As articulações para a disputa do Governo de São Paulo nas eleições de 2026 já movimentam os bastidores. O PT tem defendido com força o nome do ex-governador Márcio França (PSB) para compor a chapa como vice de Fernando Haddad. O objetivo é formar uma frente robusta para enfrentar o atual governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Entre os petistas paulistas, a indicação de França para a vice-governadoria é tratada quase como “uma tendência” natural da aliança. No entanto, dentro do PSB, a conversa toma outro rumo: embora a sigla não descarte totalmente a possibilidade de aceitar o convite, o objetivo principal de França é viabilizar sua candidatura ao Senado Federal.
Os argumentos de França e o controle do PSB
Márcio França tem forte influência sobre os rumos de seu partido no estado, atualmente, o presidente do PSB paulista é o deputado estadual Caio França, seu filho. Para justificar sua preferência pela disputa ao Senado, o ex-governador tem se apoiado em três argumentos centrais:
- Bom trânsito municipal: Excelente relação construída com prefeitos do interior e do litoral.
- Experiência em áreas críticas: Contato direto e histórico de atuação em temas sensíveis para o eleitorado, como a segurança pública.
- Capital eleitoral: A avaliação interna de que, se repetir o desempenho de eleições passadas, tem votos suficientes para garantir a cadeira de senador.
O “recall” político de França vem de sua gestão como governador de São Paulo entre 2018 e 2019, quando assumiu o cargo após Geraldo Alckmin renunciar para concorrer à Presidência da República. Foi nesse período que o pessebista consolidou as pontes com os governos municipais que hoje sustentam sua base.
O obstáculo nas pesquisas e o histórico de 2022
Apesar da confiança de França em seu próprio desempenho, o caminho para o Senado promete ser concorrido. As pesquisas iniciais de intenção de voto mostram figuras de peso nacional liderando as sondagens para a vaga paulista, como a ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), e a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede).
Vale lembrar que a dobradinha entre PT e PSB no estado tem um histórico recente. Na última vez que Fernando Haddad concorreu ao governo de São Paulo, em 2022, a vaga de vice na chapa foi ocupada justamente por Lúcia França, esposa de Márcio França. Agora, o PT tenta repetir a fórmula, mas com o próprio ex-governador assumindo o posto.