A possível saída de Michelle Bolsonaro do PL e sua transferência para o Republicanos movimentam os bastidores da direita brasileira. A articulação, que teria a participação da senadora Damares Alves, ocorre em meio ao desgaste da ex-primeira-dama com integrantes da família Bolsonaro e à discussão sobre quem deve conduzir o grupo político nos próximos anos.
A movimentação também abre espaço para uma reorganização das forças políticas ligadas ao bolsonarismo. A ideia de construir um movimento próprio em torno de Michelle, chamado de “Michellismo”, aparece nas articulações como uma tentativa de ampliar sua influência e estabelecer uma liderança para além do núcleo familiar dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo informações de interlocutores, Damares Alves atua diretamente nas conversas para aproximar Michelle do Republicanos e apontam insatisfação da ex-primeira-dama com os filhos de Jair Bolsonaro e com a condução do PL por Valdemar Costa Neto.

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Disputa pelo comando do bolsonarismo
O possível movimento acontece depois de uma sequência de atritos entre Michelle e seus enteados, especialmente o senador Flávio Bolsonaro. As divergências ganharam dimensão pública em meio à definição dos rumos eleitorais do grupo e à escolha de Flávio como principal aposta presidencial da família.
Michelle também já havia manifestado insatisfação com ataques direcionados a aliados políticos e com a maneira como integrantes do entorno de Jair Bolsonaro conduziam as disputas internas. Em diferentes momentos, a ex-primeira-dama adotou posições que a colocaram em rota de colisão com os filhos do ex-presidente.
Nos últimos dias, ela voltou a se manifestar publicamente em defesa de nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a senadora Damares Alves, o deputado Nikolas Ferreira e o pastor Silas Malafaia.
Em publicação nas redes sociais, Michelle afirmou que havia conversado com Jair Bolsonaro e defendeu a necessidade de união entre os aliados. A manifestação foi interpretada como um recado aos integrantes do grupo que vinham responsabilizando essas lideranças pelos resultados políticos recentes.
Republicanos pode abrir espaço para novo grupo político
Uma eventual filiação ao Republicanos aproximaria Michelle de uma legenda que reúne lideranças importantes da direita, entre elas Tarcísio de Freitas. O governador paulista tem mantido interlocução com diferentes setores políticos e empresariais, além de ocupar posição relevante nas articulações nacionais do partido.
A aproximação também poderia fortalecer a construção de uma frente política com espaço para Michelle, Damares e outras lideranças conservadoras. Nesse cenário, o chamado “Michellismo” seria uma tentativa de organizar uma identidade política própria, mantendo a ligação com o eleitorado bolsonarista, mas com maior autonomia em relação aos filhos de Jair Bolsonaro.
O Republicanos, porém, já declarou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro no segundo turno de 2026. A decisão teve participação de Tarcísio de Freitas, que articulou a aproximação entre o partido e o senador.
Michelle busca espaço em meio às divisões da família
Ao destacar conversas diretas com o marido, Michelle também reforça publicamente sua proximidade com o ex-presidente e procura demonstrar que participa das decisões sobre o futuro do movimento.
Até o momento, entretanto, não há confirmação oficial de que ela tenha decidido deixar o PL ou formalizado sua entrada no Republicanos. A possível mudança permanece no campo das articulações de bastidores.