O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais nomes da direita bolsonarista no Congresso, apareceu nesta quinta-feira (3) em áudios que mostram uma relação mais próxima do que ele já havia admitido publicamente com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. As mensagens, enviadas em 30 de março de 2025, revelam o parlamentar pedindo ajuda ao banqueiro para intermediar uma negociação envolvendo um ativo minerário.
Horas depois da divulgação, Nikolas gravou um vídeo respondendo ponto a ponto ao conteúdo vazado.
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O que mostram os áudios divulgados
Segundo a apuração que revelou o conteúdo, Nikolas trata Vorcaro por apelidos afetuosos nas mensagens e chega a dizer que gostaria de ter mais proximidade com ele. Em um dos trechos divulgados, o deputado escreve: “Ei Dani, tudo bom? Como você está?”
O pedido girava em torno de Thiago Rodrigues de Faria, apresentado por Nikolas como amigo, advogado e ex-assessor de seu gabinete. Segundo as mensagens, Faria tinha um ativo minerário parado e precisava de apoio para avançar na negociação. Nikolas fez a ponte entre os dois e encaminhou o contato de Faria a Vorcaro, que teria respondido poucos minutos depois — resposta que não veio a público na íntegra por ter sido enviada em formato de visualização única.
A explicação de Nikolas sobre a origem do contato
No vídeo, o deputado afirma que o contato com Vorcaro surgiu em 2023, por indicação do pastor André Valadão, e que só soube depois se tratar do dono do Banco Master. Ele nega ter chamado o banqueiro de “lindão” e classifica essa informação como inverídica.
Nikolas também relembra que, em abril de 2024, publicou um pedido de acesso à informação questionando o financiamento de um evento em Londres que reuniu ministros do STF e do STJ e um diretor da Polícia Federal — cobrança que, segundo ele, desagradou Vorcaro na época.
Deputado nega qualquer benefício e ironiza comparação com Moraes
O parlamentar reconhece que Vorcaro ajudou com transporte para eventos de campanha de Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, mas insiste que, naquele momento, não havia indícios de irregularidades ligadas ao banqueiro. Ele nega ter recebido dinheiro, contratos ou qualquer vantagem de Vorcaro e afirma que o episódio está sendo usado como cortina de fumaça diante da crise envolvendo o Banco Master e o Judiciário.
Na resposta, Nikolas contrapõe sua situação à de outras autoridades citadas nas investigações sobre Vorcaro — entre elas o ministro Alexandre de Moraes, do STF — e nega qualquer tipo de proximidade equivalente à que essas figuras teriam tido com o banqueiro.
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Entenda o contexto
O nome de Vorcaro está no centro de uma série de investigações após a quebra do Banco Master, com mensagens e relatórios que têm sido usados para apontar supostos vínculos entre o banqueiro e autoridades públicas — incluindo o ministro Alexandre de Moraes, cujo caso está sendo avaliado pela presidência do STF para eventual julgamento em plenário. O deputado já havia se manifestado sobre o assunto em março, quando negou publicamente ter mantido contato relevante com Vorcaro, mas admitiu a possibilidade de troca de mensagens por conta de um amigo em comum.
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