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Santiago Peña, ex-presidente do Paraguai, é preso preventivamente

Santiago Peña foi destituído pelo Senado em meio a denúncias de irregularidades envolvendo o banco digital Ueno. Justiça determinou que ele permaneça sob custódia em uma unidade militar de Assunção enquanto avançam as investigações.
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A crise política e financeira que abalou o Paraguai ganhou um novo capítulo neste sábado (7). A Justiça do país decretou a prisão preventiva do ex-presidente Santiago Peña, um dia depois de ele ser destituído pelo Senado em um processo de impeachment relacionado a denúncias de irregularidades envolvendo o banco digital Ueno.

A decisão foi tomada pelo juiz Humberto Otazú, após solicitação do Ministério Público paraguaio. Peña deverá permanecer sob custódia no Regimento de Escolta Presidencial, em Assunção, uma unidade militar de elite. A medida busca garantir que o ex-mandatário permaneça no país durante o andamento do processo e impedir possíveis interferências nas investigações.

O caso representa uma reviravolta histórica na política paraguaia. Em poucos dias, Peña deixou a Presidência, passou a responder a acusações criminais e teve a liberdade restringida por determinação judicial. As investigações apuram possíveis irregularidades na destinação de recursos públicos e previdenciários ao Ueno Bank.

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Justiça aponta risco de fuga e possibilidade de interferência

Durante a audiência, o juiz Humberto Otazú justificou a prisão preventiva pela necessidade de assegurar a permanência de Peña no território paraguaio. O magistrado também considerou a possibilidade de interferência na investigação, diante das informações às quais o ex-presidente poderia ter tido acesso durante o exercício do cargo.

Segundo informações divulgadas pela imprensa paraguaia e reproduzidas pelo UOL, a Justiça avaliou que Peña poderia ter conhecimento relevante sobre a situação do banco e sobre possíveis relações entre os envolvidos no caso. O ex-presidente optou por não prestar depoimento durante o procedimento.

A prisão preventiva não representa uma condenação. Peña é investigado e terá direito à defesa durante o processo. As acusações ainda precisarão ser analisadas pela Justiça, que deverá avaliar as provas reunidas pelo Ministério Público.

Ex-presidente é investigado por dois crimes

O Ministério Público atribui a Santiago Peña a suposta prática de lesão de confiança, na condição de instigador, e administração em proveito próprio, na condição de autor. As acusações estão relacionadas à crise do Ueno Bank e a possíveis irregularidades na alocação de recursos públicos e previdenciários na instituição.

O ex-presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, também foi denunciado. Ele responde a acusações de lesão de confiança, produção de documentos públicos com conteúdo falso e administração em proveito próprio. O pedido de prisão preventiva apresentado contra Carvallo também integra o procedimento, mas a decisão judicial sobre sua custódia não deve ser confundida com a determinação já anunciada para Peña.

Colapso do Ueno Bank desencadeou crise política

O centro da crise é o Ueno Bank, instituição financeira que passou a enfrentar uma grave situação após o Banco Central paraguaio apontar problemas de solvência e determinar medidas de intervenção. A crise afetou milhões de clientes, que tiveram dificuldades para acessar seus próprios recursos.

As autoridades também investigam a relação entre o banco, empresas ligadas ao seu grupo controlador e recursos públicos e previdenciários que estavam depositados na instituição. Peña havia sido acionista da Ueno Holding, ligada ao banco, mas deixou a participação empresarial em março de 2025.

O vínculo empresarial do então presidente com o grupo financeiro passou a ser questionado por parlamentares da oposição. As denúncias apontam possíveis conflitos de interesse e suspeitas de influência política sobre decisões relacionadas à fiscalização e à destinação de recursos públicos.

O Ministério Público agora busca esclarecer se houve favorecimento indevido, falhas deliberadas de fiscalização ou utilização irregular de recursos. Peña nega ter cometido irregularidades e afirma que pretende colaborar com a investigação, segundo informações da agência Reuters.

Impeachment foi aprovado pelo Senado

Antes da decisão judicial deste sábado, Peña já havia perdido o cargo em uma votação no Senado paraguaio, realizada na sexta-feira (6). A destituição ocorreu em meio à crise envolvendo o Ueno Bank e às acusações políticas relacionadas à condução do caso.

O ex-presidente havia anunciado sua renúncia na quinta-feira (5), mas a tentativa de formalizar a saída não avançou no Congresso por falta de quórum. Com a continuidade do processo de impeachment, os senadores votaram pela destituição. O vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do país.

Após perder o cargo, Peña chegou a ficar em prisão domiciliar, antes de ser transferido para a unidade militar onde permanece sob custódia. A mudança ocorreu em meio às decisões judiciais e às preocupações das autoridades com a segurança do ex-mandatário.

O Paraguai enfrenta, assim, uma crise que ultrapassa a disputa política. O caso envolve a estabilidade do sistema financeiro, a proteção dos recursos de correntistas e fundos públicos e a responsabilidade de autoridades que ocupavam posições estratégicas no governo e no Banco Central.

As investigações continuam, e a Justiça ainda deverá analisar os pedidos relacionados ao patrimônio dos investigados e às demais medidas cautelares solicitadas pelo Ministério Público. O desfecho do caso poderá ter consequências importantes para a política e para o sistema financeiro paraguaio.

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