ENTREVISTA EXCLUSIVA: ator amazonense Adanilo é indicado ao Prêmio Grande Otelo pelo filme ‘O Último Azul’

O artista concorre na categoria de Melhor Ator Coadjuvante no maior prêmio do cinema brasileiro pelo seu desempenho no longa-metragem dirigido por Gabriel Mascaro.
Redação NC News
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O cinema amazonense celebra um marco histórico em 2026. Pela primeira vez em sua carreira, o ator, escritor e produtor manauara Adanilo está na disputa do Prêmio Grande Otelo (antigo Grande Prêmio do Cinema Brasileiro). Ele concorre na prestigiada categoria de Melhor Ator Coadjuvante por sua atuação no longa-metragem “O Último Azul”, dirigido pelo aclamado cineasta pernambucano Gabriel Mascaro.

A indicação consolida a trajetória ascendente do artista no cenário audiovisual nacional, onde vem acumulando papéis de destaque na televisão e no cinema nos últimos anos. Em “O Último Azul”, Adanilo entrega uma performance visceral que chamou a atenção da crítica especializada e da Academia Brasileira de Cinema, garantindo sua vaga entre os finalistas da premiação mais importante do setor no país.

O Portal Amazônia Incrível conversou com o o ator. Confira na íntegra:

Reprodução Redes Sociais

Adanilo, o cinema da Amazônia historicamente luta para romper barreiras geográficas e alcançar o centro dos grandes prêmios nacionais. Estar no Prêmio Grande Otelo 2026 com O Último Azul não é apenas uma vitória pessoal, mas um marco para o audiovisual amazonense. O quanto essa indicação de Melhor Ator Coadjuvante valida o seu corre e a potência dos artistas do Norte que você sempre faz questão de carregar com você?

Mais do que validar uma indicação como essa, ela confirma algo de anos.  Confirma a trajetória não só minha, como de diversos artistas do norte que estão aí há anos produzindo arte com a maior qualidade do mundo. A gente não deve em nada para ninguém, então poder figurar entre os indicados nessa premiação, assim como eu, o filme Boiúna, que foi indicado também, que é da Adriana de Farias, lá do Pará. O Batata, o técnico de som, que foi indicado também.

A gente tem que sempre estar nesses espaços, sempre tem que ter artista do norte da Amazônia, artista indígena, ocupando esses espaços.  É imprescindível que isso aconteça.  A gente vive num país que é terra indígena, a gente vive num país que tem a Amazônia. A Amazônia é um território muito importante não só para o Brasil, como para o mundo. Então, a gente tem que protagonizar essas narrativas também.

Trabalhar com o Gabriel Mascaro sempre exige muito do corpo e da entrega do ator. O que você encontrou em O Último Azul que te permitiu extrair essa atuação digna de concorrer ao maior prêmio do cinema brasileiro? Qual foi o maior desafio de construir esse personagem coadjuvante que acabou roubando a atenção dos holofotes nacionais?

O maior desafio de fazer o Ludemir foi que eu queria trazer um personagem com muita dignidade. Eu queria pensar as dignidades amazônicas com o Ludemir, como é que eu engrandeço aquele personagem que tem complexidade? Acho que ele tem as questões dele, os problemas dele, mas ele também tem desejos, tem ânsia, tem sonhos, tem brilho no olhar de quem quer vencer na vida. Eu queria isso, queria que ele ficasse dicotômico, que ele ficasse dúbio, que a gente não pensasse nele só como uma coisa, que a gente trouxesse possibilidade de leitura. Acho que esse é sempre um desafio.

Pela primeira vez na carreira, o seu nome está lá, entre os maiores do país no Prêmio Grande Otelo. Quando você olha para trás, para o Adanilo que começou no teatro e no audiovisual em Manaus, o que essa indicação por O Último Azul significa para o seu futuro no cinema?

A gente segue por aqui trabalhando, então muitas coisas boas vão acontecer. O Prêmio Grande Otelo é uma vitrine para nós atores, atrizes, para os profissionais do audiovisual,  principalmente porque é uma espécie de reconhecimento da classe artística, principalmente do cinema brasileiro, do audiovisual brasileiro.

É esse tipo de reconhecimento que chega, com uma indicação dessas. É muito importante que estejam olhando para o meu trabalho. Acho que isso, assim como tantas outras coisas que tenho feito, ajuda a abrir portas, a abrir caminhos, diferentes caminhos nessa vida.

Acho que cada trabalho novo que a gente faz é uma bolha nova que a gente fura. Não tem uma só furada de bolha, não. São várias portas que vão se abrindo, outras vão se fechando, mas são portões.  Acho que cada uma dessas experiências que a gente vai tendo dentro do mercado de cinema brasileiro, vão levando a gente a outras. Isso é o mais legal, isso é o mais importante, estar nessa vitrine e fazer parte do Prêmio Grande Otelo,  ser indicado ao lado de outros grandíssimos atores brasileiros  é um jeito de mostrar que é possível. Para nós indígenas, para nós amazônicos, para o menino da periferia de Manaus.

Simbolismo político e cultural

Para além da conquista pessoal, a indicação de Adanilo carrega um forte simbolismo político e cultural para a região Norte. Historicamente sub-representados nas grandes premiações do eixo Rio-São Paulo, os profissionais do audiovisual da Amazônia enxergam na nomeação do ator uma validação da potência e do amadurecimento técnico dos artistas locais.

Para o jornalista e crítico de cinema amazonense, membro da Abraccine, que já cobriu Festival de Cannes em 2025, Ivanildo Pereira, é uma notícia muito boa essa nomeação do artista para o prêmio Grande Otelo, e um reconhecimento valioso pra um talento amazonense.

“É realmente impressionante ver como a carreira dele vem se desenvolvendo, o quanto ele já caminhou e mais ainda deve vir. Muito bom também o reconhecimento a O Último Azul e ao elenco e equipe que fizeram esse filme aqui na nossa região”, ressaltou Ivanildo.

Quem também falou sobre a indicação do Adanilo para o Amazônia Incrível e de outros artistas do Norte do Brasil, que estão concorrendo ao Grande Otelo, foi a renomada atriz amazonense Rosa Malagueta.

Para a atriz, que também trabalhou com Adanilo em ‘O último azul’, ela explica que todo artista sonha em ganhar o prêmio pelo reconhecimento do seu talento, ainda mais quando se trata de um artista do Norte, um artista da nossa Manaus, do nosso Amazonas.  “Eu acho que o Adanilo é de um talento surreal. Eu tive a oportunidade já de fazer um filme com o Adanilo, de participar de filmes e ter essa parceria com ele.”, contou a artista.

“Eu estou muito feliz de ele estar concorrendo a esse prêmio e torcer para que ele ganhe, porque vai ser uma vitória do Norte, uma vitória nossa, dos nossos artistas.  Estou muito feliz e vamos lá, vamos para frente. “, disse Rosa.

Isso mostra que os nosso talento rompe barreiras geográficas e econômicas. Não só o Adanilo, mas que o Norte, o Amazonas, tem muitos talentos valiosos. “Eu acho que é muito importante a gente ter essa visibilidade.”, finalizou.

Sobre Adanilo

Foto: Bruna Chagas

Nascido em Manaus, Adanilo começou sua caminhada no teatro e no cinema independente da capital amazonense, participando de curtas-metragens e produções teatrais antes de ganhar projeção nacional. Sempre engajado com a representatividade dos povos originários e das narrativas amazônicas, o ator faz questão de carregar suas raízes em cada projeto que integra.

A cerimônia do Prêmio Grande Otelo 2026 promete ser um momento de consagração para o artista, que agora aguarda a votação final dos membros da Academia para saber se trará o troféu para o Amazonas. Independentemente do resultado na noite de gala, a nomeação de Adanilo já escreve um capítulo inédito e inspirador para a nova geração de atores nortistas.

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