Caiado cobra STF e pede fim do sigilo nos casos Master e INSS

Candidato do PSD afirma que eleitores precisam conhecer o conteúdo das investigações antes de escolher o próximo presidente; presidenciável também voltou a defender o afastamento de Alexandre de Moraes.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) defendeu nesta quinta-feira (3) que o Supremo Tribunal Federal (STF) retire o sigilo de investigações relacionadas ao Banco Master, às fraudes no INSS e à produção do filme Dark Horse. Segundo ele, os eleitores precisam ter acesso às informações antes das eleições de outubro.

A declaração foi dada durante uma sabatina promovida pelo jornal O Estado de S. Paulo, na capital paulista. Caiado também voltou a defender o afastamento do ministro Alexandre de Moraes do STF e apresentou propostas relacionadas à segurança pública, ao feminicídio e à redução da escala de trabalho 6×1.

Leia também:

Caiado anuncia Ratinho Junior para Ministério da Infraestrutura

Entenda o que aconteceu

Caiado cobrou do Supremo maior transparência sobre investigações que ganharam espaço no debate político durante a campanha presidencial. Para o candidato, manter informações sob sigilo pode impedir que o eleitor conheça fatos relevantes antes de decidir seu voto.

“É importante que o Supremo tenha a responsabilidade de poder quebrar o sigilo de todas essas denúncias que existem, de todas as operações que existem, para que a democracia não sofra um golpe.”

O presidenciável citou especificamente as apurações relacionadas ao Banco Master, às fraudes contra beneficiários do INSS e à produção do filme Dark Horse.

Caiado volta a pedir afastamento de Moraes

Durante a sabatina, Caiado também voltou a defender que Alexandre de Moraes deixe o Supremo. Na avaliação do candidato, a permanência do ministro na Corte “desestabiliza a democracia brasileira”.

A pressão política sobre Moraes aumentou após a divulgação de informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso Banco Master.

O material analisado pela Polícia Federal contém registros de interações com um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, além de referências a possíveis encontros presenciais. O próprio relatório, porém, não permite concluir apenas pelo nome salvo no aparelho que o número pertencia efetivamente ao ministro.

Caiado já havia utilizado a divulgação dessas informações para defender publicamente o afastamento de Moraes.

Presidenciável também endurece discurso sobre feminicídio

Outro tema abordado por Caiado foi o combate à violência contra a mulher. O candidato defendeu o aumento das penas aplicadas aos condenados por feminicídio.

Entre as propostas apresentadas estão dobrar a pena pelo crime e permitir a progressão de regime somente depois do cumprimento de 90% da condenação.

Caiado também defendeu o confisco de bens dos agressores, com a transferência dos recursos para as vítimas ou para seus filhos.

 

“O feminicídio é uma chaga para a qual nós precisamos de uma medida extremamente drástica.”

O candidato afirmou que pretende combinar medidas preventivas, como proteção às vítimas, com punições mais duras para os condenados.

Caiado é contra câmeras corporais obrigatórias

Na área da segurança pública, Caiado também se posicionou contra uma determinação nacional para que policiais utilizem câmeras corporais.

Segundo o candidato, cada governador deve ter autonomia para definir a política adotada pelas forças de segurança do próprio estado.

Caiado afirmou que considera mais importante fortalecer as corregedorias das polícias, que, segundo ele, precisam atuar de maneira rigorosa, independente e qualificada na fiscalização dos agentes.

Redução da escala 6×1 teria período de transição

Caiado também afirmou ser favorável à redução da escala de trabalho 6×1, mas defendeu que uma eventual mudança seja implementada gradualmente.

Para o candidato, é necessário avaliar os efeitos econômicos da proposta e estabelecer um período de transição para empresas e trabalhadores.

Ele ainda criticou o calendário de discussão da medida no Congresso e afirmou que o tema não deveria ser conduzido com objetivo eleitoral.

Veja também:

Caiado pede afastamento imediato de Moraes após revelação de conversas com Vorcaro

Candidato fala sobre relação com os Estados Unidos

Ao ser questionado sobre as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, Caiado defendeu uma política de negociação baseada em diálogo e respeito.

O candidato afirmou que o Brasil deveria utilizar recursos estratégicos, como nióbio e terras raras, para negociar transferência de tecnologia e investimentos.

Caiado também criticou confrontos retóricos com o governo americano e defendeu uma relação comercial voltada à inovação e à agregação de valor às matérias-primas brasileiras.

Entenda o contexto

O pedido de Caiado ocorre em meio ao crescimento da repercussão política das investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS durante a campanha presidencial de 2026.

O candidato já havia solicitado anteriormente que o STF retirasse o sigilo de investigações envolvendo esses casos. O argumento apresentado por Caiado é que eventuais informações envolvendo candidatos precisam ser conhecidas pelos eleitores antes da votação.

No caso Master, documentos extraídos do celular de Daniel Vorcaro passaram a alimentar uma série de questionamentos políticos após a retirada do sigilo de parte do material. As informações encontradas são elementos de investigação e, isoladamente, não representam comprovação de eventual prática criminosa pelas pessoas mencionadas.

Com o primeiro turno marcado para outubro, Caiado tenta ampliar sua presença na disputa presidencial e utiliza temas ligados às investigações, à segurança pública e à relação entre os Poderes para diferenciar sua candidatura dos principais adversários.

Mais lidas do NC News:

Augusto Cury defende semipresidencialismo e mandato de 8 anos para ministros do STF

Imprensa internacional chama mensagens de Vorcaro e Moraes de “bomba atômica”

Vorcaro prestou depoimento a auxiliar de André Mendonça sem presença da PF

Carregar Comentários