Os eleitores peruanos retornam às urnas neste domingo (7) para decidir o futuro político do país no segundo turno das eleições presidenciais. A disputa coloca frente a frente duas visões opostas: a conservadora Keiko Fujimori, líder da direita no país, e Roberto Sánchez, candidato de esquerda.
No primeiro turno, realizado em 12 de abril, Fujimori saiu na frente com 17,2% dos votos, abrindo uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre Sánchez. Os resultados oficiais, no entanto, demoraram mais de um mês para serem confirmados devido à lentidão da apuração.
Agora, o cenário é de indefinição. Uma pesquisa do instituto Ipsos, divulgada no final de maio, aponta um empate técnico entre os dois candidatos: 38% das intenções de voto para a conservadora contra 35% para o representante da esquerda.
Quem é Keiko Fujimori?
Aos 50 anos, a administradora de empresas Keiko Fujimori carrega o peso de um dos sobrenomes mais controversos da América Latina. Nascida em Lima, ela é a filha mais velha do ex-presidente Alberto Fujimori (morto em 2024) e de Susana Higuchi.
Embora afirme que seu sonho de juventude era atuar no setor empresarial — o que a levou a fazer mestrado nos Estados Unidos —, Keiko tornou-se a herdeira política do fujimorismo.
A sombra do pai: Durante anos, a principal pauta política de Keiko foi a luta pela libertação de Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de prisão em 2009 por crimes de homicídio qualificado e lesões graves nos massacres de Barrios Altos e La Cantuta. O ex-presidente obteve liberdade em dezembro de 2023, após validação de um perdão humanitário pelo Tribunal Constitucional.
A insistência presidencial: Esta é a quarta vez consecutiva que Keiko disputa a Presidência do Peru, e, assim como nas eleições anteriores, ela conseguiu avançar para o segundo turno.
Quem é Roberto Sánchez?
Aos 57 anos, Roberto Sánchez construiu sua carreira como psicólogo social e gestor público. Formado pela Universidade Nacional de San Marcos, atuou como psicoterapeuta na década de 1990 e possui ampla experiência em consultorias e cargos no Ministério da Saúde.
Representante do partido Juntos por el Perú, Sánchez foi eleito para o Congresso em 2021 (com mandato até 2026) e tem uma trajetória intimamente ligada a outro ex-presidente polêmico.
O “castilismo”: Sánchez foi Ministro do Comércio Exterior e Turismo durante o mandato de Pedro Castillo (2021-2022). O candidato de esquerda não esconde suas alianças e se autodefine como o “candidato presidencial castilista”.
A pauta da campanha: Com o apoio explícito de Castillo, a plataforma política de Sánchez foca na conquista do voto da população rural. Seu principal objetivo declarado é reabilitar e soltar o ex-presidente, que atualmente cumpre prisão por acusações de conspiração para cometer rebelião (crimes que Castillo nega).