A Organização Marítima Internacional (OMI), agência ligada à ONU, confirmou nesta terça-feira (23) a execução de uma operação em larga escala para escoar os navios comerciais que ficaram retidos no Golfo Pérsico. A força-tarefa tem como objetivo evacuar de forma segura cerca de 11.000 marinheiros que permaneceram isolados na região durante os três meses de conflito armado entre os Estados Unidos e o Irã.
A medida ocorre cerca de uma semana após a assinatura de um acordo de paz provisório entre as duas potências. Segundo o secretário-geral da OMI, Arsenio Dominguez, o sistema regular de tráfego não suportaria o volume acumulado de embarcações, tornando a intervenção excepcional estritamente necessária.
Durante o anúncio, Dominguez prestou solidariedade às vítimas do conflito e garantiu que o corredor marítimo passou por rigorosas vistorias. “Gostaria de prestar homenagem aos catorze marinheiros inocentes que perderam tragicamente a vida. Esta operação de grande escala será realizada em estreita cooperação com o Irã, Omã, todos os outros Estados costeiros da região, os Estados Unidos e a indústria marítima”, afirmou o secretário-geral.
A disputa diplomática pelo controle de Ormuz
Embora a passagem física dos navios esteja sendo liberada, o controle político e econômico do Estreito de Ormuz — rota vital por onde passa grande parte do petróleo mundial — transformou-se no novo palco de tensões pós-guerra.
O acordo de paz assinado na semana passada não definiu a governança da via de forma definitiva, abrindo espaço para narrativas conflitantes entre as partes envolvidas:
- O presidente Donald Trump afirma que a via está “totalmente aberta” e celebrou o trânsito de 19 milhões de barris de petróleo na segunda-feira como um “recorde histórico”.
- Já o Irã alega que há um limite diário de embarcações permitidas (variável conforme as condições) e ameaça fechar o estreito novamente em retaliação aos ataques de Israel no Líbano.
- O Irã e Omã anunciaram, em conjunto, estudos para uma futura administração compartilhada da passagem, insistindo na soberania regional e prevendo a cobrança de taxas pelos serviços prestados.
Mesmo com as divergências diplomáticas e a ameaça de novas restrições iranianas, sites de monitoramento marítimo já registraram na segunda-feira (22) o maior fluxo na região desde o início da guerra, com a passagem de pelo menos 35 grandes navios comerciais rumo ao oceano aberto.