O Itaú Unibanco registrou lucro líquido recorrente de R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 6,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi divulgado nesta terça-feira (3) e ficou próximo das expectativas do mercado financeiro.
Entre julho e setembro, o banco também ampliou sua carteira de crédito, que alcançou R$ 1,544 trilhão. O volume de empréstimos e financiamentos cresceu 10,2% em 12 meses, impulsionado pelas operações com pessoas físicas e empresas.
O crescimento do crédito contribuiu para o desempenho financeiro da instituição, mas veio acompanhado de uma pequena elevação da inadimplência. A parcela de empréstimos com pagamentos atrasados há mais de 90 dias passou de 1,9% para 2%.
Para os clientes, o resultado mostra a expansão das operações de financiamento do banco, embora o aumento da carteira não signifique necessariamente juros menores ou maior facilidade para conseguir empréstimos.
Lucro do Itaú chega a R$ 36,5 bilhões em nove meses
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, o lucro recorrente do Itaú somou R$ 36,5 bilhões, crescimento de 10,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Na comparação com o segundo trimestre deste ano, o avanço do lucro recorrente foi de 1,7%.
Outro indicador acompanhado pelos investidores é o retorno sobre o patrimônio líquido, conhecido pela sigla ROE. A taxa ficou em 23,6% no terceiro trimestre, contra 24,3% nos três meses anteriores.
O indicador mede quanto o banco consegue gerar de lucro em relação ao capital dos acionistas. Apesar da redução trimestral, a rentabilidade permaneceu acima dos 23,3% registrados no mesmo período do ano passado.
A margem financeira gerencial, que considera os resultados das operações de crédito e de mercado, chegou a R$ 34,6 bilhões, crescimento de 7,8% na comparação anual.
O desempenho reflete o avanço das receitas financeiras do banco, mesmo diante dos custos relacionados ao risco de inadimplência.
Empréstimos crescem, mas inadimplência também avança
A carteira de crédito do Itaú terminou setembro em R$ 1,544 trilhão, com expansão tanto nos financiamentos destinados às famílias quanto nas operações com empresas.
Na comparação anual, o crédito para pessoas físicas cresceu 9,6%. Entre micro, pequenas e médias empresas, o avanço foi de 15,1%, enquanto os empréstimos para grandes companhias aumentaram 9,5%.
O resultado indica que o banco continuou ampliando sua atuação no mercado de crédito durante o trimestre. Entretanto, o crescimento das operações também exige atenção aos riscos de atraso nos pagamentos.
O índice de inadimplência superior a 90 dias ficou em 2%, acima dos 1,9% registrados em junho e setembro do ano passado.
O custo do crédito, indicador que considera principalmente as perdas esperadas com empréstimos e financiamentos, chegou a R$ 10,4 bilhões no trimestre. O valor representa alta de 10,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Apesar do aumento, o banco manteve sua projeção de custo de crédito para 2026 entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões.
O que o resultado significa para quem tem conta no Itaú?
O crescimento dos empréstimos mostra que o Itaú continua expandindo sua oferta de crédito para famílias e empresas, mesmo com a necessidade de controlar os riscos de inadimplência.
Entre as modalidades que apresentaram expansão estão os financiamentos imobiliários e o crédito consignado, que contam com garantias ou mecanismos de desconto que podem reduzir o risco para a instituição financeira.
Segundo os dados divulgados, o crédito imobiliário cresceu 15,8% em 12 meses, enquanto o consignado avançou 16,3%. O aumento dessas operações, porém, não representa uma redução automática dos juros cobrados dos consumidores.
As condições de contratação continuam dependendo de fatores como renda, histórico de pagamento, garantias oferecidas e avaliação de risco. Para quem pretende contratar crédito, a orientação é comparar o Custo Efetivo Total (CET), que reúne juros, tarifas e outros encargos da operação, antes de assumir uma dívida.
Banco mantém projeções para 2026
Após a divulgação do balanço, o Itaú manteve praticamente todas as suas projeções financeiras para o ano. A instituição continua prevendo crescimento de 5,5% a 9,5% na carteira total de crédito, além de custo de crédito entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões.
A principal mudança ocorreu na estimativa de tributação efetiva sobre o lucro. A faixa projetada para o Imposto de Renda e a Contribuição Social passou de 29,5% a 32,5% para 28% a 29%.
O banco também segue investindo em tecnologia e inteligência artificial para ampliar a oferta de serviços e melhorar os processos internos.
Os próximos balanços deverão mostrar se a instituição conseguirá manter o crescimento dos empréstimos sem uma elevação mais acentuada da inadimplência.