“Opa, faxina grátis?” Sim, mas com um detalhe: Os faxineiros chegam com câmeras na cabeça, gravando tudo em primeira pessoa enquanto limpam.
Como assim? O objetivo disso tudo não é de fato o serviço de limpeza, mas o vídeo gerado durante ele. As imagens são utilizadas para treinar robôs domésticos e sistemas de AI que, no futuro, precisam aprender a realizar tarefas físicas.
É como uma criança em fase de aprendizado: primeiro observa, depois tenta fazer sozinha. Nesse caso, o robô faz o mesmo, só que aprende com milhares de horas de vídeos gravados.
O mercado de treinamento de AI está aquecido. Além de startups, empresas como Uber e LinkedIn já entraram na corrida para fornecer dados que alimentam modelos. A diferença da Shift é que ela foca no mundo físico.
Não precisa ter vergonha da casa suja. A empresa afirma que detalhes sensíveis são borrados nos vídeos antes de qualquer uso. E, segundo a própria Shift, “ambientes mais desafiadores podem ser especialmente úteis”.
Mais gente percebeu isso: a DoorDash já paga entregadores para se filmarem fazendo tarefas domésticas e, na China, trabalhadores em centros estatais usam exoesqueletos e óculos VR para ensinar robôs a, por exemplo, abrir um micro-ondas.
No fundo, é uma troca. Você cede os dados da sua casa (e da sua zona) para ganhar uma faxina gratuita. A pergunta que fica é se os dados da sua casa valem só uma faxina…
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