Jaques Wagner diz que repasses do Master a empresa da família superam R$ 3,5 mi

Jaques Wagner comenta valores de repasses do Banco Master à empresa familiar em meio a investigação da Polícia Federal.
Redação NC News
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Alvo da 9ª fase da operação Compliance Zero e fora da liderança do governo no Senado desde 24/06/2026, Jaques Wagner (PT-BA) afirma que os valores pagos pelo Banco Master à empresa da família são ainda maiores que os R$ 3,5 milhões apontados pela Polícia Federal. O senador sustenta que todo o dinheiro tem origem legal, nega ter se beneficiado pessoalmente e tenta conter o desgaste político que atinge o Planalto.

Repasses ao entorno familiar e a disputa sobre os números

A PF investiga repasses de R$ 3,5 milhões feitos em nome de familiares de Wagner por empresas ligadas ao Banco Master. Nas apurações, o senador aparece como “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais”, segundo relatório enviado ao Supremo.

Wagner contesta o caráter ilícito dos pagamentos, mas não o montante. Em entrevista à Folha de S.Paulo, vai além e diz que a cifra usada pela PF está subestimada. Ele afirma que os R$ 3,5 milhões se referem apenas à multa por quebra de contrato e que houve outros repasses mensais à empresa da qual sua nora é sócia. “Tomei um susto porque não é pouca coisa, é muita coisa. Mas repare: é muita coisa legalmente, tem contrato”, diz. “O gozado é que se apegam aos 3,5 milhões de reais, que foi o rompimento. Mas eles antes disso, mês a mês, eles ganhavam. Não sei quando deu no total, mas foi uma grana boa.”

Ao admitir que o fluxo de recursos supera o valor apurado pelos investigadores, o senador tenta reforçar o argumento de que se trata de uma relação comercial formalizada, e não de propina disfarçada. A PF, porém, vê nesses contratos um possível canal de favorecimento indireto ao político, em troca de apoio a medidas de interesse do sistema financeiro no Congresso.

Apartamento de luxo e a relação com Augusto Lima

O caso do apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,4 milhões, é outro ponto sensível da investigação. A PF apura se o imóvel, associado ao ex-sócio do Banco Master Augusto Ferreira Lima, se encaixa no mesmo suposto esquema de vantagens em troca de atuação legislativa favorável, incluindo a chamada “Emenda Master”.

Wagner admite que a história do imóvel “é nebulosa”, mas insiste que a negociação ocorre “às claras”. Ele sustenta que o apartamento seria um presente para a filha, planejado quando não tinha recursos suficientes. Conta que pediu a Lima que garantisse a compra até que a família conseguisse vender outro bem e financiar o restante. “Pretendia dar um presente para minha filha nesse prédio que está em construção”, afirma. “Eu sei que é nebuloso, que todo mundo vai… Mas objetivamente, está no meu nome? Foi doada para mim alguma coisa? Nada. O caminho dos corruptos não é esse de fazer um sexo explícito.”

O senador procura afastar a ideia de contrapartida política. “O caminho dos corruptos não é esse”, repete, ao defender que a operação não encontra a estrutura típica de um esquema de propina. Investigadores, no entanto, enxergam justamente na informalidade e no uso de terceiros um padrão recorrente em casos de corrupção envolvendo políticos e empresários.

Da operação de busca ao afastamento da liderança

A ofensiva da PF chega ao núcleo político em 18/06/2026, com mandados de busca e apreensão nas residências de Wagner em Salvador e Brasília. A investigação aponta um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e atinge também outros parlamentares, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que teria recebido mais de R$ 400 mil em viagens ao exterior bancadas pelo ex-dono do Master, Daniel Vorcaro. A PF afirma que Vorcaro dava um “tratamento privilegiado” e “diferenciado” ao piauiense, com acomodações em hotéis de luxo.

Seis dias depois da operação, em 24/06, Wagner se reúne por cerca de duas horas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada. Na saída, anuncia em rede social que deixa a liderança do governo no Senado. “Acabei de ter uma ótima reunião com o Presidente @LulaOficial, uma conversa entre amigos, e decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal”, escreve.

O discurso tenta mostrar alinhamento político e controle da crise pelo Planalto. “Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha reeleição junto com Rui Costa para o Senado”, afirma o baiano. Em entrevistas, diz estar “absolutamente tranquilo” e insiste que “o caminho dos corruptos” não passa pelos contratos agora mirados pela PF.

Impacto no governo Lula e na política baiana

O afastamento de Wagner abre um flanco na articulação do governo no Senado em um momento de votações sensíveis. O Planalto perde um interlocutor experiente, com trânsito entre diferentes partidos e conhecimento de bastidores desde os anos em que ocupou cargos executivos na Bahia. A escolha de um novo líder precisa recompor rapidamente a base, sob risco de travar pautas econômicas e de costumes.

Na Bahia, onde Wagner constrói sua carreira política e ocupa cargos desde a redemocratização, o desgaste atinge um dos pilares da estrutura petista local. O senador é peça central nos projetos de reeleição de Lula, do governador Jerônimo Rodrigues e na construção de uma eventual nova chapa ao Senado com Rui Costa. A família do parlamentar, citada na investigação pelos repasses de R$ 3,5 milhões, enfrenta constrangimento direto, com exposição pública e risco jurídico.

No mercado financeiro, o caso aumenta a pressão sobre o Banco Master e sobre os negócios de seus ex-sócios. A suspeita de uso de instituições financeiras para abastecer esquemas de influência no Congresso reforça cobranças por transparência, controles internos e fiscalização do Banco Central. A operação Compliance Zero, que já provoca liquidações de instituições ligadas ao grupo, passa a simbolizar o embate entre autoridade reguladora, sistema bancário e poder político.

Próximos passos e cenário em aberto

A PF segue na análise de documentos apreendidos nas casas de Wagner e de Augusto Lima, além de quebras de sigilo bancário e fiscal. O inquérito pode resultar em pedidos de indiciamento e em novas fases da operação, com impacto sobre outros parlamentares e empresários. No Supremo, ministros avaliam solicitações de medidas cautelares e aprofundamento das diligências.

No campo político, Lula precisa nomear um novo líder no Senado capaz de recompor a base e conter a erosão de apoio. O PT tenta blindar o projeto eleitoral na Bahia e no plano nacional, enquanto a oposição explora o caso como prova de promessas frustradas de mudança na relação entre governo e bancos. A narrativa de Wagner, que admite valores até superiores aos apurados, mas insiste na legalidade e em contratos formais, será testada à medida que a investigação revelar detalhes sobre a origem, a destinação e a contrapartida desses recursos.

O desfecho do caso deve influenciar alianças, candidaturas e o debate sobre ética no Legislativo nos próximos meses. Entre a versão de um negócio regular de consultoria e a tese de um esquema de favorecimento político, o futuro de Jaques Wagner — e a capacidade de o governo Lula manter coesa a base no Senado — permanece em aberto, pendendo agora dos próximos movimentos da Polícia Federal e do Judiciário.

O que exatamente Jaques Wagner admite sobre os pagamentos do Master?

Ele afirma que os R$ 3,5 milhões citados pela PF se referem à quebra de contrato e que, antes disso, o Banco Master pagava valores mensais à empresa da família, somando “uma grana boa”, mas diz que tudo é legal e contratual.

Por que Wagner deixou a liderança do governo no Senado?

O senador saiu em 24/06/2026, após reunião com Lula, para focar na defesa e na campanha eleitoral, tentando reduzir o desgaste político ao governo em meio à investigação da PF.

Qual é a suspeita envolvendo o apartamento de R$ 2,4 milhões em Salvador?

A PF apura se o imóvel ligado ao ex-sócio do Banco Master Augusto Lima integra um esquema de vantagens concedidas a Wagner em troca de apoio a interesses do banco no Congresso. O senador diz que o apartamento seria um presente para a filha e nega contrapartida política.


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