A Polícia Civil de São Paulo indiciou o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite por suspeita de associação à organização criminosa e pediu à Justiça sua prisão preventiva. O pedido também envolve outras 12 pessoas investigadas na Operação Vectura Corrupta, que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas do sistema de transporte público.
O inquérito foi concluído pela Polícia Civil e encaminhado às autoridades responsáveis pela análise do caso. A solicitação de prisão preventiva ainda não representa uma decisão judicial: caberá ao Ministério Público avaliar o material e decidir sobre eventual denúncia. Depois disso, a Justiça poderá aceitar ou rejeitar a acusação.
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Investigação aponta suspeita de controle de empresas de ônibus
De acordo com a investigação, Milton Leite teria atuado diretamente na operação de empresas que estariam sob influência do PCC. Os policiais também apontam o ex-vereador como suposto proprietário de fato da Transwolff, empresa que integra o centro das apurações sobre a presença do crime organizado no setor de transporte.
As conclusões constam no relatório final da Polícia Civil, que tem 104 páginas. Segundo os investigadores, o documento reúne elementos que sustentariam o indiciamento por associação criminosa e o pedido de prisão preventiva.
A polícia também atribui a Milton Leite suspeitas de ocultação e destruição de provas, além de contatos com pessoas de fora da investigação durante o período em que esteve custodiado. Essas afirmações fazem parte da versão apresentada pelos investigadores e ainda dependem de análise pelas autoridades judiciais.
Ex-vereador está preso temporariamente desde setembro
Milton Leite está preso temporariamente desde 18 de setembro. Inicialmente, ele ficou na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes. Em outubro, foi transferido para o Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos, após suspeitas de que teria recebido regalias durante a custódia.
A prisão temporária já existente é diferente da prisão preventiva solicitada agora pela Polícia Civil. A preventiva, caso seja decretada, não tem prazo previamente determinado e depende de decisão judicial fundamentada.
Outros investigados também foram indiciados
Entre os nomes citados no inquérito estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande. Carla de Paula Muller, mulher de Antônio José Muller Júnior, conhecido como Granada e apontado pelo Ministério Público como integrante da liderança do PCC, também aparece entre os investigados.
A investigação examina possíveis relações entre integrantes da facção criminosa, empresários do transporte e pessoas ligadas à administração de empresas que atuam no sistema de ônibus. O caso integra uma apuração mais ampla sobre a atuação do crime organizado em contratos e operações do transporte coletivo.
Milton Leite nega as acusações
Em depoimento, Milton Leite negou as acusações e afirmou ser inocente. O indiciamento representa a conclusão da investigação policial sobre a existência de indícios, mas não significa condenação nem transforma automaticamente os investigados em réus.
O Ministério Público de São Paulo deve analisar o pedido de prisão preventiva no início da próxima semana. A situação dos investigados poderá avançar após a manifestação da Promotoria e uma eventual decisão da Justiça sobre o recebimento de denúncia.