A seca dos rios no Amazonas já afeta 146.425 famílias e mantém 47 municípios em situação de emergência. Outros 15 estão em alerta, incluindo Manaus. Os números foram divulgados pelo Governo do Estado neste domingo (1º), em um boletim da Defesa Civil que apresenta os impactos da estiagem e as ações de atendimento à população.
Entre os municípios em emergência estão Manacapuru, Parintins, Maués, Tefé, Lábrea, Boca do Acre e Manaquiri. A redução do nível dos rios preocupa principalmente as comunidades que dependem das embarcações para transporte, abastecimento e acesso a serviços essenciais.
Além das dificuldades provocadas pela vazante, o estado enfrenta problemas relacionados à qualidade do ar. Em Parintins, o monitoramento realizado na manhã de domingo apontou condições consideradas péssimas, enquanto outras 11 cidades registraram índices entre ruins e muito ruins.
Cemaden alerta para avanço da seca sobre a agricultura familiar no Amazonas
Quais cidades estão em emergência e quais estão em alerta?
Segundo a Defesa Civil, os 47 municípios em situação de emergência são: Alvarães, Amaturá, Anamã, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barreirinha, Benjamin Constant, Boca do Acre, Borba, Boa Vista do Ramos, Caapiranga, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Envira, Humaitá, Ipixuna, Itamarati, Japurá, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Manicoré, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucurituba.
Já os 15 municípios em alerta são: Barcelos, Beruri, Canutama, Codajás, Fonte Boa, Guajará, Iranduba, Itacoatiara, Itapiranga, Manaus, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga e Urucará.
A classificação considera o acompanhamento dos efeitos da estiagem nas diferentes regiões. Enquanto as cidades em emergência já estão formalmente enquadradas nessa condição, as localidades em alerta continuam sob monitoramento.
Fumaça compromete qualidade do ar em diferentes municípios
O boletim também revela que a população enfrenta dificuldades relacionadas à poluição atmosférica. Parintins apresentou a pior classificação de qualidade do ar entre as cidades monitoradas na manhã de domingo.
Outros 11 municípios registraram condições entre ruins e muito ruins: Autazes, Barreirinha, Iranduba, Itacoatiara, Itapiranga, Manaus, Maués, Nova Olinda do Norte, São Sebastião do Uatumã, Silves e Urucurituba.
Em outras 25 cidades, a qualidade do ar foi classificada como moderada.
A exposição à fumaça e a outros poluentes representa um risco especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. A situação exige atenção à evolução dos indicadores ambientais, que podem variar ao longo do dia.
Governo distribui alimentos e reservatórios de água
Para reduzir os impactos da estiagem, o Governo do Amazonas mantém a Operação Estiagem 2026, que envolve o envio de alimentos, materiais de limpeza e equipamentos para armazenamento e tratamento de água.
Na última terça-feira (27), mais de 13 toneladas de alimentos foram enviadas para Anamã e Rio Preto da Eva. Os dois municípios devem receber, juntos, 670 cestas básicas, 400 kits de limpeza e 200 caixas-d’água com capacidade para 500 litros.
De acordo com o governo estadual, a primeira fase da operação alcançou 15 municípios e contabilizou a distribuição de 4.800 cestas básicas, equivalentes a aproximadamente 96 toneladas de alimentos.
Também foram destinados 3.400 kits de limpeza, 3.060 caixas-d’água de 500 litros, três reservatórios de 5 mil litros e 18 kits purificadores de água.
Amazonas registra mais de 24 mil focos de incêndio combatidos
O enfrentamento às queimadas também integra as ações emergenciais. Entre 1º de junho e 31 de outubro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas contabilizou 3.942 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais.
Nesse mesmo período, as equipes atuaram no combate a 24.439 focos de incêndio, sendo 4.750 na capital e 19.689 no interior.
A operação reúne aproximadamente 1.500 profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas, com apoio de 18 aeronaves disponibilizadas pelos governos federal e estadual.
O estado também reforçou o trabalho de combate aos incêndios com a contratação de mais 153 brigadistas florestais pelo programa Floresta em Pé.
As medidas incluem fiscalização ambiental, monitoramento por satélite e operações para identificar e combater o uso ilegal do fogo.
Próximos passos
O Governo do Amazonas mantém decretos que estabelecem restrições ao uso do fogo por 120 dias, com as exceções previstas em lei, além de medidas de emergência por 180 dias relacionadas à estiagem e aos incêndios florestais.
A Defesa Civil continuará acompanhando os níveis dos rios, a qualidade do ar e as necessidades dos municípios atingidos. Segundo o governo estadual, novas entregas de ajuda humanitária serão realizadas conforme a evolução das condições hidrológicas e as demandas apresentadas pelas cidades.
A situação exige atenção principalmente nas comunidades do interior, onde a dependência do transporte fluvial torna a redução dos níveis dos rios um obstáculo para a circulação de pessoas e mercadorias.