A história de Patrícia Lima ganhou um significado especial na última semana de outubro, quando ela reencontrou a mãe no ambiente de trabalho, mas em uma nova condição: as duas agora são colegas de profissão na mesma unidade de saúde do Recife, em Pernambuco. Filha de faxineira se torna médica e passa a trabalhar no mesmo hospital que a mãe.
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Patrícia tomou posse como médica ginecologista e obstetra concursada da Prefeitura do Recife na Policlínica e Maternidade Professor Arnaldo Marques, localizada no bairro do Ibura. No mesmo local, Edilene Gomes trabalha há 23 anos como auxiliar de serviços gerais.
A conquista representa a realização de um sonho construído ao longo de décadas. Edilene criou sozinha as duas filhas, Patrícia e Bárbara, e enfrentou dificuldades financeiras para garantir o sustento da família. Durante parte da infância das meninas, elas chegaram a morar em uma ocupação no bairro de Tejipió.
Em entrevista, a mãe relatou que houve períodos em que faltava comida em casa. A situação começou a melhorar depois que conseguiu emprego na maternidade, o que trouxe mais estabilidade e permitiu que as filhas se dedicassem aos estudos.
Da escola pública à formação em Medicina
Desde pequena, Patrícia sonhava em ser médica. Aos 14 anos, conseguiu uma bolsa de estudos para frequentar a escola de referência Cícero Dias, no Recife. Posteriormente, também participou de um curso pré-vestibular gratuito.
Em 2012, ingressou na Universidade de Pernambuco (UPE) pelo sistema de cotas. Ela foi a primeira pessoa da família a chegar ao ensino superior e concluiu a graduação em Medicina em 2018.
Depois de formada, começou a trabalhar na atenção básica em Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife. Na sequência, fez residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Barão de Lucena e também buscou formação complementar em gestação de alto risco.
A irmã, Bárbara, também conquistou um diploma universitário e se formou em Biomedicina.
Médica escolheu trabalhar no mesmo local que a mãe
A oportunidade de retornar à maternidade surgiu após Patrícia ser convocada em um concurso público realizado pela Prefeitura do Recife em 2024. Ela estava entre os 135 profissionais nomeados para reforçar a rede municipal de saúde.
Ao saber que havia uma vaga na unidade onde a mãe trabalha, a médica escolheu o local. Edilene atua na maternidade desde quando Patrícia tinha apenas oito anos.
Na última semana de outubro, a profissional iniciou os trabalhos e realizou o primeiro plantão, marcando o reencontro com a mãe agora como colega de trabalho.
Conquista também é da mãe
Nas redes sociais, Patrícia fez questão de reconhecer a importância de Edilene em sua trajetória e destacou o papel das políticas públicas na realização do sonho.
A médica também mencionou o sistema de cotas, a universidade pública e o Sistema Único de Saúde (SUS) como fundamentais para que ela e a irmã conseguissem construir suas carreiras.
“Hoje, minha conquista também é da minha mãe. E de todas as mulheres que lutam para que suas filhas possam ir mais longe”, escreveu.
Em outra publicação, Patrícia ressaltou que não esquece suas origens nem as oportunidades que ajudaram a transformar a realidade da família.
A história marca uma nova etapa para mãe e filha: depois de 23 anos trabalhando na limpeza da maternidade, Edilene agora acompanha a filha atendendo pacientes na mesma instituição.