O bolso do consumidor brasileiro ganhou um fôlego extra em abril no setor de hortifrúti, mas ainda enfrenta pontos de atenção. De acordo com o 5º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a maçã e a alface lideraram as quedas de preço nas principais Centrais de Abastecimento (Ceasas) do país, impulsionadas pelo avanço das safras e condições climáticas favoráveis.
A maçã registrou uma redução média ponderada de 8,06% no atacado. O principal motor dessa queda foi a entrada robusta da variedade fuji no mercado, que ampliou significativamente a oferta. Em Goiás, o reflexo foi ainda mais expressivo, com recuo de até 35% nos preços. No rastro das quedas, a alface também quebrou a sequência de altas dos últimos meses, recuando 5,94% na média nacional. O destaque ficou com o Rio de Janeiro e São Paulo (principal produtor do país), que registraram quedas expressivas de 19,11% e 18,32%, respectivamente. A laranja seguiu a linha de estabilidade, com leve recuo de 0,98%.
O outro lado da balança: Melancia e hortaliças em alta
Se por um lado houve alívio, por outro, a menor disponibilidade de alguns produtos pesou no atacado. Entre as frutas, a melancia disparou 24,36% devido à redução de oferta, com picos de alta em Recife (45%) e Goiânia (44%). O mamão (+0,56%) e a banana (+1,97%) mantiveram trajetórias discretas de valorização.
No setor das hortaliças pesadas, o cenário foi bem mais severo. A transição entre as safras de verão e inverno reduziu a oferta de produtos tradicionais na mesa do brasileiro:
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Cenoura: Teve a maior alta percentual do período, saltando 48,58% e mantendo preços elevados em todas as centrais, sob forte pressão de demanda na produção mineira.
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Cebola: Subiu 23,03% generalizadamente, embora a Conab preveja melhora no abastecimento em razão da super safra em Santa Catarina, 13,1% maior que a anterior.
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Tomate e Batata: Registraram altas quase idênticas, de 12,55% e 12,53%. O tomate mantém viés de alta desde dezembro do ano passado.
Balança comercial aquecida
Paralelamente ao mercado interno, a fruticultura brasileira celebra um ritmo acelerado nas exportações. O primeiro quadrimestre de 2025 fechou com um crescimento de 12% no volume embarcado em comparação com o mesmo período do ano anterior, movimentando US$ 532,3 milhões. Apenas em abril, foram exportadas 456 mil toneladas de hortigranjeiros para a Europa, Ásia e Estados Unidos, com destaque para o melão, manga, abacate e a própria maçã.
Segundo a avaliação técnica da Conab, o papel das Ceasas e o monitoramento logístico seguem essenciais para mitigar os impactos da inflação de alimentos, equilibrando o fluxo entre o campo e a mesa do consumidor final.