O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, determinou a criação de um grupo de trabalho focado em realizar uma ampla auditoria nas verbas extras pagas a magistrados em todo o Brasil, os popularmente conhecidos “penduricalhos”.
A comissão terá um prazo de 180 dias (seis meses) para elaborar propostas de padronização, transparência e previsibilidade para as verbas remuneratórias e indenizatórias destinadas aos integrantes do Judiciário. A medida faz parte de um esforço conjunto do CNJ e do STF para enfrentar as graves distorções salariais que permitem, em diversos casos, que juízes e desembargadores recebam valores muito acima do teto constitucional.
O “Mapa das Parcelas” e o combate aos supersalários
A nova iniciativa dá continuidade a uma série de ações recentes dos tribunais superiores para tentar frear os supersalários:
- Março de 2026: O STF fixou limites mais rígidos para o pagamento de verbas indenizatórias e estabeleceu parâmetros para reduzir distorções.
- Maio de 2026: O CNJ aprovou a criação de um “contracheque único” para magistrados de todo o país, unificando em um só documento o salário-base, os benefícios e as verbas extras.
- Agora, o objetivo do grupo de trabalho é aprofundar essa discussão e avaliar mudanças legislativas para consolidar um sistema de remuneração uniforme.
Uma das primeiras missões da equipe será produzir um “Mapa de Parcelas Remuneratórias”. Esse levantamento vai identificar e classificar todas as verbas extras atualmente pagas aos juízes brasileiros, detalhando a natureza jurídica de cada uma e o seu impacto direto sobre o teto do funcionalismo público.
A justificativa: desigualdade e falta de transparência
Nos documentos que embasam a criação da força-tarefa, o ministro Edson Fachin destaca que a remuneração da magistratura virou um problema complexo porque os mais de 90 tribunais espalhados pelo país adotam interpretações jurídicas distintas sobre o que pode ou não ser pago.
Segundo Fachin, essa total falta de uniformidade contribuiu para a criação de um cenário marcado por desigualdades profundas entre magistrados de diferentes estados ou instâncias; insegurança jurídica sobre a legalidade dos pagamentos e eficiência na transparência, dificultando o controle social sobre o dinheiro público.