Operação contra PCC no setor de combustíveis expõe fraudes bilionárias e uso de fintechs para lavagem de dinheiro

Ministério da Fazenda afirma que investigação revela esquema ligado à adulteração de combustíveis, sonegação fiscal e movimentação financeira do crime organizado
Redação NC News
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O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dário Durigan, afirmou nesta quinta-feira (28) que a Operação Fluxo Oculto escancarou a dimensão das fraudes e da infiltração do crime organizado no setor de combustíveis brasileiro. Segundo ele, as investigações revelaram um esquema sofisticado envolvendo adulteração de combustíveis, fintechs e lavagem bilionária de dinheiro atribuída ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Durante declaração sobre a operação, Durigan destacou que o esquema criminoso utilizava instituições financeiras digitais para ocultar a origem dos recursos movimentados pelas empresas investigadas.

“Outras seis fintechs foram identificadas dentro de um conjunto de organização criminosa, cujo início é a adulteração de combustível”, afirmou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda.

As investigações apontam que a fintech Smart Solutions teria movimentado aproximadamente R$ 1,2 bilhão entre os anos de 2022 e 2025. Segundo os investigadores, a empresa funcionaria como um dos principais canais financeiros utilizados pelo PCC para lavagem de dinheiro ligada à sonegação de impostos e fraudes no setor de combustíveis.

A Operação Fluxo Oculto é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, investigação que mira a chamada “máfia da nafta”, esquema suspeito de atuar na adulteração de combustíveis, emissão de notas fiscais fraudulentas e ocultação patrimonial.

Ao todo, cerca de 60 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em cinco estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo utilizava fintechs e instituições de pagamento para dificultar o rastreamento do dinheiro movimentado pelas empresas investigadas, principalmente as ligadas ao comércio de combustíveis.

As autoridades afirmam que a estrutura financeira criada pela organização criminosa permitia pulverizar recursos, ocultar patrimônio e realizar movimentações milionárias com aparência de legalidade.

Os sócios da Smart Solutions também passaram a ser alvo direto das investigações. A empresa foi criada em junho de 2020 e teria sede na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Segundo investigadores, organizações criminosas vêm ampliando presença em setores estratégicos da economia formal, especialmente em áreas com grande circulação financeira e alta complexidade tributária, como combustíveis e serviços financeiros digitais.

Em nota, a defesa do BK BANK informou que a instituição e seus gestores não foram alvo de mandados de busca e apreensão nem de medidas cautelares executadas durante a operação.

As investigações continuam e a expectativa das autoridades é aprofundar o rastreamento financeiro para identificar outros operadores, empresas e possíveis conexões internacionais ligadas ao esquema criminoso.

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