Segundo informações da Polícia Militar, o caso aconteceu em uma estação da Linha 3-Vermelha do Metrô de São Paulo. Testemunhas relataram que o casal discutia quando o homem sacou um canivete e atingiu a ex-companheira.
A mulher recebeu atendimento médico e foi encaminhada a uma unidade de saúde. De acordo com as autoridades, ela não corre risco de morte. O suspeito foi detido ainda no local e encaminhado para a delegacia responsável pela investigação.
O caso foi registrado como tentativa de homicídio e violência doméstica. A Polícia Civil investiga as circunstâncias da agressão e a motivação do crime.

Crescimento da violência contra mulheres preocupa
O episódio ocorre em meio ao aumento dos casos de feminicídio no Brasil. Dados divulgados pelo Ministério da Justiça apontam que o país registrou 399 vítimas de feminicídio entre janeiro e março de 2026, o maior número já contabilizado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica. A média é de quatro mulheres assassinadas por dia, ou uma vítima a cada cinco horas e 25 minutos.
Na comparação com o mesmo período de 2025, houve crescimento de 7,5% nos registros.
Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, alta de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde que o feminicídio passou a ser tipificado como crime, em 2015, mais de 13,7 mil mulheres foram assassinadas no país por razões relacionadas ao gênero.
Em São Paulo, a situação também preocupa. Dados da Secretaria da Segurança Pública indicam que os feminicídios cresceram 41% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 86 mulheres assassinadas nos três primeiros meses do ano.
Agressor costuma ser alguém próximo
Estudos sobre violência de gênero mostram que, na maioria dos casos, o autor é um companheiro ou ex-companheiro da vítima. Pesquisa divulgada pelo Ministério da Justiça aponta que cerca de 65% dos feminicídios acontecem dentro da residência da mulher e são praticados por pessoas com vínculo afetivo ou familiar.
Especialistas alertam que agressões, ameaças e perseguições após o término de relacionamentos são sinais de risco que não devem ser ignorados. O ataque ocorrido no metrô reforça a necessidade de denunciar casos de violência e buscar medidas protetivas antes que conflitos evoluam para crimes ainda mais graves.
NOTA METRÔ
O Metrô lamenta o episódio ocorrido nesta segunda-feira (1º), nas dependências do Pátio Oratório – local de apoio logístico, sem acesso aos passageiros -, envolvendo dois colaboradores de uma empresa prestadora de serviços. A vítima recebeu atendimento imediato e foi encaminhada para ao Pronto-Socorro do Hospital Vila Alpina. O autor foi contido pela equipe de segurança do pátio e preso em flagrante por policiais militares. O caso foi registrado no 42° DP (Parque São Lucas).
A Companhia reforça que não tolera qualquer forma de violência, acompanha o caso de perto e já determinou à empresa contratada a adoção imediata de todas providências cabíveis, além de se colocar à disposição para colaborar com a investigação.
Repórter: Bárbara Damasceno