrantes do grupo investigado.

Já Eduardo Jorge, conhecido como “Mão Branca”, é apontado como suspeito de atuar diretamente na retirada de drogas apreendidas, no monitoramento de carregamentos, na manipulação de rastreadores e no armazenamento dos entorpecentes.

As investigações apontam que integrantes do esquema teriam utilizado informações privilegiadas sobre depósitos e veículos ligados ao tráfico para realizar ações clandestinas. Durante essas operações, parte das drogas seria desviada e posteriormente comercializada, inclusive dentro do sistema prisional.

O Ministério Público da Paraíba também identificou indícios de manipulação de registros policiais e repasse de informações sigilosas a criminosos. A suspeita é de que essas práticas eram utilizadas para dificultar investigações, evitar prisões e garantir a continuidade das atividades ilícitas.

Oito investigados se tornaram réus na Justiça

Em agosto, a Justiça da Paraíba recebeu uma denúncia apresentada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e tornou réus oito investigados na Operação Perfidus. Entre eles estão Braz Morroni, Eduardo Jorge e o policial civil Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), os investigados são suspeitos de integrar uma organização criminosa armada que teria atuado na apropriação de carregamentos de drogas pertencentes a facções criminosas.

O material desviado seria posteriormente reinserido no comércio ilegal, enquanto os valores obtidos com as operações seriam ocultados por meio de práticas investigadas como lavagem de dinheiro.

A Operação Perfidus foi deflagrada em uma ação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil da Paraíba, com participação do Gaeco, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e de unidades de inteligência.

Na primeira fase, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores relacionados aos investigados.

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Braz Morroni de Paiva Júnior e o investigador Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”.

Justiça determinou soltura com medidas cautelares

Em 25 de setembro, o juiz Salvador de Oliveira Vasconcelos determinou a soltura de Braz Morroni, Eduardo Jorge e Everton Aires. A decisão considerou, entre outros fatores, que os policiais já estavam formalmente afastados das funções exercidas na instituição.

A liberdade foi acompanhada de medidas cautelares, incluindo a obrigação de comparecimento periódico à Justiça, a cada 30 dias, e a proibição de manter contato com testemunhas, corréus e outros investigados na operação.

As exonerações publicadas nesta quinta-feira atingem especificamente as funções de confiança ocupadas por Braz Morroni e Eduardo Jorge. A perda definitiva dos cargos efetivos depende de procedimentos próprios e das decisões das autoridades competentes.

Próximos passos

Com o recebimento da denúncia, os investigados passaram a responder formalmente à ação penal. A Justiça deverá analisar as provas apresentadas pelo Ministério Público e os argumentos das defesas antes de decidir sobre a responsabilidade criminal dos acusados.

O Ministério Público também pediu a perda dos cargos públicos dos agentes envolvidos em caso de condenação, além do confisco de bens relacionados às atividades investigadas.

As acusações ainda dependem de julgamento definitivo. Os réus têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência durante todo o processo.

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