Basta dar o primeiro passo dentro do gramado para que Cristiano Ronaldo e Lionel Messi reescrevam as páginas douradas do esporte. Os dois maiores expoentes do futebol moderno estão prestes a se isolar como os primeiros atletas de linha da história a disputar seis edições do principal torneio de seleções do planeta (feito que o goleiro mexicano Guillermo Ochoa também pode igualar). Em solo norte-americano, as carreiras mais interligadas e vitoriosas das últimas décadas se preparam para o que deve ser, de forma definitiva, o último capítulo de sua rivalidade com camisas nacionais.
Há quase 20 anos, o português e o argentino monopolizam as atenções globais. Desde a emblemática decisão europeia de 2009 entre Barcelona e Manchester United, os astros empilharam conquistas absurdas: CR7 soma cinco títulos da Liga dos Campeões (quatro pelo Real Madrid e um pelo clube inglês) e Messi contabiliza quatro (todos pelo clube catalão). Nas premiações individuais, a soberania é idêntica, somando oito troféus de melhor do mundo para o argentino e cinco para o português.
O retrospecto entre as nações e o sonho do milésimo gol
A afirmação de ambos como heróis de seus povos exigiu resiliência. Cristiano Ronaldo faturou o inédito título continental por Portugal em 2016, enquanto Lionel Messi precisou esperar até 2021 para erguer o troféu das Américas, quebrando um longo jejum do seu país.
No grande torneio de nações, a balança pende para o lado do argentino. Messi amargou um vice-campeonato em 2014, mas coroou sua trajetória com o título mundial em 2022, quebrando uma fila histórica de 36 anos da Argentina. Além do troféu, ele soma 13 gols na história da competição, estando a apenas três de se igualar ao alemão Miroslav Klose como o maior artilheiro de todos os tempos do torneio.
Já Cristiano Ronaldo ostenta o recorde exclusivo de balançar as redes em cinco edições seguidas (2006, 2010, 2014, 2018 e 2022). Seu melhor desempenho coletivo foi logo na estreia, em 2006, quando os portugueses alcançaram a semifinal. Atualmente com oito gols acumulados no torneio, um título inédito na despedida seria a consagração máxima para o gênio de 41 anos.
No crepúsculo de suas jornadas nos gramados — CR7 defendendo o Al-Nassr, na Arábia Saudita, e Messi no Inter Miami, nos Estados Unidos — ambos alimentam a eletrizante corrida pelo gol de número 1.000 na carreira:
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Cristiano Ronaldo: Faltam 27 gols para a marca histórica.
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Lionel Messi: Faltam 90 gols para o milésimo.
Chaveamento desenha possível “tira-teima” histórico no mata-mata
O sorteio das chaves na América do Norte preparou cenários cinematográficos para os fãs. A Argentina lidera o Grupo J (ao lado de Argélia, Jordânia e Áustria), enquanto Portugal encabeça o Grupo K (enfrentando Colômbia, República Democrática do Congo e Uzbequistão).
Caso as duas potências confirmem o favoritismo e avancem na liderança isolada de seus respectivos grupos, os caminhos de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi vão se cruzar diretamente nas quartas de final do torneio. Por outro lado, caso um deles avance na segunda colocação, o destino pode reservar o maior “tira-teima” da história do futebol moderno para a grande final valendo o título. Um desfecho épico e sob medida para duas trajetórias que mudaram o esporte para sempre.