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Seca e fumaça agravam crise no Amazonas e deixam alunos sem aulas em Parintins

Estado mantém 47 municípios em emergência e 15 em alerta; novo boletim aponta 129,7 mil famílias afetadas, enquanto queimadas prejudicam a navegação, o abastecimento e a qualidade do ar.
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A estiagem no Amazonas continua afetando milhares de famílias e provocando problemas no transporte, no abastecimento e na educação. Segundo boletim da Defesa Civil estadual, atualizado na terça-feira (3), 129.786 famílias foram atingidas pela seca, enquanto 47 municípios permanecem em situação de emergência e outros 15 estão em alerta. Em Parintins, a fumaça das queimadas agravou a crise e levou à suspensão das aulas presenciais na rede pública.

O estado já havia registrado 146.425 famílias afetadas no levantamento de 31 de outubro. A atualização mais recente apresenta um número menor, mas não esclarece a diferença entre as contagens. Apesar da mudança, todos os 62 municípios amazonenses continuam classificados em situação de emergência ou alerta, incluindo Manaus, que permanece sob monitoramento.

Nas comunidades ribeirinhas, a redução do nível dos rios dificulta o deslocamento de moradores, o transporte de mercadorias e o acesso a serviços essenciais. Em várias localidades, as embarcações representam o principal meio de ligação com os centros urbanos, tornando a estiagem um problema que vai além da falta de chuva.

Seca atinge mais de 146 mil famílias e deixa 47 cidades em emergência no Amazonas

Estiagem deixa 47 municípios em emergência no Amazonas

Entre os municípios classificados em situação de emergência estão Parintins, Manacapuru, Tefé, Coari, Humaitá, Maués, Autazes, Lábrea e Presidente Figueiredo.

Outras 15 cidades permanecem em alerta, incluindo Manaus, Itacoatiara, Iranduba, Tabatinga e São Gabriel da Cachoeira.

A principal preocupação está na redução da navegabilidade dos rios, que funcionam como importantes vias de transporte na região amazônica.

Com a vazante, embarcações enfrentam dificuldades para alcançar comunidades isoladas. O problema afeta o abastecimento de alimentos, o deslocamento de trabalhadores e o acesso da população a serviços de saúde e educação.

O monitoramento hidrológico também mostra a dimensão da seca. Na terça-feira (3), o rio Negro registrou 16,44 metros em Manaus, enquanto o nível do rio em Parintins chegou a -0,31 metro na escala local de medição.

A Defesa Civil acompanha diariamente os indicadores para identificar as localidades que precisam de assistência prioritária.

Fumaça das queimadas provoca suspensão de aulas em Parintins

Além dos impactos da estiagem, moradores do Amazonas enfrentam uma piora na qualidade do ar provocada pela fumaça dos incêndios florestais.

Em Parintins, a situação levou à suspensão das atividades escolares presenciais nas redes municipal e estadual na terça-feira (3).

A Secretaria Municipal de Educação anunciou a interrupção das aulas em todas as escolas municipais, incluindo unidades da zona urbana, rural, comunidades de terra firme e áreas de várzea.

A suspensão na rede municipal foi estendida até sexta-feira (6), com previsão de reavaliação conforme as condições ambientais.

Na rede estadual, a interrupção inicialmente atingiu o turno da manhã de terça-feira, enquanto a continuidade das atividades ficou condicionada ao monitoramento da qualidade do ar.

A medida busca preservar a saúde de estudantes, professores e demais profissionais da educação.

O município também precisou alterar atividades esportivas. Os Jogos Escolares de Parintins, inicialmente previstos para os dias 5 a 10 de novembro, foram transferidos para o período de 28 de novembro a 7 de dezembro.

Poluição do ar preocupa autoridades de saúde

Os níveis de poluição registrados em Parintins estão entre os mais preocupantes do estado.

Na terça-feira (3), medições do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas, identificaram concentrações elevadas de partículas finas conhecidas como PM2,5.

Essas partículas, presentes na fumaça das queimadas, são pequenas o suficiente para penetrar profundamente no sistema respiratório.

A exposição pode provocar irritação nos olhos, tosse, dificuldade para respirar e agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com problemas de saúde preexistentes estão entre os grupos mais vulneráveis.

A orientação das autoridades é reduzir atividades ao ar livre durante os períodos de maior concentração de fumaça, manter a hidratação e procurar atendimento médico em caso de sintomas respiratórios importantes.

O comprometimento da qualidade do ar também foi identificado em Barreirinha, Itacoatiara, Maués, Iranduba e outros municípios amazonenses.

Governo envia alimentos e equipamentos para comunidades afetadas

Para atender as famílias atingidas, o Governo do Amazonas mantém a Operação Estiagem 2026, responsável pela distribuição de alimentos, materiais de limpeza e equipamentos de armazenamento e tratamento de água.

Segundo o balanço estadual, a primeira etapa da operação alcançou 15 municípios.

Até o levantamento mais recente, foram enviados aproximadamente 96 toneladas de alimentos, equivalentes a 4.800 cestas básicas.

A assistência humanitária também inclui 3.400 kits de limpeza, 3.060 caixas-d’água com capacidade para 500 litros, três reservatórios de 5 mil litros e 18 kits purificadores de água.

Os materiais são destinados principalmente a comunidades que enfrentam dificuldades de abastecimento em razão da redução dos níveis dos rios.

A Defesa Civil informou que novas entregas dependerão do monitoramento das condições hidrológicas e das necessidades apresentadas pelos municípios.

Combate às queimadas mobiliza 1,5 mil profissionais e 18 aeronaves

Paralelamente ao atendimento das famílias, o Governo do Amazonas mantém uma operação de enfrentamento aos incêndios florestais em parceria com órgãos federais.

Cerca de 1.500 profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas, participam das ações de prevenção, monitoramento e combate ao fogo.

A estrutura conta com 18 aeronaves, sendo 16 disponibilizadas pelo Governo Federal e duas pelo governo estadual.

Entre os equipamentos estão oito aviões Air Tractor, dois cargueiros KC-390 e oito helicópteros utilizados em missões de apoio logístico, transporte e combate aos incêndios.

O governo também anunciou a seleção de mais 153 brigadistas florestais para reforçar as equipes.

Segundo o balanço atualizado até 2 de novembro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas contabilizou 24.514 focos de incêndio combatidos desde junho, considerando ocorrências na capital e no interior.

Já os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram 8.442 focos de calor no estado entre 1º de julho e 3 de novembro.

Os dois indicadores utilizam metodologias diferentes e não devem ser interpretados como números equivalentes.

Próximos passos

A Defesa Civil continuará monitorando os níveis dos rios, a qualidade do ar e a situação das comunidades atingidas pela estiagem.

A previsão meteorológica incluída no boletim estadual indica possibilidade de chuvas mais significativas nas regiões Central, Oeste e Sul do Amazonas, enquanto o Leste ainda pode apresentar condições predominantemente secas.

Em Parintins, a retomada das aulas presenciais dependerá de novas avaliações das autoridades educacionais e ambientais.

O governo estadual também deverá manter a distribuição de ajuda humanitária e as operações de combate aos incêndios florestais.

Para as comunidades ribeirinhas, a recuperação dos níveis dos rios será fundamental para normalizar o transporte, facilitar a chegada de alimentos e permitir o acesso regular aos serviços essenciais.

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