A ausência de Cristiano Ronaldo na partida do Al-Nassr contra o Pakhtakor, nesta segunda-feira (2), no Uzbequistão, acontece em meio a uma preocupação crescente com a segurança das competições de futebol na Ásia. Embora o atacante português tenha sido poupado por causa do calendário intenso, os recentes ataques com mísseis e drones contra a Arábia Saudita já provocaram atrasos e adiamentos de jogos, obrigando clubes e organizadores a reforçar os cuidados com atletas e torcedores.
O técnico Ange Postecoglou decidiu deixar Cristiano Ronaldo, Kingsley Coman e Mohamed Simakan fora da viagem para Tashkent. A justificativa apresentada foi a necessidade de administrar o desgaste dos jogadores diante da sequência de partidas e deslocamentos internacionais. O Al-Nassr não atribuiu oficialmente a ausência do trio a riscos de segurança no Uzbequistão, mas o cenário regional tem influenciado a organização das competições continentais.
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Um dos episódios mais recentes aconteceu em 12 de outubro, quando o Al-Nassr enfrentaria o Neftchi Fargona, do Uzbequistão, pela Liga dos Campeões da Ásia Elite, em Riade.
Pouco antes do início da partida, as autoridades sauditas emitiram um alerta de ameaça aérea após informações sobre a interceptação de um míssil atribuído aos rebeldes houthis, grupo armado do Iêmen.
O aviso provocou o adiamento do início do confronto por aproximadamente uma hora. Os jogadores permaneceram nos vestiários enquanto as autoridades avaliavam as condições de segurança.
Os torcedores que já estavam no estádio receberam orientações para manter a calma e permanecer nas arquibancadas. Alertas também foram enviados aos celulares da população.
Após a avaliação das autoridades, o jogo foi autorizado e terminou com vitória do Al-Nassr por 3 a 1, com um gol de Cristiano Ronaldo.
Al-Wasl deixou de viajar para a Arábia Saudita
A preocupação com a segurança voltou a afetar o calendário continental na semana seguinte.
O Al-Wasl, dos Emirados Árabes Unidos, não viajou para Riade para enfrentar o Al-Nassr em 26 de outubro. A situação levou a Confederação Asiática de Futebol (AFC) a adiar o confronto.
O episódio demonstrou como as dificuldades relacionadas à segurança e aos deslocamentos podem interferir diretamente na realização das partidas.
O Al-Nassr questionou os critérios utilizados pela entidade para determinar o adiamento, enquanto a definição de uma nova data ficou sob responsabilidade da AFC.
Quais medidas estão sendo adotadas para proteger atletas e torcedores?
As principais medidas conhecidas envolvem alertas das autoridades locais, monitoramento das condições de segurança, avaliação dos deslocamentos das delegações e adiamento de partidas quando necessário.
Na Arábia Saudita, a Defesa Civil utiliza sistemas de aviso para informar a população sobre possíveis ameaças. Esses alertas podem atingir diretamente a organização de eventos esportivos, como ocorreu no jogo do Al-Nassr em outubro.
As federações nacionais também passaram a acompanhar com maior atenção os riscos associados às viagens internacionais.
A Associação de Futebol de Singapura informou que monitora a situação regional e considera a segurança de jogadores, integrantes das comissões técnicas e dirigentes uma prioridade.
A federação australiana também destacou que a avaliação de riscos integra o planejamento de suas seleções.
Até o momento, não foi divulgado publicamente um protocolo extraordinário único da AFC que estabeleça, para todas as partidas, medidas específicas como escoltas reforçadas, planos especiais de evacuação ou proteção individual dos atletas.
Copa da Ásia de 2027 pode sofrer alterações
As preocupações ultrapassam as competições entre clubes e chegaram à organização da Copa da Ásia de seleções, prevista para acontecer na Arábia Saudita entre 7 de janeiro e 5 de fevereiro de 2027.
O torneio está programado para receber seleções de diferentes países do continente, além de delegações, profissionais de imprensa e torcedores estrangeiros.
Diante dos ataques registrados na região, dirigentes passaram a discutir a possibilidade de alterações no calendário caso as condições de segurança não sejam consideradas adequadas.
O presidente da Confederação Asiática de Futebol, xeque Salman bin Ibrahim Al Khalifa, admitiu a possibilidade de adiamento da competição para 2028, dependendo da evolução do cenário regional.
A organização saudita, entretanto, informou que continua trabalhando em conjunto com a AFC e que os preparativos seguem o cronograma estabelecido.
Portanto, a realização do torneio permanece prevista para janeiro de 2027. Nenhum adiamento foi oficialmente anunciado.
Por que Cristiano Ronaldo ficou fora do jogo?
Apesar da preocupação com a segurança, a explicação oficial para a ausência de Cristiano Ronaldo contra o Pakhtakor foi o controle do desgaste físico.
O treinador Ange Postecoglou afirmou que a comissão técnica decidiu preservar o português e outros dois jogadores devido à quantidade de partidas e viagens realizadas pelo Al-Nassr.
A equipe saudita ocupa a nona posição da zona oeste da Liga dos Campeões da Ásia Elite e busca melhorar sua campanha para alcançar a faixa de classificação à fase eliminatória.
O português de 41 anos vinha de uma atuação de destaque pelo Campeonato Saudita, com três gols na vitória sobre o Al-Kholood, resultado que elevou sua marca para 985 gols oficiais na carreira.
A decisão de poupá-lo no Uzbequistão não significa que exista uma ameaça específica confirmada contra o jogador.
Próximos passos
A Confederação Asiática de Futebol continuará acompanhando as condições de segurança na região enquanto mantém a programação das competições continentais.
As autoridades esportivas também deverão avaliar os deslocamentos das delegações e eventuais ajustes nos calendários caso novos episódios comprometam a realização das partidas.
No caso da Copa da Ásia, a expectativa é que uma definição sobre possíveis mudanças seja apresentada até o fim de novembro.
Enquanto isso, Cristiano Ronaldo permanece fora do confronto contra o Pakhtakor por decisão técnica, e o Al-Nassr tenta recuperar posições no torneio continental.