Júri do caso Henry Borel entra no sétimo dia e terá depoimento aguardado de babá que alertou sobre agressões

Testemunha considerada peça-chave deve ser ouvida neste domingo; julgamento de Jairinho e Monique Medeiros segue sob forte tensão no Rio
Redação NC News
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O julgamento pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, chega ao sétimo dia neste domingo (31), no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, com expectativa para um dos depoimentos mais aguardados do processo: o da babá Thayná Ferreira, que trabalhava na residência onde a criança vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o então vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho.

A previsão é que Thayná seja a primeira testemunha a ser ouvida na retomada da sessão. A informação foi confirmada pela advogada Juliana Nascimento, responsável pela representação da profissional durante o júri.

A babá é apontada pelas investigações como uma testemunha importante do caso. Mensagens enviadas por ela a Monique Medeiros antes da morte de Henry indicariam alertas sobre supostas agressões praticadas contra a criança dentro do apartamento do casal.

O sexto dia do julgamento foi marcado pelo depoimento de Bryan Medeiros da Costa e Silva, irmão de Monique. Durante sua oitiva, ele afirmou que um advogado ligado à defesa de Jairinho teria orientado sua irmã a sustentar uma versão falsa sobre os acontecimentos envolvendo a morte do menino.

Segundo Bryan, a recomendação seria para que Monique declarasse que Jairinho estava dormindo no momento em que as agressões teriam ocorrido. Ainda de acordo com o relato, a mãe de Henry resistia à narrativa porque teria de mentir perante as autoridades.

Durante o depoimento, Bryan também descreveu episódios que, segundo ele, demonstrariam o comportamento controlador do ex-vereador em relação a Monique. Ele afirmou que Jairinho tinha ciúmes excessivos, monitorava constantemente a companheira e chegou a fazê-la acreditar que seu celular estava sendo grampeado.

A testemunha também relatou que a irmã revelou posteriormente ter sido vítima de violência física. Conforme o depoimento, Jairinho teria chegado embriagado após um evento e a acordado com um enforcamento motivado por ciúmes.

O julgamento ainda deve avançar neste domingo com a oitiva de outras testemunhas consideradas estratégicas pelas equipes de acusação e defesa.

Na sexta-feira (29), o pai de Henry, Leniel Borel, prestou um dos depoimentos mais emocionantes do júri. Durante sua fala, ele relembrou os últimos momentos ao lado do filho e descreveu o último fim de semana que passou com a criança.

“Foi maravilhoso, se não fosse tão trágico”, afirmou ao recordar o período antes da morte do menino.

Leniel também contou que a separação entre ele e Monique havia ocorrido cerca de seis meses antes da morte de Henry. Segundo o relato, a mãe da criança já morava com Jairinho havia aproximadamente um mês e meio quando ocorreu a tragédia.

Antes do início do depoimento de Leniel, Jairinho deixou o plenário do tribunal. A saída aconteceu pouco antes da sequência das oitivas que integram a fase atual do julgamento.

Após a conclusão dos depoimentos das testemunhas, o processo seguirá para uma das etapas mais aguardadas do júri: o interrogatório dos réus. Nesse momento, Jairinho e Monique poderão apresentar suas versões sobre os fatos ocorridos em março de 2021.

Jairinho responde à acusação de ter cometido as agressões que resultaram em 23 lesões identificadas no corpo da criança e que teriam causado sua morte. Já Monique Medeiros é julgada por homicídio por omissão, sob a acusação de que tinha conhecimento das agressões sofridas pelo filho e não tomou medidas para impedir a violência.

Concluída a fase dos interrogatórios, acusação e defesa apresentarão os debates finais perante o Conselho de Sentença. A decisão caberá aos sete jurados responsáveis por definir se os réus serão condenados ou absolvidos.

Caso haja condenação com pena superior a 15 anos de prisão, a Justiça poderá determinar o cumprimento imediato da pena ainda dentro do plenário do tribunal.

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