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Nasdaq despenca até 5% após vitória democrata e temor de freio nos investimentos em IA

Ações de gigantes como Nvidia, AMD e Qualcomm puxam queda em Wall Street; investidores temem novas restrições à construção de data centers após mudança no Congresso dos EUA.
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A Bolsa de tecnologia dos Estados Unidos registrou uma forte queda nesta quinta-feira (5), com o índice Nasdaq Composite chegando a recuar cerca de 5% durante o pregão. A onda de vendas atingiu principalmente empresas de semicondutores e inteligência artificial (IA), como Nvidia, AMD e Qualcomm. O movimento ocorreu em meio às preocupações de investidores com a possibilidade de novas restrições ao setor após a vitória dos democratas nas eleições legislativas americanas.

O resultado eleitoral de terça-feira (3), que garantiu ao Partido Democrata o controle da Câmara dos Representantes e do Senado a partir de janeiro de 2027, trouxe dúvidas sobre o futuro dos investimentos bilionários em data centers, instalações responsáveis pelo processamento de sistemas de inteligência artificial. Parte do mercado teme que a nova composição política aumente a fiscalização ambiental e dificulte a expansão dessas estruturas.

A queda também representa uma mudança brusca de humor em Wall Street. Na quarta-feira (4), os principais índices americanos haviam registrado fortes ganhos após o resultado das eleições. Menos de 24 horas depois, as ações de tecnologia passaram a liderar as perdas, apagando a valorização do pregão anterior. Os investidores também avaliam resultados de empresas, custos de financiamento e dúvidas sobre o retorno dos investimentos em IA.

Bolsa volta a subir após seis quedas e dólar recua com vitória democrata nos EUA

Por que a Nasdaq despencou após a vitória dos democratas?

A principal preocupação dos investidores está relacionada à possibilidade de mudanças nas regras para a construção e operação de centros de processamento de dados nos Estados Unidos.

Essas instalações são fundamentais para o desenvolvimento da inteligência artificial. Empresas como Microsoft, Google, Amazon e Meta investem grandes quantias na expansão de sua capacidade computacional, enquanto fabricantes como Nvidia e AMD fornecem os chips utilizados nesses sistemas.

O crescimento acelerado dos data centers, entretanto, passou a enfrentar resistência em algumas comunidades americanas.

Entre as preocupações estão o elevado consumo de eletricidade, a utilização de água para resfriamento dos equipamentos, os impactos ambientais e os possíveis efeitos sobre as tarifas de energia pagas pela população.

A vitória dos democratas em estados importantes para a expansão dessas estruturas ampliou as dúvidas sobre a continuidade dos projetos.

Investidores avaliam que novas exigências ambientais, fiscalização mais rigorosa e eventuais restrições locais poderão atrasar investimentos previstos para os próximos anos.

Um levantamento citado pela Reuters aponta que analistas do UBS estimam que aproximadamente 30% da expansão da capacidade de data centers prevista para 2028 nos Estados Unidos poderá ficar exposta a riscos de paralisação de obras.

O percentual representa uma estimativa de risco, e não a confirmação de que os projetos serão cancelados.

Nvidia, AMD e Qualcomm estão entre as empresas pressionadas

As fabricantes de semicondutores ficaram entre os principais alvos da onda de vendas.

Durante a manhã desta quinta-feira, o índice de semicondutores da Bolsa da Filadélfia chegou a registrar perdas superiores a 7%. Ao longo das negociações, a queda chegou a se aproximar de 11%, segundo a Reuters.

Entre as empresas afetadas estavam Nvidia, AMD, Micron, Intel, Marvell Technology e Qualcomm.

A Nvidia é uma das companhias mais associadas à expansão da inteligência artificial, já que seus processadores são amplamente utilizados no treinamento e na execução de modelos avançados.

A preocupação do mercado é que possíveis atrasos na construção de data centers reduzam o ritmo esperado de encomendas de chips e equipamentos.

A Qualcomm enfrentou uma pressão adicional após divulgar resultados que decepcionaram investidores em relação às vendas de processadores para smartphones.

As ações da companhia chegaram a apresentar queda próxima de 9% no início do pregão.

Empresas diretamente envolvidas na operação de infraestrutura de inteligência artificial, como CoreWeave, Nebius e Applied Digital, também registraram perdas expressivas.

O movimento demonstra que as preocupações não se limitam às companhias que desenvolvem programas de inteligência artificial, mas alcançam toda a cadeia de equipamentos, energia e infraestrutura necessária para manter esses sistemas funcionando.

O que significa a Nasdaq entrar em território de correção?

Além da queda diária, outro indicador chamou a atenção dos investidores.

O Nasdaq Composite passou a negociar aproximadamente 10% abaixo de seu recorde de fechamento, registrado em 6 de outubro de 2026.

Naquela ocasião, o índice havia alcançado 27.599,89 pontos.

No mercado financeiro, uma queda de pelo menos 10% em relação ao pico recente é normalmente classificada como uma correção.

Isso não significa necessariamente o início de uma crise prolongada, mas indica que os investidores passaram a reavaliar os preços e as expectativas de crescimento das empresas.

A trajetória recente do Nasdaq foi marcada por forte valorização de companhias relacionadas à inteligência artificial, sustentada por projeções de crescimento da demanda por processamento de dados.

Agora, parte do mercado questiona se os investimentos anunciados produzirão resultados suficientes para justificar os valores atribuídos às empresas.

A situação também ocorre em meio a custos elevados de financiamento, o que torna mais difícil a execução de projetos que exigem bilhões de dólares antes de começar a gerar receitas.

Vitória dos democratas muda as expectativas para o setor de tecnologia

A reação de Wall Street ocorre após uma mudança importante no cenário político americano.

Nas eleições de meio de mandato, realizadas em 3 de novembro, o Partido Democrata conquistou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, impondo uma derrota política ao presidente Donald Trump.

O NC News mostrou como a vitória democrata alterou o equilíbrio de poder no Congresso dos Estados Unidos e quais serão as consequências para o governo republicano a partir de janeiro de 2027.

Durante o governo Trump, o desenvolvimento da inteligência artificial e a ampliação da infraestrutura tecnológica receberam apoio político, em meio à disputa dos Estados Unidos pela liderança global no setor.

Com a nova configuração do Congresso, investidores consideram a possibilidade de uma fiscalização mais intensa sobre o funcionamento das grandes empresas de tecnologia.

Entretanto, a vitória dos democratas não significa que novas restrições à inteligência artificial já tenham sido aprovadas.

Qualquer mudança legislativa federal dependerá da apresentação de propostas, de negociações entre os parlamentares e das etapas previstas no processo político americano.

Também existem regras estaduais e municipais que podem afetar a implantação de novos empreendimentos, independentemente das decisões tomadas em Washington.

O mercado de inteligência artificial está vivendo uma bolha?

A forte desvalorização das ações reacendeu o debate sobre o preço das empresas de tecnologia e a possibilidade de uma correção mais ampla no setor.

Nos últimos anos, companhias envolvidas com inteligência artificial atraíram bilhões de dólares de investidores interessados no potencial de transformação da tecnologia.

Parte dessa valorização se baseia na expectativa de que o uso de sistemas avançados continuará crescendo em diferentes setores da economia.

O problema é que o desenvolvimento de modelos de IA exige investimentos elevados em chips, eletricidade, sistemas de resfriamento e estruturas de processamento.

Esses custos precisam ser compensados por receitas futuras, que ainda dependem da expansão comercial dos serviços.

Quando surgem dúvidas sobre o ritmo desse crescimento, os investidores podem reduzir sua exposição às empresas mais valorizadas.

Em outubro, o NC News mostrou que uma forte correção nas ações de inteligência artificial na China eliminou cerca de US$ 480 bilhões em valor de mercado.

Naquele caso, empresas de tecnologia e semicondutores também enfrentaram pressão após um longo período de valorização.

Embora os mercados americano e chinês tenham características diferentes, os episódios demonstram a sensibilidade das ações de tecnologia às expectativas de crescimento.

Isso não significa que toda a indústria de inteligência artificial esteja em uma bolha ou que seus investimentos deixarão de produzir resultados.

A questão é quanto crescimento já está incorporado ao preço das ações e se as empresas conseguirão entregar os resultados esperados.

Como a queda de Wall Street pode afetar o Brasil?

A turbulência nos Estados Unidos também é acompanhada por investidores brasileiros, especialmente porque mudanças no apetite global por risco podem afetar bolsas, câmbio e fluxos de capital.

Quando o mercado americano registra quedas expressivas, investidores internacionais podem reduzir posições em diferentes países, inclusive em mercados emergentes.

Esse movimento pode pressionar ações e moedas, embora seus efeitos dependam de fatores como juros, preços de commodities e perspectivas econômicas locais.

Na manhã desta quinta-feira, o NC News informou que o Ibovespa chegou aos 168 mil pontos, enquanto o dólar passou a ser negociado próximo de R$ 5,46.

Os números correspondiam ao início do pregão brasileiro e não representam o fechamento do mercado.

Na quarta-feira, a Bolsa brasileira havia avançado 1,20%, acompanhando o ambiente internacional mais favorável após as eleições americanas.

Com a reversão observada em Wall Street, investidores passam a acompanhar se a aversão ao risco continuará pressionando os mercados globais.

Próximos passos

O comportamento das ações de tecnologia deverá continuar no centro das atenções dos investidores nos próximos pregões.

Além das discussões políticas nos Estados Unidos, o mercado acompanhará novos resultados empresariais, informações sobre investimentos em data centers e possíveis mudanças nas condições de financiamento.

Também será importante observar como os governos estaduais americanos e o futuro Congresso tratarão as preocupações relacionadas à expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

Por enquanto, a queda do Nasdaq mostra que a expectativa de crescimento da IA continua acompanhada de riscos financeiros e políticos.

Os percentuais registrados nesta quinta-feira ainda poderão mudar até o encerramento das negociações em Nova York, e somente os dados consolidados permitirão dimensionar a perda definitiva do pregão.

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