O chef Érick Jacquin saiu em defesa do amigo e colega de MasterChef Brasil, Henrique Fogaça, após uma avaliação negativa do restaurante Sal Gastronomia, em São Paulo. Em um vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (6), Jacquin criticou a maneira como a jornalista Priscila Pastre, da Folha de S.Paulo, descreveu os pratos do estabelecimento, especialmente um steak tartare que foi comparado a comida de gato.
Embora tenha reconhecido a importância das críticas gastronômicas, Jacquin afirmou que existe uma diferença entre apontar problemas em uma refeição e utilizar expressões que podem humilhar os profissionais envolvidos. Para ele, avaliações negativas são necessárias para melhorar o trabalho dos restaurantes, mas devem considerar o esforço e o investimento de quem atua no setor.
A manifestação ocorreu um dia depois da publicação da avaliação, que atribuiu duas estrelas ao Sal Gastronomia e apontou falhas em diferentes preparações. O caso já havia sido noticiado pelo NC News, que detalhou os preços dos pratos, as reclamações da jornalista e os elogios pontuais feitos durante a experiência.
Restaurante de Henrique Fogaça é detonado por crítica gastronômica: “Comida de gato”
Jacquin diz que crítica gastronômica precisa ter respeito
No vídeo, Érick Jacquin afirmou que a crítica gastronômica desempenha um papel importante para os restaurantes, pois permite identificar erros e aperfeiçoar receitas. O chef, no entanto, questionou a linguagem utilizada pela jornalista ao avaliar o estabelecimento do amigo.
Segundo Jacquin, comparar uma preparação culinária a uma lata de comida para gatos ultrapassa o limite de uma avaliação técnica e pode desvalorizar o trabalho de toda a equipe responsável pelo restaurante.
O cozinheiro ressaltou que a gastronomia é uma profissão difícil e que manter um estabelecimento envolve custos elevados, dedicação e responsabilidade com funcionários e clientes.
Jacquin também comentou que os chefs de cozinha frequentemente são acusados de humilhar outras pessoas, mas avaliou que a comparação utilizada na reportagem também poderia ser considerada humilhante.
Apesar das críticas ao texto, ele não afirmou que os problemas identificados no restaurante deveriam ser ignorados. Pelo contrário, defendeu que os profissionais precisam ouvir avaliações negativas quando os pratos não apresentam a qualidade esperada.
“Tem um jeito de falar.”
O chef também argumentou que jornalistas especializados deveriam visitar um restaurante mais de uma vez antes de publicar avaliações que podem afetar sua reputação.
Na legenda da publicação, Jacquin reforçou o apoio ao colega:
“Meu amigo Fogaça merece respeito, assim como qualquer profissional.”
Entenda a crítica ao restaurante de Henrique Fogaça
A controvérsia começou na quinta-feira (5), quando a jornalista e crítica gastronômica Priscila Pastre publicou uma avaliação do Sal Gastronomia, localizado na Rua Bela Cintra, no bairro dos Jardins, em São Paulo.
O estabelecimento, comandado por Henrique Fogaça, recebeu duas estrelas, classificação considerada regular. A avaliação apontou problemas na apresentação, no sabor e na textura de diferentes pratos.
O principal alvo foi o steak tartare, vendido por R$ 125. A preparação, feita com carne bovina crua e temperada, foi descrita pela jornalista como inadequada em textura e apresentação.
“A carne parecia ter saído de uma latinha de comida de gato.”
Priscila também criticou o ovo de codorna servido como acompanhamento, que considerou frio e sem sabor, além das batatas rústicas, que apresentavam pontos diferentes de fritura.
Outros itens do cardápio receberam avaliações negativas. O ceviche de caju, vendido por R$ 46, foi considerado excessivamente doce, enquanto o nhoque servido com stinco de cordeiro, prato de R$ 176, apresentou textura muito mole, segundo a jornalista.
A avaliação, entretanto, não foi inteiramente negativa. A carne do cordeiro recebeu elogios pela maciez e pelo sabor, assim como a sobremesa de cumaru.
A comparação com comida de gato se referia à aparência e à textura da carne. Não houve indicação de que o estabelecimento utilizasse ingredientes impróprios ou de que a avaliação representasse uma fiscalização sanitária.
Críticas do MasterChef também entram no contexto
A defesa de Jacquin ocorre em um contexto particular: tanto ele quanto Henrique Fogaça são conhecidos nacionalmente pelas avaliações rigorosas que fazem dos participantes do MasterChef Brasil.
No programa, os jurados costumam apontar erros de técnica, sabor, apresentação e execução, muitas vezes utilizando uma linguagem direta e contundente.
A própria jornalista Priscila Pastre mencionou essa característica em sua avaliação, questionando como Fogaça reagiria caso recebesse, durante uma prova do reality, um steak tartare semelhante ao servido em seu estabelecimento.
O histórico do chef na televisão também já provocou discussões sobre a maneira como os competidores são avaliados.
Em junho de 2026, Fogaça demonstrou insatisfação com um prato apresentado pela participante Carla Araújo. Durante a avaliação, criticou a textura de um bao de carne suína e se recusou a continuar experimentando a preparação. A competidora deixou a bancada chorando.
O episódio foi relembrado pelo NC News em uma reportagem que reuniu diferentes controvérsias envolvendo o cozinheiro.
Henrique Fogaça: de acidente grave a críticas aos restaurantes, relembre as polêmicas do chef
A comparação entre as avaliações feitas na televisão e as críticas recebidas por restaurantes de chefs famosos levanta uma questão sobre os limites da linguagem utilizada para avaliar o trabalho de outras pessoas.
No posicionamento divulgado nesta sexta-feira, Jacquin não condenou o direito de criticar a comida de Fogaça, mas defendeu que o julgamento seja acompanhado de respeito aos profissionais.
Como Henrique Fogaça reagiu à repercussão?
Até a publicação das informações consultadas, Henrique Fogaça não havia divulgado uma resposta própria e detalhada à avaliação de Priscila Pastre.
O chef, entretanto, curtiu e compartilhou o vídeo publicado por Érick Jacquin, sinalizando apoio à manifestação do colega.
Fogaça é um dos nomes mais conhecidos da gastronomia brasileira e integra o MasterChef Brasil desde 2014. Além da carreira na televisão, mantém empreendimentos gastronômicos em São Paulo, incluindo o Sal Gastronomia.
Inaugurado em 2005, o restaurante passou por mudanças de endereço e expansão ao longo dos anos. A unidade dos Jardins, alvo da avaliação, funciona desde 2024 na Rua Bela Cintra.
O caso evidencia o debate entre a liberdade de avaliação dos consumidores e jornalistas especializados e a preocupação de empresários e profissionais da gastronomia com os efeitos de críticas públicas sobre seus negócios.
Para Jacquin, apontar erros faz parte da profissão de crítico gastronômico. Sua discordância está na forma como esses problemas são apresentados ao público.
