A ex-deputada federal Carla Zambelli foi libertada na Itália na noite da última sexta-feira (22), após a Corte de Cassação negar o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro. A ex-deputada federal estava presa em Roma desde julho de 2025 e agora poderá aguardar em liberdade o desfecho do processo diplomático.
Fora da prisão, Zambelli utilizou as redes sociais de sua equipe jurídica para divulgar um vídeo comemorando a decisão judicial. “Agora, a gente está livre para continuar uma vida de missão. Vocês não sabem ainda qual é, mas logo vão saber pelos meus canais”, declarou.
Argumentos da Defesa e Próximos Passos
O advogado Fabio Pagnozzi, que integra a defesa de Zambelli na Itália, afirmou que a Corte reconheceu falhas processuais. Segundo ele, as penas impostas no Brasil foram consideradas “desproporcionais” e “lastreadas em provas muito fracas”, criando um precedente jurídico internacional.
O veredito do tribunal será agora enviado ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio. Ele terá um prazo de 45 dias para emitir um parecer oficial, mas a ex-deputada já garantiu o direito de aguardar o desfecho do trâmite diplomático em liberdade.
Entenda as Condenações no Brasil
Com dupla cidadania, Zambelli deixou o Brasil sob alegação de buscar asilo político, mas passou a ser considerada foragida e foi incluída na lista vermelha da Interpol. A fuga ocorreu após condenações no Supremo Tribunal Federal (STF). Os principais casos envolvem:
Invasão ao CNJ: A ex-deputada foi sentenciada a 10 anos de prisão, apontada como autora intelectual do ataque hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça em 2023.
Mandado Falso: Segundo a denúncia, o ataque executado por Walter Delgatti teve o objetivo de forjar um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes e incluir falsos alvarás de soltura.
Arma em SP: Zambelli possui outra condenação, de 5 anos e 3 meses, por perseguir um homem armada nas ruas de São Paulo nas vésperas da eleição de 2022. Há um segundo pedido de extradição pendente sobre este episódio.
Zambelli, que renunciou ao mandato parlamentar em dezembro após o avanço de um processo de cassação na Câmara, nega todos os crimes. Ela alega ser vítima de perseguição política e afirma que a condenação pelo ataque ao CNJ se baseia apenas nos depoimentos de Delgatti, a quem a defesa classifica como “mentiroso patológico”.