Ryan Reynolds surpreende a web com Deadpool 4

Ryan Reynolds surpreende ao revelar planos para sequência solo após sucesso da franquia e lançamento no Disney+.
Redação NC News
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Ryan Reynolds muda o tom sobre o futuro do Mercenário Tagarela e admite, em entrevistas recentes, que um novo filme solo do Deadpool pode sair do papel. A possibilidade do quarto longa vem à tona enquanto Deadpool & Wolverine chega ao Disney+ e reacende o interesse pelo personagem.

Reynolds recua e admite novo filme solo

Depois de repetir ao longo deste ano que não via sentido em um quarto filme solo, Reynolds agora aponta para outra direção. Em conversa recente, o ator diz: “Há algumas coisas chegando e, eventualmente, outro filme do Deadpool”.

A frase contrasta com o discurso que o próprio Reynolds adota no início do ano, quando descarta, em público, a ideia de colocar Wade Wilson de novo no centro da trama. Ao programa Sunday Today, ele afirma: “Tenho algumas coisas escritas, mas não acho que vou colocá-lo novamente como protagonista. Ele funciona melhor como um personagem de apoio. É um cara que brilha quando está em um grupo”.

A virada de posição alimenta a especulação em torno de um possível Deadpool 4, mesmo sem anúncio oficial de estúdio ou data em desenvolvimento. Vem também na esteira da estreia de Deadpool & Wolverine no streaming, que passa a servir de termômetro direto para qualquer decisão sobre o futuro da franquia.

O dilema criativo: repetir a fórmula ou encerrar o arco

Reynolds não esconde o medo da repetição. Em entrevista ao The Hollywood Reporter, ele explica por que resiste a reencenar pela quarta vez a mesma espiral de caos do anti-herói: “O Deadpool funciona melhor quando você tira tudo dele e o coloca contra a parede. Não acho que consiga fazer isso novamente. Pela quarta vez, pareceria repetitivo e redundante. Isso não significa abrir mão da diversão. Ainda existe um arco para o Deadpool que pode ser emocionante e poderoso”.

O ator enxerga o personagem como alguém sempre empurrado para o limite, física e emocionalmente, e teme transformar esse mecanismo em fórmula vazia. Ao mesmo tempo, admite que ainda vê um caminho “emocionante e poderoso” a ser explorado. Essa ambivalência explica o movimento atual: Reynolds tenta escapar da sensação de mais do mesmo, mas não fecha a porta para uma nova história.

Para os fãs que acompanharam Deadpool 1, Deadpool 2 e o novo Deadpool & Wolverine, a mensagem é dupla. O ator reafirma que não quer um filme automático, produzido apenas para aproveitar a popularidade de um personagem lucrativo. Também sinaliza que, se Deadpool 4 acontecer, deve girar em torno de um arco emocional mais definido, e não apenas de piadas e violência estilizada.

Deadpool, X-Men, Vingadores e o papel de outsider

No centro dessa discussão está a função de Wade Wilson dentro do universo compartilhado de heróis. Reynolds insiste que o Mercenário Tagarela funciona melhor quando não pertence totalmente a lugar nenhum. “O Deadpool funciona muito bem aparecendo ao lado dos X-Men e dos Vingadores, mas ele sempre precisa continuar sendo um outsider. O maior sonho dele é ser aceito e valorizado. Só que ele nunca pode realmente ser aceito”, afirma.

Essa condição de estranho permanente, para o ator, é o motor da graça e da dor do personagem. Deadpool zomba das regras dos super-heróis, quebra a quarta parede, ri da própria tragédia. Por trás da cascata de referências e palavrões, porém, Reynolds vê um homem que tenta esconder a própria vergonha: “O mecanismo dele para lidar com a vergonha é usar o humor para esconder suas inúmeras imperfeições. Se um dia ele realmente se tornar um Vingador ou um X-Men, será o fim da jornada dele”.

A leitura reforça a ideia de que a participação do anti-herói ao lado de equipes gigantes da Marvel, como X-Men e Vingadores, precisa manter uma certa distância. Ele pode dividir a tela, roubar cenas, comentar o absurdo ao redor, mas não deve encontrar o pertencimento que tanto deseja. É esse limite que Reynolds parece determinado a preservar em qualquer novo filme, seja como protagonista, seja em participações especiais.

Streaming vira laboratório para o futuro do personagem

Enquanto o debate criativo avança, o mercado observa o desempenho de Deadpool & Wolverine no Disney+. O longa reúne Ryan Reynolds e Hugh Jackman e coloca Wade Wilson diante de uma nova ameaça multiversal. Na trama, o anti-herói tenta levar uma vida de aposentado até ser recrutado pela Autoridade de Variação Temporal (TVA) para uma missão que pode apagar seu universo. Para evitar o fim de tudo, ele precisa convencer um Wolverine de outra linha temporal a acompanhá-lo em uma jornada cheia de ação, humor ácido e participações especiais.

O filme reúne um elenco de peso, que inclui, além de Reynolds e Jackman, Emma Corrin, Matthew Macfadyen, Morena Baccarin e Leslie Uggams. A presença em massa no streaming amplia o acesso do público que não viu o longa no cinema e reforça a busca dos estúdios por franquias que funcionem tanto nas salas quanto em casa.

Os dados de audiência de Deadpool & Wolverine no Disney+ interessam diretamente a executivos e criadores. Se o público responde com o mesmo entusiasmo demonstrado nos três filmes anteriores do personagem, a pressão por um Deadpool 4 deve crescer. Caso a recepção pareça mais morna, a tendência é que Reynolds e Marvel estudem formatos alternativos, com o anti-herói circulando por produções de outras equipes, sem carregar sozinho uma nova franquia.

O que pode mudar com um Deadpool 4

A possibilidade de um quarto filme solo muda o tabuleiro dentro e fora da tela. Do lado criativo, abre a chance de explorar com mais profundidade o arco emocional que o ator menciona, talvez encarando de frente o sonho impossível de aceitação e o medo de perder a graça ao conquistá-la.

Do lado industrial, um Deadpool 4 significa mais um título forte para o calendário de super-heróis, num momento em que o gênero busca renovar fôlego e linguagem. O histórico comercial da franquia mostra um público fiel, que segue discutindo Deadpool filme a filme, do primeiro longa à parceria com Wolverine, passando por curiosidades como o rosto do personagem sem máscara e as conexões com o restante do universo Marvel.

A decisão final, porém, depende de uma equação delicada entre saturação e desejo. Ryan Reynolds, hoje, parece disposto a caminhar nessa corda bamba. Admite planos, provoca o público com a possibilidade de “outro filme do Deadpool”, mas mantém a exigência de um arco que justifique a volta. O próximo passo deve passar pelo desempenho de Deadpool & Wolverine no Disney+ e pelas conversas, ainda discretas, nos bastidores da Marvel.

Se Deadpool 4 sair do campo das insinuações e for confirmado, a grande questão será se Wade Wilson conseguirá seguir como outsider irreverente em um universo cada vez mais interligado, sem perder o lugar de pedra no sapato dos super-heróis tradicionais.

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