Uma declaração bombástica agitou os bastidores da política fluminense nesta quarta-feira (22). Durante uma entrevista ao SBT News, o pré-candidato ao Governo do Rio de Janeiro, Antony Garotinho, fez uma previsão enigmática e ameaçadora sobre o cenário estadual, afirmando que uma reviravolta drástica ocorrerá já nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira.
O ex-governador se esquivou de fornecer detalhes específicos sobre a suposta operação para evitar acusações de vazamento de informações sigilosas, mas o tom adotado deixou as âncoras do jornal perplexas.
“Vocês vão ver o que vai acontecer amanhã no Rio. Podem acordar cedo. Vai ser a pá de cal nessa situação que já é grave e vai se tornar pior ainda”, garantiu Garotinho, em tom de profecia.
A rede de espionagem e o sistema de Israel
Questionado pelas jornalistas sobre como teria obtido acesso a informações tão privilegiadas — e até mesmo a vídeos sigilosos com mais de 12 minutos —, Garotinho não hesitou em expor sua proximidade com a estrutura de inteligência da segurança pública do Estado.
O pré-candidato relembrou seus tempos como administrador e secretário de segurança, gabando-se de ser o verdadeiro arquiteto do sistema de escutas do Rio de Janeiro:
- Tecnologia Importada: Revelou ter viajado a Israel no passado para comprar equipamentos modernos de interceptação telefônica;
- O Antecessor do Guardião: Citou a aquisição de um sistema chamado “Beedin”, que operava antes da chegada do popular software Guardião;
- Treinamento Pessoal: Confessou que, como ninguém sabia operar o maquinário, ele mesmo capacitou e treinou os policiais que até hoje ocupam os quadros do setor de inteligência.
“É normal que algumas informações cheguem até mim. Eu sou uma pessoa, graças a Deus, muito bem informada”, ironizou o ex-governador, justificando o vazamento de dados de dentro do aparato de segurança do próprio Estado.
Recado ao atual governador e “fontes protegidas”
Durante a entrevista, Garotinho aproveitou o espaço para mandar um recado direto ao atual governador, a quem se referiu como um “juiz/desembargador” inexperiente em administração pública. Segundo ele, o mandatário estaria sentado em cima de um vespeiro sem sequer ter mexido em 10% do problema. “Ou o senhor toma algumas atitudes já, ou isso vai cair no seu colo”, alertou.
Pressionado sobre a ilegalidade de acessar investigações e vídeos guardados sob sigilo de Justiça — a exemplo das gravações que ele próprio divulgou do ex-governador Sérgio Cabral na famosa “Farra dos Guardanapos” em Paris —, Garotinho adotou uma postura desafiadora. Ele comparou sua atuação à ética jornalística para se recusar a entregar os nomes dos policiais que vazam os documentos ao seu grupo político.
“O bom repórter tem que ter fonte. Eu nem no pau de arara digo quem são minhas fontes.”