O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (30) que o governo americano investiga a possível participação de hackers ligados à Coreia do Norte no ataque cibernético contra a Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo. A invasão, registrada na quinta-feira (29), resultou no desvio de aproximadamente US$ 6,3 bilhões, o equivalente a R$ 34 bilhões, e pode representar o maior roubo de ativos digitais já registrado.
A suspeita de envolvimento norte-coreano surgiu após empresas especializadas em segurança de blockchain identificarem semelhanças entre a operação e ataques anteriores atribuídos a grupos vinculados a Pyongyang. A Binance informou que está colaborando com autoridades internacionais e que cerca de US$ 3 bilhões dos ativos comprometidos já foram bloqueados. Apesar das suspeitas, a autoria do ataque ainda não foi confirmada oficialmente.
LEIA MAIS:
Binance suspende saques após ataque hacker com impacto estimado em R$ 33 bilhões
O que Trump disse sobre o ataque à Binance?
Donald Trump comentou o episódio durante uma conversa com jornalistas na Casa Branca, nesta sexta-feira.
Questionado sobre a possibilidade de o ataque ter sido realizado por um grupo de hackers da Coreia do Norte, o presidente confirmou que as autoridades americanas estão analisando o caso.
“Estamos investigando.”
A declaração ocorre enquanto especialistas em rastreamento de criptomoedas procuram identificar a origem dos acessos não autorizados e o destino dos recursos desviados.
Segundo informações divulgadas pela agência Reuters, a Binance trabalha em conjunto com autoridades policiais de diferentes países, incluindo o Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI) e o Serviço Secreto americano.
O FBI informou estar em contato com parceiros públicos e privados para compreender a extensão do incidente e coordenar as medidas investigativas.
Até o momento, o governo americano não anunciou uma conclusão definitiva sobre a identidade dos responsáveis.
Como aconteceu o ataque hacker à Binance?
O ataque começou na quinta-feira (29) e atingiu sistemas utilizados pela Binance para movimentar ativos digitais.
Segundo as informações preliminares, os invasores conseguiram comprometer mecanismos internos de autorização de transações, permitindo transferências não autorizadas a partir de uma carteira digital conectada à internet.
Esse tipo de carteira, conhecido como hot wallet, permanece conectado à rede para facilitar operações, mas pode ficar mais exposto a ataques do que sistemas de armazenamento offline.
A empresa informou que um computador utilizado por um integrante de sua equipe técnica pode ter sido comprometido, abrindo caminho para o acesso indevido.
As investigações também apontam que os criminosos utilizaram ferramentas destinadas a dificultar a identificação de suas atividades.
A maior parte das transferências ocorreu em aproximadamente 20 minutos, segundo análises de empresas especializadas.
Os recursos foram movimentados por diferentes redes de blockchain, aumentando a complexidade do rastreamento e das tentativas de recuperação.
Coreia do Norte é apontada por empresas de cibersegurança
As empresas americanas TRM Labs e Chainalysis identificaram características do ataque semelhantes às operações anteriormente atribuídas a hackers norte-coreanos.
Uma das principais suspeitas envolve o grupo TraderTraitor, associado por investigadores internacionais a atividades cibernéticas ligadas à Coreia do Norte.
Segundo os especialistas, os métodos utilizados contra a Binance apresentam semelhanças com o ataque à corretora Bybit, registrado em fevereiro de 2025.
Naquela ocasião, aproximadamente US$ 1,5 bilhão em criptomoedas foi roubado. O FBI atribuiu a operação a hackers ligados ao governo norte-coreano.
No caso da Binance, as empresas de análise demonstraram elevado grau de confiança na hipótese de participação do mesmo grupo.
Entretanto, essa avaliação técnica ainda não equivale a uma confirmação oficial das autoridades americanas.
A Binance também não anunciou uma conclusão definitiva sobre os responsáveis pela invasão.
O governo da Coreia do Norte costuma negar acusações relacionadas a operações internacionais de roubo de criptomoedas.
Binance consegue bloquear cerca de US$ 3 bilhões
Depois de identificar o ataque, a Binance iniciou uma operação para rastrear e tentar recuperar os valores desviados.
A corretora informou que aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos digitais foram congelados com a colaboração de outras empresas do setor.
A Tether, responsável pela emissão da stablecoin USDT, bloqueou quase US$ 1,57 bilhão relacionado às movimentações suspeitas.
A Circle, emissora da stablecoin USDC, também congelou mais de US$ 800 milhões.
Essas medidas dificultam a utilização dos recursos pelos criminosos, especialmente quando envolvem ativos digitais cujos emissores conseguem impedir transferências.
Entretanto, o bloqueio não significa necessariamente que todos os valores já tenham sido devolvidos à Binance.
A situação dos aproximadamente US$ 3,3 bilhões restantes ainda depende do avanço das investigações e das medidas de rastreamento.
O dinheiro dos clientes da Binance está seguro?
A Binance afirma que os recursos de seus usuários permanecem protegidos e prometeu assumir as perdas financeiras provocadas pelo ataque.
A empresa informou que reservou aproximadamente US$ 6,34 bilhões de recursos próprios para cobrir os valores comprometidos.
Segundo a corretora, o objetivo é impedir que os clientes tenham prejuízos decorrentes da invasão.
A plataforma suspendeu temporariamente operações de saque enquanto realizava verificações de segurança.
Na manhã desta sexta-feira (30), a Binance informou que esperava restabelecer os serviços de retirada de recursos nas 48 horas seguintes.
O prazo representa uma previsão da empresa e não uma confirmação de que todas as operações já tenham sido normalizadas.
Usuários devem acompanhar os comunicados oficiais para verificar a disponibilidade dos serviços.
Ataque provoca queda no preço das criptomoedas
A divulgação do roubo bilionário também provocou instabilidade no mercado de ativos digitais.
O bitcoin chegou a atingir aproximadamente US$ 76.368, seu menor valor em seis semanas, durante as negociações desta sexta-feira.
O ether registrou queda superior a 3% e chegou a US$ 2.178, menor cotação em cerca de dois meses.
O BNB, ativo digital associado à Binance, também sofreu desvalorização, refletindo a reação dos investidores às notícias sobre a invasão.
A preocupação não se limita ao prejuízo financeiro imediato.
Especialistas avaliam que ataques dessa dimensão podem aumentar a desconfiança em plataformas centralizadas de negociação de criptomoedas, especialmente entre investidores que dependem dessas empresas para armazenar seus ativos.
As oscilações do mercado podem continuar enquanto surgirem novas informações sobre a segurança da plataforma e a recuperação dos recursos.
Por que hackers norte-coreanos são investigados em roubos de criptomoedas?
Autoridades dos Estados Unidos e da Coreia do Sul investigam há anos a participação de grupos ligados à Coreia do Norte em ataques contra instituições financeiras e empresas de tecnologia.
De acordo com avaliações de especialistas e investigadores internacionais, parte dessas operações teria como objetivo obter recursos financeiros por meio do roubo de ativos digitais.
Relatórios de monitoramento das Nações Unidas também relacionaram atividades cibernéticas atribuídas a agentes norte-coreanos à obtenção de recursos para programas militares do país.
Uma das características desses ataques é a tentativa de movimentar rapidamente os valores roubados por diferentes carteiras e redes digitais, dificultando a identificação da origem e do destino das transações.
No caso da Binance, a velocidade da operação e o uso de mecanismos para contornar controles internos reforçaram as suspeitas dos especialistas.
Apesar disso, os investigadores ainda precisam reunir evidências suficientes para estabelecer formalmente a autoria da invasão.
Próximos passos
As autoridades americanas devem continuar trabalhando com a Binance e empresas especializadas para identificar os responsáveis e rastrear os valores desviados.
A corretora também terá de concluir a análise das falhas de segurança exploradas durante a invasão e verificar se será necessário modificar seus procedimentos internos de autorização de transações.
Outra prioridade será recuperar a maior quantidade possível dos ativos comprometidos e normalizar os serviços temporariamente suspensos.
Para os clientes, a empresa mantém a promessa de cobrir as perdas relacionadas ao incidente.
A participação da Coreia do Norte permanece sob investigação. Até que as autoridades divulguem uma conclusão, a suspeita levantada pelas empresas de cibersegurança não deve ser tratada como autoria comprovada.