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Prefeito de Jaú desliga telefone ao ser questionado sobre suspeita de pagamentos à imprensa

Ivan Cassaro foi questionado pelo NC News sobre investigação da Polícia Federal que apura um possível esquema de financiamento clandestino de reportagens favoráveis à administração e conteúdos contra adversários políticos.
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O prefeito de Jaú, Ivan Cassaro, desligou o telefone durante uma entrevista ao NC News nesta terça-feira (3), depois de ser questionado se teria realizado pagamentos a jornais e blogs do município para a produção de reportagens favoráveis à administração e conteúdos negativos contra adversários políticos.

O contato foi feito pela repórter Rebeca Motta, que procurou o prefeito para saber se havia novidades sobre a Operação Mídia Cativa, investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de financiamento clandestino de conteúdos jornalísticos em Jaú, no interior de São Paulo.

No início da conversa, Cassaro afirmou que foi orientado pelo advogado a permanecer em silêncio.

“Vamos esperar mais um pouco, porque o advogado mandou ficar em silêncio. Logo vocês vão saber tudo, a verdade da armação contra a minha pessoa”, declarou.

O prefeito voltou a atribuir a investigação a uma suposta perseguição política e disse que, desde que assumiu a Prefeitura, tentam retirá-lo do cargo.

“É uma política que vem perseguindo eu, né? Desde quando eu entrei na prefeitura, tentam tirar eu da cadeira”, afirmou. Em outro momento, completou: “Eles não vão ganhar de mim nunca, não”.

Relembre o caso:

Prefeito afastado de Jaú alega perseguição política, mas não esclarece suspeitas investigadas pela PF

Prefeito não respondeu sobre possíveis pagamentos

Na sequência, a reportagem perguntou se Cassaro havia realizado pagamentos a veículos de comunicação e blogs de Jaú para publicar conteúdos favoráveis à Prefeitura e negativos em relação aos opositores políticos.

Após a pergunta, o prefeito encerrou a ligação. Ele não respondeu ao questionamento sobre os possíveis pagamentos nem apresentou esclarecimentos sobre esse ponto da investigação.

NC News procurou a Polícia Federal

Depois da conversa com o prefeito, o NC News também entrou em contato com a unidade da Polícia Federal em Bauru para solicitar informações sobre o andamento do caso e conversar com o delegado responsável pela investigação, Evany Alves de Moraes.

PF  apura compra de apoio político e reportagens em Jaú

Um funcionário informou que o delegado não estava na unidade e que retornaria apenas na sexta-feira (6). Também explicou que não poderia fornecer informações sobre a investigação sem autorização do responsável.

A reportagem informou que fará novo contato na sexta-feira para buscar esclarecimentos e eventuais atualizações sobre o caso.

O que é investigado na Operação Mídia Cativa?

A Polícia Federal investiga suspeitas de que uma estrutura de comunicação política teria sido financiada para divulgar conteúdos favoráveis à gestão de Ivan Cassaro e publicações negativas contra adversários políticos.

Em maio de 2026, a operação cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em Jaú, Dois Córregos e Nhandeara. Foram recolhidos documentos e equipamentos eletrônicos para análise.

Da esquerda para a direita: Roberson Donizete Bombonato, ex-candidato a vereador (PL); Norberto Leonelli Neto, secretário de Habitação e Planejamento Urbanístico; Marco Lucio Cipola, ex-secretário de Assistência Social de Jaú e o   própio prefeito, Ivan Cassaro .  As imagens de outros dois indiciados não foram encontradas.

Em outubro, a PF concluiu o inquérito e indiciou Cassaro e outras 12 pessoas. O relatório apontou suspeitas de corrupção eleitoral e organização criminosa. O prefeito e outros dois investigados também foram indiciados por corrupção passiva, segundo as informações divulgadas sobre a conclusão da investigação.

O caso segue sujeito à análise das autoridades competentes, com direito à defesa dos investigados.

O NC News mantém o espaço aberto para que Ivan Cassaro e sua defesa apresentem esclarecimentos sobre os questionamentos feitos pela reportagem.

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