A Polícia Federal (PF) formalizou a rejeição à nova proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O anúncio oficial da negativa deve ser entregue diretamente ao corpo jurídico do empresário nos próximos dias, consolidando o segundo veto das autoridades policiais aos termos de colaboração em um intervalo inferior a 30 dias.
A primeira tentativa de acordo havia sido rechaçada em maio deste ano, quando o Setor de Investigação de Desvios Financeiros da PF avaliou que o material apresentado por Vorcaro não trazia elementos inéditos e blindava fatos que a equipe de inteligência já havia mapeado. Segundo fontes ligadas às apurações, o roteiro se repetiu no novo anexo: embora o ex-banqueiro tenha detalhado dinâmicas de repasses envolvendo políticos e autoridades, ele não entregou novas provas documentais e evitou apontar crimes cometidos por seus parceiros comerciais diretos.
Estratégia de bastidores para ganhar tempo no STF
Para os delegados e investigadores responsáveis pelo caso, a insistência em apresentar propostas consideradas “vazias” indica uma manobra tática de Vorcaro. O objetivo seria estender os prazos processuais e forçar uma agenda de conveniência na expectativa de que o Supremo Tribunal Federal (STF) emita sinalizações favoráveis para afrouxar as medidas cautelares e restrições patrimoniais que pesam contra ele e seu núcleo familiar.
A movimentação coincide com o calendário de julgamentos da Suprema Corte, que deve retomar nesta semana a análise do pedido de liberdade de Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro, que segue cumprindo prisão preventiva.
Divisão de posturas entre PF e Procuradoria-Geral
Apesar do parecer negativo emitido pela Polícia Federal, os canais de negociação não estão juridicamente extintos. A legislação brasileira confere ao investigado o direito de reestruturar seus anexos e retornar à mesa de negociações com novos fatos. No entanto, integrantes da PF alertam que o “vai e vem” sem propostas robustas desgasta a credibilidade da defesa perante o juízo.
Por outro lado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) tem adotado uma linha de ação distinta diante do mesmo impasse:
Insatisfação de Bastidores: Os procuradores também consideraram os termos atuais insuficientes para o interesse público;
Postura de Negociação: Em vez de emitir uma recusa formal e romper as tratativas, a PGR preferiu manter o canal aberto, apostando na pressão institucional para que Vorcaro amplie o escopo das denúncias e entregue provas contra o topo da pirâmide financeira investigada.
Até o fechamento desta edição, a banca de advogados que representa Daniel Vorcaro não se manifestou sobre a decisão da PF.