O Partido Democrata chega à reta final das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos à frente dos republicanos nas pesquisas nacionais de intenção de voto para o Congresso. A votação está marcada para terça-feira (3), quando os americanos escolherão todos os integrantes da Câmara dos Representantes e parte do Senado. O resultado poderá alterar a relação de forças entre o Legislativo e o governo do presidente Donald Trump.
Segundo a média de pesquisas do RealClearPolling, que considera levantamentos realizados entre 9 e 30 de outubro, os democratas aparecem com 51,8% das intenções de voto, contra 43,3% dos republicanos. A diferença é de 8,5 pontos percentuais. Os números representam a preferência nacional declarada pelos eleitores e não determinam quantas cadeiras cada partido conquistará, já que as disputas são decididas individualmente em estados e distritos eleitorais.
Além das pesquisas, a participação antecipada chama atenção. Dados do Election Lab, da Universidade da Flórida, indicavam que 49.564.545 americanos já haviam votado até a noite de sexta-feira (30). O volume supera os 45,9 milhões de votos antecipados registrados antes das eleições de meio de mandato de 2022. Enquanto isso, Trump mantém compromissos de campanha para mobilizar eleitores republicanos nos últimos dias antes da votação.
Eleições nos EUA podem mudar força de Trump no Congresso; entenda o sistema
O que mostram as últimas pesquisas eleitorais nos EUA?
Os levantamentos divulgados na última semana de outubro indicam vantagem dos democratas na preferência nacional para o Congresso, embora a diferença varie conforme o instituto responsável pela pesquisa.
Na sondagem realizada entre 28 e 30 de outubro, os democratas registraram 52% das intenções de voto, enquanto os republicanos alcançaram 45%.
A pesquisa da Emerson, feita entre 24 e 26 de outubro, apresentou 52% para os democratas e 42% para os republicanos. Já o levantamento Reuters/Ipsos, realizado entre 22 e 26 de outubro, apontou uma diferença de nove pontos percentuais entre os partidos, segundo os dados reunidos pelo RealClearPolling.
As pesquisas medem a preferência partidária em escala nacional. Como os Estados Unidos adotam um sistema de representação por distritos na Câmara, o desempenho nacional de um partido não se traduz automaticamente na mesma proporção de cadeiras conquistadas.
Eleitores também avaliam o possível controle do Congresso
Uma pesquisa Economist/YouGov mostrou que 44% dos entrevistados esperavam uma maioria democrata na Câmara dos Representantes, enquanto 31% acreditavam que os republicanos ficariam com o controle da Casa.
A avaliação sobre o Senado apresentou uma divisão menor: 39% dos participantes acreditavam em uma maioria democrata, contra 36% que esperavam uma maioria republicana.
Esses percentuais representam expectativas manifestadas pelos entrevistados, e não intenções de voto ou projeções definitivas dos resultados.
O Senado possui 100 cadeiras, distribuídas igualmente entre os 50 estados americanos. Diferentemente da Câmara, que será totalmente renovada, apenas 35 vagas estarão em disputa neste ano.
Trump intensifica campanha nos últimos dias
O presidente Donald Trump segue participando da campanha republicana, mesmo não sendo candidato nas eleições legislativas.
A agenda divulgada para este domingo (1º) inclui compromissos nos estados do Kansas e de Iowa. Os eventos haviam sido cancelados anteriormente, mas foram novamente confirmados pela equipe do presidente.
A presença de Trump na campanha também divide a opinião pública americana.
Segundo levantamento Economist/YouGov, 31% dos entrevistados consideram que os comícios presidenciais ajudam, em alguma medida, os candidatos republicanos apoiados por Trump.
Outros 33% acreditam que essas aparições prejudicam os candidatos, enquanto 18% avaliam que não fazem diferença.
Os dados mostram percepções distintas sobre o papel do presidente na campanha, sem permitir concluir qual será o efeito efetivo das aparições sobre o resultado das urnas.
Votação antecipada ultrapassa 49 milhões de eleitores
O número de americanos que participaram antecipadamente das eleições já havia ultrapassado 49 milhões na sexta-feira (30), segundo dados compilados pelo Election Lab, da Universidade da Flórida.
O levantamento contabilizava 49.564.545 votos, superando a marca anterior registrada nas eleições legislativas de 2022.
Nos Estados Unidos, as regras de votação antecipada variam conforme o estado. Em determinadas localidades, os eleitores podem comparecer presencialmente antes do dia oficial da eleição ou encaminhar suas cédulas pelo correio, de acordo com a legislação estadual.
O Texas aparece entre os estados com participação expressiva. Até quarta-feira (28), mais de 6 milhões de pessoas já haviam votado antecipadamente, conforme números oficiais divulgados pelas autoridades eleitorais.
A participação antecipada indica o volume de votos já registrados, mas não permite identificar, por si só, qual partido será beneficiado.
O que está em jogo nas eleições de 3 de novembro?
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, acontecem dois anos depois das eleições presidenciais americanas.
Em 2026, os eleitores escolherão os 435 integrantes da Câmara dos Representantes e disputarão 35 das 100 cadeiras do Senado. Também haverá eleições para governadores, legislativos estaduais e outros cargos locais.
Atualmente, o Partido Republicano controla as duas Casas do Congresso.
Uma mudança nessa composição poderá modificar a capacidade do governo Trump de negociar e aprovar propostas relacionadas à economia, imigração, orçamento federal e política externa.
Caso os democratas conquistem a maioria em uma das Casas, poderão assumir o comando de comissões parlamentares e ampliar a fiscalização sobre as atividades do Executivo.
Por outro lado, a manutenção das maiorias republicanas preservaria o controle partidário das duas Casas, embora a aprovação de projetos continue dependendo das negociações entre parlamentares.
Independentemente do resultado, Trump permanecerá na Presidência dos Estados Unidos, com mandato previsto até janeiro de 2029.
Por que as pesquisas não definem o resultado?
A vantagem registrada pelos democratas nas pesquisas nacionais deve ser interpretada com cautela.
Nos Estados Unidos, os deputados são eleitos em distritos individuais. Isso significa que a distribuição geográfica dos votos e as características locais de cada disputa influenciam diretamente a composição final da Câmara dos Representantes.
No Senado, a eleição também depende do desempenho dos candidatos em cada estado, e não da soma nacional de votos dos partidos.
Além disso, pesquisas de opinião apresentam margens de erro, diferenças metodológicas e podem não refletir mudanças de preferência ocorridas nos últimos dias de campanha.
Por essas razões, os levantamentos mostram as tendências de opinião registradas durante a coleta, mas não substituem a apuração oficial.
Próximos passos
A votação geral será realizada na terça-feira, 3 de novembro. Os primeiros resultados deverão começar a ser divulgados após o fechamento das urnas nos respectivos estados, respeitando os diferentes fusos horários do país.
A contagem poderá se estender pelos dias seguintes, principalmente em disputas equilibradas ou em estados com grande volume de votos antecipados e enviados pelo correio.
A nova legislatura do Congresso americano está prevista para começar em 3 de janeiro de 2027.
Até lá, os resultados definirão a distribuição das cadeiras entre democratas e republicanos e a composição do Legislativo que atuará durante a segunda metade do atual mandato presidencial.