Uma cadela ajudou a localizar o corpo do agricultor Justino Henrique Pereira, de 79 anos, encontrado morto na quarta-feira (28), em uma chácara na zona rural de Rorainópolis, no sul de Roraima. O animal, considerado uma companheira fiel do idoso, chamou a atenção do genro da vítima durante as buscas e o conduziu até o local onde o corpo estava, em uma plantação de cacau.
O principal suspeito do crime é o irmão de Justino, identificado como Procópio José Brito de Oliveira, de 80 anos. Ele foi preso em flagrante pela Polícia Civil, mas acabou liberado após passar por audiência de custódia. Segundo familiares, a vítima havia recebido ameaças do irmão antes de ser encontrada morta.
O corpo apresentava ferimentos e queimaduras. Durante a perícia, foram encontradas marcas de sangue na residência, um machado e a tampa de um recipiente de combustível. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do homicídio e a possível participação do suspeito.
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Cadela chamou atenção do genro durante as buscas
Justino Henrique Pereira morava em uma chácara localizada no quilômetro 12 da Vicinal 09, na zona rural de Rorainópolis.
Na manhã de quarta-feira, o genro da vítima, um mestre de obras de 37 anos, saiu para trabalhar em outra propriedade rural. Justino permaneceu na chácara, onde costumava cuidar dos animais e realizar atividades do dia a dia.
Ao retornar, por volta das 18h, o homem percebeu que o sogro não estava em casa. Preocupado, procurou informações com os vizinhos, mas ninguém soube informar seu paradeiro.
O genro iniciou buscas pela propriedade utilizando uma lanterna.
Durante a procura, a cadela que costumava acompanhar Justino se aproximou dele e demonstrou agitação. Em seguida, o animal retornou para uma determinada área da chácara.
O comportamento se repetiu e chamou a atenção do familiar, que decidiu seguir a cadela.
Ao chegar ao local indicado pelo animal, encontrou o corpo de Justino em uma plantação de cacau, a aproximadamente 80 metros da residência.
Corpo apresentava ferimentos e queimaduras
Depois da descoberta, as autoridades policiais foram acionadas para atender à ocorrência.
O corpo apresentava ferimentos e sinais de queimaduras, o que levantou suspeitas de que a vítima pudesse ter sido atingida e posteriormente submetida à ação do fogo.
Equipes da perícia realizaram levantamentos na propriedade para identificar vestígios que ajudassem a esclarecer o crime.
Durante a análise, foram encontradas marcas de sangue na sala e na cozinha da residência, além de vestígios em um machado localizado na casa.
Próximo ao corpo, os peritos também recolheram a tampa de um galão de combustível.
Familiares reconheceram que o recipiente pertencia à casa de farinha existente na propriedade.
Os materiais recolhidos deverão passar por análises para determinar sua possível relação com a morte do agricultor.
Irmão da vítima teria feito ameaças de morte
Durante os depoimentos, familiares relataram que Justino havia recebido ameaças do próprio irmão.
Segundo o filho da vítima, de 47 anos, Procópio teria ameaçado Justino na terça-feira (27), um dia antes de o corpo ser encontrado.
O familiar também afirmou que o suspeito já havia manifestado anteriormente a intenção de matar o irmão.
As ameaças, entretanto, não teriam sido consideradas um risco concreto pela família.
Testemunhas relataram aos policiais que Procópio apresentava comportamento agressivo e falas desconexas havia aproximadamente três meses.
Moradores da região também disseram que o homem costumava circular com um objeto cortante e teria ameaçado um vizinho.
Os relatos passaram a integrar a investigação, mas ainda não representam comprovação de autoria do homicídio.
Suspeito foi visto com facão no dia do crime
Outro detalhe chamou a atenção dos investigadores.
Segundo o genro de Justino, Procópio foi visto caminhando por uma estrada vicinal com um facão na manhã de quarta-feira.
O encontro aconteceu por volta das 6h, quando o familiar saía para trabalhar.
Ainda conforme o depoimento, o suspeito não respondeu ao cumprimento feito pelo genro.
Horas depois, aproximadamente às 9h30, o homem foi visto novamente, dessa vez com ferimentos nos dedos de uma das mãos.
Ao ser questionado, Procópio afirmou que havia escorregado em uma ladeira enquanto tentava pedir dinheiro emprestado a um sobrinho e que teria se cortado acidentalmente com o próprio facão.
O sobrinho, entretanto, negou à polícia que o suspeito tivesse passado por sua residência naquele horário.
A divergência entre os relatos passou a ser considerada pelos investigadores na apuração da morte.
Polícia prendeu irmão, mas Justiça determinou soltura
Após a localização do corpo, equipes da Polícia Civil iniciaram diligências para encontrar Procópio.
O homem foi localizado em sua residência e preso em flagrante sob suspeita de envolvimento na morte de Justino.
De acordo com as informações policiais, ele apresentava sinais de embriaguez e um ferimento nos dedos de uma das mãos no momento da abordagem.
Procópio foi encaminhado à delegacia para os procedimentos legais.
Posteriormente, passou por audiência de custódia e foi colocado em liberdade.
A soltura não encerra a investigação nem significa que a suspeita tenha sido descartada.
O caso, inicialmente registrado como homicídio simples, passou a ser tratado como homicídio qualificado pelo emprego de fogo, meio insidioso ou cruel, após a análise de informações e vestígios reunidos pela polícia.
A responsabilidade criminal dependerá da investigação e da análise das provas pela Justiça.
Vítima era conhecida por comportamento tranquilo
Durante os depoimentos, testemunhas descreveram Justino como um homem pacífico, que vivia na região havia cerca de dez anos.
Segundo os relatos, o agricultor mantinha uma rotina ligada ao trabalho na propriedade e não costumava se envolver em conflitos com os moradores.
A cadela de estimação fazia parte dessa rotina e acompanhava o idoso em suas atividades.
Foi justamente essa proximidade que chamou a atenção da família quando o animal passou a agir de maneira diferente durante as buscas.
Embora não seja possível determinar o que motivou o comportamento da cadela, o relato do genro indica que a movimentação do animal foi fundamental para a localização do corpo.
Próximos passos
A Polícia Civil de Roraima continua investigando a morte de Justino Henrique Pereira.
Os investigadores deverão analisar os vestígios encontrados na residência, os resultados dos exames periciais e os depoimentos de familiares e testemunhas.
Entre os pontos que ainda precisam ser esclarecidos estão a dinâmica do homicídio, a motivação e a possível participação do irmão da vítima.
Procópio José Brito de Oliveira permanece como suspeito, apesar de ter sido liberado após a audiência de custódia.
A investigação também deverá esclarecer a relação entre os ferimentos encontrados no corpo, as marcas de sangue na propriedade e os objetos apreendidos pela perícia.