Fale com a gente NC News TV Ao Vivo

Candidato a delegado é preso após usar inteligência artificial para responder prova no Maranhão

Fiscal flagrou o uso de celular durante exame realizado em São Luís; suspeito foi levado à delegacia e pode responder por fraude em concurso público.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Um candidato ao cargo de delegado da Polícia Civil do Maranhão foi preso em flagrante após ser flagrado utilizando inteligência artificial para tentar responder questões de uma prova de concurso público. O caso aconteceu no domingo (1º), em uma faculdade particular de São Luís, onde o exame estava sendo aplicado.

A tentativa de fraude foi descoberta por um fiscal, que percebeu o uso irregular de um telefone celular durante a avaliação. Policiais que estavam de prontidão no local foram acionados e realizaram a abordagem. O homem, que não teve a identidade divulgada, foi conduzido ao Plantão Central das Cajazeiras, na capital maranhense.

LEIA MAIS:

PF investiga suspeita de fraude em concurso da UFRJ e cumpre 13 mandados no Rio

Como o candidato tentou usar inteligência artificial na prova?

Segundo a Polícia Civil do Maranhão, o candidato utilizava um celular e uma ferramenta de inteligência artificial para tentar encontrar respostas às questões do concurso.

A irregularidade foi percebida durante a aplicação do exame, quando um fiscal identificou o manuseio do aparelho e comunicou o ocorrido à equipe policial responsável pela segurança do local.

Os agentes realizaram a abordagem ainda nas dependências da faculdade e encaminharam o suspeito à delegacia para os procedimentos legais.

A polícia não informou qual ferramenta de inteligência artificial foi utilizada, quantas questões teriam sido consultadas ou se o candidato conseguiu obter alguma resposta antes de ser descoberto.

Suspeito foi autuado por fraude em concurso público

Após ser levado ao Plantão Central das Cajazeiras, o homem foi autuado com base no artigo 311-A do Código Penal, que trata de fraudes em certames de interesse público.

A legislação prevê pena de um a quatro anos de reclusão, além de multa, para quem utiliza ou divulga indevidamente conteúdo sigiloso de concursos públicos com a finalidade de beneficiar alguém ou comprometer a credibilidade da seleção.

O enquadramento informado pela polícia ainda poderá ser analisado pelo Ministério Público e pela Justiça, considerando as circunstâncias específicas do caso.

Depois dos procedimentos na delegacia, o candidato permaneceu à disposição do Poder Judiciário.

Candidato já tinha registro por violência doméstica

Durante a verificação dos antecedentes, os policiais identificaram que o homem possuía um registro criminal anterior relacionado à violência doméstica.

A Polícia Civil não divulgou detalhes sobre esse registro, nem informou se houve condenação definitiva no caso anterior.

Também não foram apresentados dados sobre a idade, a profissão ou a cidade de origem do candidato.

Uso de IA em concursos levanta desafios para fiscalização

O episódio mostra como ferramentas de inteligência artificial podem ser utilizadas de maneira irregular em processos seletivos quando associadas ao acesso não autorizado a aparelhos eletrônicos.

Embora a tecnologia seja utilizada legalmente para estudos, pesquisas e preparação de candidatos, seu emprego durante provas depende das regras estabelecidas no edital.

Nos concursos presenciais, o uso de celulares e outros dispositivos de comunicação geralmente é proibido durante a realização dos exames, justamente para preservar a igualdade de condições entre os participantes.

O uso não autorizado desses aparelhos pode levar à eliminação do candidato e, dependendo das circunstâncias, à investigação criminal.

A prisão no Maranhão também ocorre em um contexto de outras investigações sobre irregularidades em concursos públicos. Em outubro, a Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar suspeitas de fraude em uma seleção da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), após a identificação de padrões semelhantes de respostas entre candidatos.

Os casos são distintos, e não há informação de ligação entre as investigações.

Próximos passos

O suspeito permanece à disposição da Justiça, que deverá analisar as medidas cabíveis após a prisão em flagrante.

A investigação poderá esclarecer de que maneira o aparelho e a ferramenta de inteligência artificial foram utilizados, além de verificar se houve outras irregularidades durante a aplicação do exame.

Até a divulgação das informações, não havia confirmação sobre o envolvimento de outros candidatos ou sobre eventual prejuízo à realização do concurso.

A Polícia Civil também não informou se a ocorrência provocará mudanças no cronograma da seleção ou medidas administrativas adicionais por parte da organização.

Carregar Comentários