O empresário Carlos Eduardo Martins, filmado conduzindo um homem negro acorrentado durante uma manifestação de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), no Rio de Janeiro, é sócio de duas empresas que acumulam mais de R$ 1 milhão em dívidas tributárias e previdenciárias. O levantamento foi divulgado após a repercussão das imagens, registradas no sábado (24), na Barra da Tijuca, durante o encerramento da campanha presidencial.
As empresas identificadas são a Cem Locação de Bens Móveis e Serviços Ltda. e a Top Gran Comércio de Granitos e Mármores Ltda. Segundo levantamento publicado pela imprensa, a Top Gran acumula mais de R$ 666 mil em débitos, enquanto as pendências da Cem Locação ultrapassam R$ 386 mil. Somadas, as dívidas superam R$ 1,05 milhão.
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Empresas de empresário acumulam dívidas milionárias
Carlos Eduardo Martins integra o quadro societário de duas empresas que atuam em setores diferentes da economia. A Cem Locação trabalha com aluguel de máquinas e equipamentos comerciais e industriais, enquanto a Top Gran atua no comércio atacadista de mármores e granitos.
As duas empresas estão registradas no mesmo endereço, na Estrada da Pedra, em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
O levantamento que identificou os débitos foi realizado a partir de informações empresariais e registros públicos. As pendências incluem valores relacionados a obrigações tributárias e previdenciárias.
A existência de dívidas fiscais não significa, por si só, que os responsáveis pelas empresas tenham cometido crimes. Também não há informação de que essas pendências estejam relacionadas à investigação sobre a manifestação política.
Vídeo mostra homem negro sendo conduzido por corrente
O episódio que levou o empresário ao centro das atenções ocorreu em 24 de outubro, durante o ato chamado “Bloco do 22”, realizado na Barra da Tijuca.
Nas imagens registradas pelo jornalista francês Raphaël Bernard, Carlos Eduardo Martins aparece segurando uma corrente presa a um homem negro que utilizava símbolos associados ao Partido dos Trabalhadores (PT).
O homem conduzido também carregava um tridente e vestia elementos que faziam referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante a gravação, o empresário aparece fazendo declarações ofensivas contra Lula, enquanto os dois circulam pelo local da manifestação.
A cena provocou críticas por apresentar um homem negro acorrentado, imagem associada historicamente à escravidão no Brasil.
Empresário afirma que encenação era uma sátira política
Após a repercussão, Carlos Eduardo Martins publicou um vídeo nas redes sociais para explicar o episódio.
Segundo ele, a apresentação foi combinada entre os participantes e tinha como objetivo representar uma crítica política ao presidente Lula.
O empresário afirmou que o homem negro que aparece nas imagens é seu amigo, identificado como Sérgio, e negou que a encenação tivesse motivação racista.
“Não passou de uma simples sátira, nenhuma intenção racista de nada.”
Martins também pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas com a representação.
Na gravação de esclarecimento, os dois participantes aparecem juntos e afirmam que a intenção era realizar uma manifestação política.
A versão apresentada pelos envolvidos, entretanto, não encerra a apuração sobre as circunstâncias do episódio.
Polícia Civil investiga possível crime de racismo
A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu uma investigação para apurar a encenação registrada durante o ato político.
O caso está sob responsabilidade da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que realiza diligências para esclarecer as circunstâncias da gravação.
O Ministério da Igualdade Racial também solicitou providências ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro.
A pasta classificou a representação como inaceitável e destacou a associação entre a imagem de uma pessoa negra acorrentada e o passado escravocrata brasileiro.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) também informou que analisaria as imagens para avaliar possíveis medidas na esfera eleitoral.
Encenação pode configurar crime?
A investigação deverá considerar o contexto em que a cena ocorreu, as declarações dos participantes e a existência de eventual intenção discriminatória.
A legislação brasileira prevê punições para práticas de racismo e discriminação racial, mas o enquadramento de uma conduta depende da análise dos fatos e das provas.
O fato de os envolvidos afirmarem que a apresentação foi combinada e tinha caráter de sátira política será considerado na apuração, mas não impede, por si só, a avaliação das autoridades.
Até o momento, não há informação de condenação criminal relacionada ao episódio.
O que acontece agora?
A Polícia Civil deverá prosseguir com as diligências para esclarecer a participação dos envolvidos e verificar se a encenação configura alguma infração penal.
Na esfera eleitoral, as autoridades também poderão analisar se houve violação das normas aplicáveis às manifestações de campanha.
Paralelamente, os débitos atribuídos às empresas de Carlos Eduardo Martins permanecem como uma questão tributária distinta da investigação sobre o vídeo.
Não há elementos divulgados que indiquem participação de Flávio Bolsonaro na organização da encenação ou nas atividades empresariais de Martins.