Carlo Ancelotti segura Endrick no banco durante o Mundial de Seleções de 2026 e vê sua escalação virar piada nacional desde a estreia, em 13 de junho. Em menos de duas semanas, a suposta “Endrickfobia” do técnico transforma a bronca da torcida em um dos memes mais fortes do torneio.
Da bronca à piada nacional
O estopim vem na estreia do Brasil, no empate com Marrocos, quando o atacante de 19 anos nem sai do banco. A repetição do roteiro contra o Haiti, com o jovem entrando apenas aos 18 minutos do segundo tempo, reforça a ideia de que Ancelotti evita ao máximo escalá-lo desde o início.
A frustração encontra terreno fértil nas redes. Torcedores lembram que o italiano já havia sido acusado de segurar o garoto no Real Madrid. A velha queixa renasce em versão remixada, agora com a Seleção em campo e um Mundial em jogo.
O meme ganha um nome simples e cruel: “Endrickfobia”. A palavra se espalha em montagens, montanhas de prints e vídeos recortados de entrevistas do técnico, sempre editados como se ele fugisse do atacante a qualquer custo.
A internet inventa um novo personagem
No X, antigo Twitter, o diálogo imaginário vira formato padrão. Sempre começa com uma frase atribuída a Endrick e termina com a reação silenciosa de Ancelotti em vídeo ou foto. “Se tocar a corda, vai ter que colocar Endrick titular”, diz um dos posts mais repetidos.
Outro exagera a situação no cotidiano: “Endrick: Quero minha pizza sem cebola”. A imagem seguinte mostra o treinador virando o rosto, como se até o pedido do jantar fosse desculpa para não usar o camisa 19.
As versões mais radicais colocam o italiano em enredos absurdos. “Coloque o Endrick ou participe de um concurso de dança”, ameaça um meme, sobre um vídeo em que Ancelotti é editado dançando desengonçado. Em francês, um usuário sintetiza a narrativa: “Richarlison est bloqué au sommet de l’Everest, on va devoir faire jouer Endrick”. A frase vem acompanhada de um gif do técnico em desespero, como se a última alternativa fosse, enfim, escalar o jovem.
O tom é sempre o mesmo: qualquer coisa, por mais improvável, seria mais aceitável para Ancelotti do que dar a titularidade ao atacante. A fórmula funciona tão bem que se repete em inglês, espanhol e italiano, sem perder o sentido.
Do Brasil ao The New York Times
A piada deixa de ser apenas interna quando a mídia estrangeira entra na história. O The New York Times dedica texto aos brasileiros que transformam o banco de reservas em comédia global. O jornal chama o formato de “sensação viral da Copa” e celebra o humor dos torcedores.
“Eles fazem a gente rir e fazem a gente chorar, muitas vezes ao mesmo tempo. Não seria um grande torneio sem eles”, registra o artigo. O reconhecimento chancela o meme como fenômeno cultural do Mundial, não só da torcida brasileira.
O rótulo de exportação se reforça com a adesão de perfis de clubes europeus e de empresas. O Málaga CF, da Espanha, posta um vídeo de jogadores e torcida em festa com a legenda: “Endrick: No me gustaría jugar el año que viene contra el Málaga CF. Ancelotti:”. O restante é a comemoração em massa, sugerindo que o técnico vibra justamente com a chance de poupar o atacante contra o clube andaluz no futuro.
Até a Ryanair, companhia aérea irlandesa que costuma surfar ondas de humor futebolístico, entra na brincadeira. Em um dos posts, simula Endrick pedindo assento na janela e sugere que nem numa viagem de avião Ancelotti deixaria o jovem ao seu lado.
Pressão em campo e fora dele
A maré de memes não muda apenas o ambiente virtual. A cada partida, a presença de Endrick no banco aciona em tempo real uma fábrica de piadas, mas também alimenta questionamentos esportivos. O atacante soma quatro gols em 18 jogos pela Seleção, quase sempre entrando no decorrer das partidas. Todos os gols saem assim, como suplente, inclusive o último antes do torneio, na virada contra o Egito.
Contra o Haiti, no Mundial, o padrão se repete. O jovem entra apenas na segunda metade do segundo tempo, chega a marcar, mas o gol é anulado por impedimento. Ao fim da partida, segura um misto de frustração e euforia. “Joguei a Copa, realizei meu sonho”, diz, ainda assim, ao deixar o gramado.
Ancelotti escolhe o silêncio. Após a estreia, encerra a entrevista coletiva sem comentar nomes. Diz que falará “sobre a equipe, não sobre jogadores individualmente”. O afastamento público reforça a construção da figura do técnico carrancudo dos memes, mesmo que a decisão seja mais tática do que pessoal.
Entre analistas, cresce a leitura de que a relutância em promover o atacante ao time titular mexe com a própria hierarquia do elenco. O treinador preserva veteranos e prefere lançar o garoto como arma de segundo tempo. A internet, porém, lê o gesto como resistência irracional e devolve em forma de piada.
Quando o meme vira estratégia e risco
O caso impacta mais gente do que o técnico e o jogador. A Seleção ganha visibilidade extra num Mundial em que a disputa de atenção é tão intensa quanto a dos gramados. O departamento de comunicação vê os índices de menções explodirem nas semanas entre 13 e 25 de junho.
Para Endrick, a exposição dobra o peso de cada minuto em campo. Aos 19 anos, ele já representa uma promessa esportiva e um produto global, com contrato no Real Madrid e expectativa de protagonismo. Cada meme o coloca ainda mais no centro das conversas, carregando junto a imagem da Seleção.
O clube espanhol que o detém observa à distância. Quanto mais o nome circula em timelines e reportagens, maior tende a ser o interesse comercial e esportivo em torno do atacante. O Málaga CF aproveita a onda para se associar ao humor, em busca de alcance internacional que dificilmente conseguiria apenas dentro de campo.
Empresas como a Ryanair agem de forma semelhante. Interagem com a narrativa em busca de engajamento rápido, medido em curtidas, compartilhamentos e novos seguidores. Transformam a irritação da torcida brasileira em campanha de marketing de custo baixo e impacto alto.
Para Ancelotti, o saldo é mais delicado. A imagem de treinador sábio, consolidada em décadas de carreira, convive agora com a caricatura do técnico que evita um jovem talento a qualquer preço. Se a Seleção tiver desempenho abaixo do esperado, a “Endrickfobia” tende a virar argumento pronto contra suas escolhas.
O próximo jogo da piada
O Brasil volta a campo contra a Escócia em 24 de junho de 2026, às 19h. A partida vale pontos no torneio e, na prática, vale também um teste de fogo para a narrativa que domina os últimos dias.
Se o treinador mantiver o atacante no banco, a avalanche de posts deve crescer e se sofisticar ainda mais. Se optar por escalá-lo desde o início, a internet já se prepara para o capítulo seguinte: o meme sobre o dia em que a “Endrickfobia” finalmente cede.
Entre a necessidade de vencer e a pressão por entreter, a Seleção entra em campo cercada por timelines. O Mundial confirma uma tendência que não para de se reforçar: decisões técnicas já não se discutem apenas em coletivas, mas em tempo real, no feed de memes que hoje molda a narrativa do futebol tanto quanto a bola rolando.
O que significa o meme?
O meme da “Endrickfobia” ironiza a ideia de que Carlo Ancelotti evita escalar Endrick como titular a qualquer custo, mesmo quando o cenário parece pedir o atacante em campo.
O que é um meme?
Meme é um conteúdo replicável, geralmente humorístico, que se espalha rapidamente nas redes — pode ser imagem, frase, vídeo ou combinação disso, adaptado e remixado por muita gente.
Qual o meme mais popular?
Entre os mais compartilhados está o modelo de diálogo imaginário, com frases como “Se tocar a corda, vai ter que colocar Endrick titular” seguidas de reações de Ancelotti em vídeo ou foto.
O que é meme exemplo?
Um exemplo ligado ao caso é: “Endrick: Quero minha pizza sem cebola”. Ancelotti aparece em seguida, num vídeo virando o rosto, como se evitasse o pedido e, por tabela, o próprio jogador.