A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra divulgou nesta terça-feira (26) uma carta escrita de dentro da prisão na qual afirma ser vítima de perseguição e nega qualquer envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Presa desde a última quinta-feira (21), ela é investigada por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa.
No texto, Deolane afirma que está sendo alvo de ataques há anos por conta da exposição pública e da influência que possui nas redes sociais. A influenciadora declarou que nunca integrou organização criminosa e reforçou que considera sua prisão injusta.
“Mais uma vez a mãe está enjaulada por pura perseguição e por ser formadora de opinião”, escreveu. Segundo ela, o valor que motivou sua prisão seria referente a honorários advocatícios recebidos legalmente durante sua atuação como advogada.
Deolane também afirmou que jamais foi chamada para prestar esclarecimentos ao longo das investigações, apesar de citar que o caso vem sendo mencionado publicamente desde 2022. Na carta, ela relata que foi surpreendida pela operação policial dentro de casa.
“Nunca fui ouvida em mais de quatro anos, mas fui acordada com um fuzil apontado para o meu rosto”, escreveu a influenciadora.
A investigação que resultou na prisão da influenciadora começou em 2019, após agentes penitenciários encontrarem bilhetes escondidos em uma caixa de esgoto na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. A partir disso, a polícia identificou uma transportadora suspeita de funcionar como empresa de fachada para movimentação financeira da facção criminosa.
Segundo os investigadores, recursos financeiros teriam sido distribuídos para diversas contas bancárias com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro. De acordo com a apuração, duas dessas contas estariam ligadas a Deolane Bezerra.
As investigações apontam ainda que, entre 2018 e 2021, a influenciadora recebeu mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil. Os comprovantes teriam sido encontrados no celular de Ciro Cesar Lemos, apontado pela polícia como operador financeiro do esquema e homem de confiança de Marcos Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC, além de Alejandro Camacho.
Na carta, Deolane também rebateu informações divulgadas sobre seu patrimônio empresarial. Ela negou possuir 37 empresas em seu nome e afirmou que a informação “virou verdade de tanto ser repetida”.
A influenciadora ainda destacou sua trajetória pessoal e profissional, afirmando que construiu sua carreira de forma legítima. “Não sou e nunca fui bandida. Sou mãe, empresária e advogada”, escreveu.
No último domingo (24), o Tribunal de Justiça de São Paulo negou um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa da influenciadora, mantendo sua prisão preventiva.