A Justiça da Bolívia determinou a prisão do ex-presidente Evo Morales, intensificando a crise política que atinge o país. O mandado foi expedido pelo Ministério Público, que acusa o líder do Movimento ao Socialismo (MAS) de terrorismo, insurreição armada contra a segurança e a soberania do Estado, além de outros crimes ligados aos protestos que paralisaram a Bolívia entre maio e junho deste ano.
Segundo as autoridades, Morales teria incentivado manifestações e bloqueios de rodovias que duraram 53 dias e buscavam pressionar pela renúncia do presidente Rodrigo Paz. Os protestos interromperam o transporte em diversas regiões, provocaram prejuízos econômicos e terminaram com dezenas de mortes, de acordo com dados oficiais.
O que motivou a nova ordem de prisão?
De acordo com a investigação, Evo Morales é apontado como um dos principais articuladores dos bloqueios que praticamente paralisaram o país. Para o Ministério Público, as mobilizações extrapolaram o direito à manifestação e colocaram em risco a segurança e a soberania do Estado.
Além de terrorismo e insurreição armada, o ex-presidente é acusado de associação criminosa e atentados contra a ordem pública. Com a decisão judicial, a Polícia Boliviana está autorizada a cumprir o mandado em qualquer parte do território nacional.
O que diz Evo Morales?
Morales rejeita todas as acusações. Em pronunciamentos e publicações nas redes sociais, o ex-presidente afirma que o processo faz parte de uma perseguição política e tenta desviar a atenção da crise econômica enfrentada pela Bolívia.
Ele também sustenta que sempre atuou ao lado dos movimentos sociais e diz que não pretende abandonar a vida política.
Evo já era alvo de outro processo
Esta não é a primeira vez que Morales enfrenta problemas com a Justiça boliviana.
O ex-presidente já era alvo de uma ordem de prisão relacionada a uma investigação por supostos crimes envolvendo uma menor de idade. Ele nega as acusações e afirma que o processo também tem motivação política.
O que pode acontecer agora?
Com a nova decisão judicial, as forças de segurança poderão prender Evo Morales caso descubram seu paradeiro.
Apesar das acusações, o ex-presidente continua sendo uma das principais lideranças políticas da Bolívia, mantendo influência sobre setores do movimento cocaleiro e parte da base do MAS. Especialistas avaliam que uma eventual prisão pode elevar ainda mais a tensão política em um país que vive um cenário de forte polarização.
Entenda o contexto
Evo Morales governou a Bolívia entre 2006 e 2019 e tornou-se o primeiro presidente indígena da história do país. Após deixar o poder em meio à crise política de 2019, preservou influência sobre parte do Movimento ao Socialismo (MAS) e movimentos sociais ligados ao setor cocaleiro.
Nos últimos meses, a Bolívia foi palco de uma série de protestos, bloqueios de estradas e confrontos impulsionados pela crise política e econômica. O Ministério Público atribui a Morales a articulação das mobilizações, enquanto o ex-presidente afirma ser alvo de perseguição judicial. A nova ordem de prisão representa mais um capítulo da disputa política que mantém o país em estado de tensão.