O restaurante Sal Gastronomia, do chef Henrique Fogaça, conhecido por sua participação como jurado do MasterChef Brasil, recebeu duras críticas após uma avaliação publicada nesta quinta-feira (5). A jornalista e crítica gastronômica Priscila Pastre visitou a unidade localizada nos Jardins, em São Paulo, e questionou a qualidade de diferentes pratos do cardápio. O principal alvo foi um steak tartare de R$ 125, cuja aparência foi comparada à de comida enlatada para gatos.
A avaliação foi publicada pela Folha de S.Paulo e atribuiu duas estrelas ao estabelecimento, classificação considerada regular. Além do steak tartare, a jornalista identificou problemas no preparo de batatas, ceviche, nhoque, risoto e sobremesas. Alguns pratos receberam elogios pontuais, mas a avaliação geral apontou uma experiência abaixo das expectativas para um restaurante dessa faixa de preço.
A crítica também chamou atenção para a relação entre a fama de Fogaça na televisão e a experiência oferecida aos clientes. Segundo a jornalista, muitos frequentadores parecem ser jovens que procuram o restaurante para viver uma ocasião especial, possivelmente atraídos pela popularidade do chef no reality gastronômico.
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Steak tartare de R$ 125 foi o principal alvo das críticas
O prato que mais desagradou Priscila foi o steak tartare, preparação de origem francesa feita com carne bovina crua e temperada. No Sal Gastronomia, a receita custa R$ 125 e é servida acompanhada de ovo de codorna e batatas rústicas.
Segundo a crítica, a carne apresentava uma textura que lembrava um produto moído e prensado, diferente do resultado esperado de uma preparação feita com carne picada na ponta da faca.
“A carne parecia ter saído de uma latinha de comida de gato.”
A jornalista também criticou o ovo de codorna, que considerou frio e sem sabor, e as batatas, que apresentavam diferentes pontos de fritura.
Na avaliação publicada, Priscila classificou o steak tartare como o pior que já havia experimentado.
A comparação com comida de gato foi uma opinião da crítica sobre a aparência e a textura da preparação, não uma constatação de que o restaurante utilizasse ingredientes inadequados.
Ceviche de caju e nhoque também decepcionaram
Outro prato que recebeu avaliação negativa foi o ceviche de caju, vendido por R$ 46.
A jornalista considerou a entrada excessivamente doce e adstringente, sensação que deixa a boca seca. Segundo ela, os temperos e demais ingredientes não conseguiram equilibrar o sabor da fruta.
Entre os pratos principais, Priscila experimentou o stinco de cordeiro acompanhado de nhoque na manteiga de sálvia, que custava R$ 176.
Nesse caso, a carne recebeu elogios. A jornalista destacou a maciez do cordeiro e o sabor do molho, mas afirmou que o nhoque estava cozido além do ponto ideal, com textura excessivamente mole.
A avaliação mostrou que a experiência não foi inteiramente negativa, embora a execução de diferentes acompanhamentos tenha comprometido o resultado das refeições.
Menu infantil de R$ 65 tinha apenas 17 unidades de nhoque
O cardápio infantil também entrou na avaliação.
Em uma visita anterior ao restaurante, a jornalista pediu o nhoque ao sugo, vendido por R$ 65. Segundo seu relato, o prato foi servido com apenas 17 unidades de massa e nenhum acompanhamento.
Priscila considerou a quantidade insuficiente para satisfazer a criança que participava da refeição.
Na mesma ocasião, experimentou o risoto de shimeji, que custava R$ 102.
Embora tenha elogiado a cremosidade e a quantidade servida, apontou problemas no preparo do arroz e dos cogumelos.
Segundo a avaliação, o arroz estava mais duro do que o ponto al dente, enquanto o shimeji apresentava textura borrachuda.
A finalização com castanha-do-pará também desagradou. A jornalista considerou que os pedaços estavam cortados de maneira grosseira, prejudicando o equilíbrio da preparação.
Sobremesas também foram avaliadas pela jornalista
Depois dos pratos salgados, Priscila experimentou duas sobremesas do restaurante.
A primeira foi o pudim de cumaru com sementes de papoula, vendido por R$ 46.
Apesar do nome, a sobremesa tinha características de uma panacota, preparação italiana à base de creme. O doce recebeu uma avaliação positiva, especialmente pela textura, pelo sabor discreto do cumaru e pela calda de frutas vermelhas.
Já a torta quebrada de maçã-verde, que custava R$ 53, não agradou.
A jornalista apontou problemas na consistência da massa e no cozimento da fruta. Segundo ela, a sobremesa perdeu a estrutura e ficou com uma textura excessivamente pastosa.
Outro detalhe mencionado foi o atendimento: o café solicitado para acompanhar o doce não chegou à mesa.
Fama de Fogaça no MasterChef entrou na discussão
Além de avaliar os pratos, Priscila fez uma reflexão sobre a responsabilidade de chefs que conquistam reconhecimento nacional por meio da televisão.
Henrique Fogaça é um dos nomes mais conhecidos do MasterChef Brasil, programa em que os participantes são avaliados por critérios como técnica, apresentação, sabor e execução das receitas.
A jornalista questionou como o próprio chef reagiria se recebesse, durante uma prova do reality, um steak tartare semelhante ao servido em seu restaurante.
A comparação foi utilizada para discutir a diferença entre o rigor exigido dos competidores na televisão e a qualidade encontrada durante suas visitas ao estabelecimento.
Segundo Priscila, o público jovem que frequenta o Sal pode estar vivendo suas primeiras experiências em restaurantes de maior valor.
Para ela, esse contato inicial com a gastronomia representa uma oportunidade de proporcionar refeições memoráveis, mas os problemas observados prejudicaram a experiência.
Restaurante funciona há mais de 20 anos em São Paulo
O Sal Gastronomia foi criado em 2005 e se tornou um dos principais empreendimentos gastronômicos associados a Henrique Fogaça.
Atualmente, a marca possui duas unidades na capital paulista: uma na Rua Bela Cintra, nos Jardins, e outra no Shopping Cidade Jardim, na região do Morumbi.
A unidade dos Jardins, avaliada pela jornalista, foi inaugurada no início de 2024, substituindo o antigo endereço que funcionou durante aproximadamente 18 anos em Higienópolis.
O restaurante trabalha com uma proposta de cozinha brasileira contemporânea, combinando ingredientes nacionais, técnicas de diferentes tradições culinárias e apresentações elaboradas.
A unidade da Bela Cintra tem capacidade para cerca de 180 pessoas e também oferece menus de degustação e espaços para eventos.
No material institucional do chef, a proposta do Sal é apresentada como uma experiência gastronômica que valoriza ingredientes e combinações de sabores.
Restaurante respondeu às críticas?
Até a publicação das informações consultadas, não havia sido localizada uma manifestação pública de Henrique Fogaça ou da administração do Sal Gastronomia respondendo especificamente à avaliação de Priscila Pastre.
A crítica foi baseada nas experiências da jornalista durante visitas ao estabelecimento e representa sua avaliação profissional sobre os pratos e o atendimento.
Embora a classificação tenha sido de duas estrelas, o texto também reconheceu pontos positivos, como o preparo do cordeiro e a sobremesa de cumaru.
A avaliação não representa uma fiscalização sanitária nem comprova irregularidades na segurança alimentar do restaurante.
A repercussão ocorre em um momento em que Fogaça continua associado ao MasterChef Brasil e mantém seus empreendimentos gastronômicos em São Paulo.
O episódio também levanta uma discussão sobre as expectativas dos consumidores que procuram restaurantes de chefs conhecidos pela televisão, especialmente quando os preços cobrados criam a expectativa de uma experiência diferenciada.