A fumaça provocada pelas queimadas no Amazonas levou à suspensão de aulas em municípios do estado e mantém autoridades em alerta para os riscos à saúde da população. Em Parintins, no interior amazonense, mais de 23 mil estudantes foram afetados pela interrupção das atividades presenciais na rede estadual. Nesta terça-feira (3), a preocupação continua após sensores registrarem níveis de poluição classificados como muito ruins ou péssimos em nove municípios.
A situação mais grave foi identificada em Parintins, onde a concentração de partículas finas chegou a 243,2 microgramas por metro cúbico (µg/m³) na Vila Amazônia, durante o monitoramento realizado na segunda-feira (2). Na área central do município, o índice atingiu 193,9 µg/m³. Os dados são do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
A suspensão das aulas é uma medida preventiva para reduzir a exposição de crianças, adolescentes e profissionais da educação à fumaça. Em Parintins, a rede estadual teve as atividades interrompidas em 29 de outubro, com previsão inicial de retorno nesta terça-feira (3). A manutenção ou adoção de novas suspensões depende das avaliações das autoridades educacionais e ambientais, já que os índices de poluição podem mudar ao longo do dia.
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Parintins está entre os municípios mais atingidos pela fumaça que se espalha pelo interior do Amazonas.
Na quinta-feira (29), a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc-AM) determinou a suspensão das aulas presenciais da rede estadual em todos os turnos, após a piora dos indicadores ambientais.
A medida afetou mais de 23 mil estudantes. Alunos que já estavam nas unidades escolares foram orientados a retornar para casa.
A decisão considerou os riscos associados à inalação de partículas poluentes e seguiu as diretrizes estabelecidas pelos órgãos de saúde do estado.
Na sexta-feira (30), as escolas já não teriam atividades devido ao ponto facultativo referente ao Dia do Servidor Público. A segunda-feira (2) também foi feriado nacional de Finados.
Por isso, o calendário divulgado pela secretaria previa a retomada das aulas nesta terça-feira (3), condicionada ao acompanhamento das condições ambientais.
Outras instituições de ensino também adotaram medidas preventivas. O Instituto Federal do Amazonas (Ifam) suspendeu atividades em Parintins até 6 de novembro, conforme decisão de seu comitê de crise.
As unidades da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) no município também registraram interrupções de atividades presenciais durante o período de maior poluição.
Quais municípios estão com a qualidade do ar comprometida?
O monitoramento realizado pelo Selva na segunda-feira (2) identificou nove municípios do interior amazonense com concentrações de partículas classificadas entre muito ruins e péssimas.
Além de Parintins, os registros preocupantes ocorreram em Barreirinha, Silves, Itapiranga, Itacoatiara, Maués, Boa Vista do Ramos, Urucurituba e São Sebastião do Uatumã.
Entre as medições divulgadas estão:
– Parintins, Vila Amazônia: 243,2 µg/m³;
– Parintins, área central: 193,9 µg/m³;
– Itapiranga: 137,8 µg/m³;
– Silves: 135,2 µg/m³;
– Barreirinha: 128,5 µg/m³;
– Itacoatiara: 122,5 µg/m³;
– Maués: 107 µg/m³;
– Boa Vista do Ramos: 101,9 µg/m³;
– Urucurituba: 78,7 µg/m³;
– São Sebastião do Uatumã: 76,2 µg/m³.
Os números representam a concentração de material particulado fino no ar nos horários de medição.
As partículas, conhecidas como PM2,5, possuem diâmetro inferior a 2,5 micrômetros e podem penetrar profundamente no sistema respiratório.
A classificação da qualidade do ar depende da concentração desses poluentes e dos critérios utilizados no monitoramento.
Manaus também precisou suspender atividades escolares
A capital amazonense enfrentou uma sequência de dias com qualidade do ar considerada péssima durante outubro.
Em 9 de outubro, a Prefeitura de Manaus suspendeu as aulas presenciais da rede municipal após a concentração de partículas finas atingir 196,4 µg/m³.
A interrupção também alcançou centros de atendimento especializados e outros espaços educacionais mantidos pelo município.
Nos dias seguintes, novas avaliações indicaram a necessidade de prolongar as suspensões.
Em 19 de outubro, a rede municipal continuava sem aulas presenciais. Na mesma data, a rede estadual também interrompeu atividades em Manaus, Autazes e Nova Olinda do Norte.
A Universidade Federal do Amazonas e a Universidade do Estado do Amazonas também adotaram medidas para reduzir a exposição de estudantes e servidores à fumaça.
Após aproximadamente duas semanas de interrupções, a Secretaria de Educação anunciou a retomada das atividades presenciais da rede estadual para 26 de outubro, mantendo o monitoramento ambiental.
Na manhã de segunda-feira (2), os indicadores de Manaus apresentavam condições menos graves do que as registradas em Parintins e em outros municípios do interior.
A maior parte dos sensores da capital apontava qualidade do ar moderada, com um registro considerado ruim no Distrito Industrial I.
Por que a fumaça das queimadas é perigosa para a saúde?
A fumaça liberada pelos incêndios florestais contém gases e partículas que podem afetar o funcionamento do sistema respiratório e cardiovascular.
Entre os principais componentes estão as partículas finas PM2,5, capazes de alcançar regiões profundas dos pulmões.
A exposição a concentrações elevadas desses poluentes pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse, falta de ar e agravamento de doenças preexistentes.
Segundo orientações da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP), os grupos mais vulneráveis incluem crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas.
Para crianças e adolescentes, o problema exige atenção especial porque o organismo ainda está em desenvolvimento e parte da rotina escolar envolve deslocamentos e atividades físicas.
A exposição prolongada também pode agravar quadros de asma e outras doenças respiratórias.
A gravidade dos efeitos depende de fatores como intensidade da poluição, tempo de exposição e condições individuais de saúde.
Quais sintomas exigem atenção durante períodos de fumaça?
As autoridades de saúde orientam a população a observar sinais de desconforto respiratório, principalmente nos períodos em que o ar apresenta níveis elevados de poluentes.
Entre os sintomas que podem estar associados à exposição à fumaça estão:
– Tosse seca ou persistente;
– Irritação nos olhos e na garganta;
– Dificuldade para respirar;
– Sensação de aperto no peito;
– Dor de cabeça;
– Cansaço e mal-estar;
– Agravamento de crises de asma e outras doenças respiratórias.
Pessoas que apresentarem falta de ar intensa, dor no peito, confusão mental ou outros sinais de gravidade devem procurar atendimento médico imediatamente.
A exposição à fumaça não deve ser considerada a causa automática desses sintomas, já que diferentes condições de saúde podem apresentar manifestações semelhantes.
Como se proteger da fumaça das queimadas?
A Defesa Civil e os órgãos estaduais de saúde recomendam reduzir o tempo de exposição ao ar livre enquanto persistirem condições desfavoráveis.
Entre os cuidados indicados estão manter uma hidratação adequada, evitar atividades físicas externas e permanecer, sempre que possível, em ambientes com menor entrada de fumaça.
Quando for necessário sair de casa, máscaras do tipo PFF2 ou N95, utilizadas corretamente, podem ajudar a reduzir a inalação de partículas finas.
Também é recomendado acompanhar os boletins oficiais de qualidade do ar antes de realizar exercícios, eventos ou atividades prolongadas em espaços abertos.
Nas escolas, as administrações podem adotar medidas como suspensão de aulas presenciais, reorganização de atividades pedagógicas e restrição de práticas esportivas externas.
A decisão depende da avaliação dos riscos e das orientações das autoridades responsáveis.
Em caso de emergência médica, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo telefone 192.
Ocorrências envolvendo incêndios podem ser comunicadas ao Corpo de Bombeiros, pelo número 193, ou à Defesa Civil, pelo 199.
Queimadas e estiagem agravam situação ambiental no Amazonas
A piora da qualidade do ar ocorre em meio ao período de estiagem e à ocorrência de incêndios florestais em diferentes regiões da Amazônia.
A fumaça pode percorrer grandes distâncias, impulsionada pela direção e pela intensidade dos ventos.
Por isso, municípios sem incêndios próximos também podem registrar concentrações elevadas de poluentes.
Em outubro, o Amazonas já havia enfrentado episódios críticos de fumaça, principalmente na capital e na região metropolitana.
A situação também preocupa municípios do interior, onde a combinação de queimadas, estiagem e dificuldades logísticas pode comprometer o atendimento à população.
O governo estadual mantém ações de monitoramento e combate aos incêndios, enquanto as secretarias de Saúde e Educação acompanham os impactos da poluição sobre a comunidade escolar.
Próximos passos
A retomada e a manutenção das aulas presenciais dependem das condições de qualidade do ar registradas em cada município.
Em Parintins, a previsão inicial era de retorno da rede estadual nesta terça-feira (3), enquanto o Instituto Federal do Amazonas havia estabelecido suspensão de atividades até 6 de novembro.
As autoridades educacionais devem continuar acompanhando os dados do Selva e os boletins dos órgãos de saúde para definir eventuais mudanças no funcionamento das unidades.
A população deve verificar os comunicados das escolas e das secretarias de Educação antes dos deslocamentos, principalmente nas cidades onde os índices de poluição permanecem elevados.
O acompanhamento é necessário porque a concentração de fumaça pode variar rapidamente, alterando as condições de segurança para estudantes, professores e demais profissionais.