Chico da Costa caminha para deixar o Cruzeiro nos próximos meses, em negociação que aponta para o futebol do Oriente Médio em 2026. A saída do centroavante abre espaço definitivo para Kaio Jorge assumir o protagonismo do ataque celeste nesta temporada.
Reviravolta no planejamento ofensivo
A movimentação resume a guinada no planejamento traçado ainda sob Tite, que deixa o clube em março, e hoje conduzido por Artur Jorge. O atacante gaúcho, contratado no início do ano por indicação direta do antigo treinador, não se firma e perde espaço desde a mudança no comando.
Entre diretoria e estafe, há consenso de que o ciclo de Chico em Belo Horizonte se aproxima do fim. O clube não trabalha com pressa, mas busca uma saída considerada boa financeiramente e esportivamente. Segundo o Diário do Comércio, “Chico da Costa não faz parte dos planos do técnico Artur Jorge para a sequência da temporada”.
Na prática, a definição do futuro de Chico reorganiza a hierarquia do setor ofensivo. Kaio Jorge, camisa 91, já tratado internamente como principal referência, passa a concentrar ainda mais responsabilidade em um time que tenta recuperar consistência após a troca de comando.
Da aposta de Tite à perda de espaço
Francisco da Costa Aragão chega à Toca da Raposa II no início de 2026 como resposta a uma demanda específica de Tite. O treinador, relata o Diário do Comércio, “buscava um centroavante com características diferentes das de Kaio Jorge e Néiser Villarreal”.
A ideia era ter um jogador forte fisicamente, capaz de atuar de costas para a defesa, segurar a bola na frente, participar de tabelas curtas e atacar bolas aéreas na área. Perfil que Chico exibira no Mirassol e que convence a diretoria a investir, com contrato válido até o fim de 2027.
Dentro de campo, o encaixe não acontece. Em uma temporada de 37 partidas até aqui, o atacante participa de 14 jogos, começa como titular em apenas cinco e termina o período sem um gol sequer. Os números esfriam a confiança, primeiro com Tite, depois com Artur Jorge.
O histórico de Chico ajuda a explicar a aposta. Natural de Taquari, no interior gaúcho, ele passa por Grêmio e Athletico Paranaense na base, roda por clubes do interior e constrói boa parte da carreira no exterior. Tem passagens por Inter Playa del Carmen, no México, Bolívar, na Bolívia, Atlético Nacional, na Colômbia, e Cerro Porteño, no Paraguai. O auge vem no Bolívar, entre 2022 e 2023, quando se torna um dos destaques do time e entra no radar celeste.
A passagem por Belo Horizonte, porém, não repete o melhor momento da carreira. Com média baixa de minutos em campo, Chico perde tração na briga por espaço, enquanto o time passa por ajustes constantes após a saída de Tite.
Kaio Jorge assume o centro do palco
No vácuo deixado pelo fracasso da aposta em Chico, Kaio Jorge se consolida. Em 2026, o atacante soma 12 gols e duas assistências em 26 jogos, números que sustentam o status de referência técnica do ataque. Os problemas físicos do primeiro semestre atrapalham a sequência, mas não impedem o protagonismo.
A reapresentação do elenco na Toca da Raposa II, em 22 de maio, marca o início da intertemporada sob comando de Artur Jorge. Kaio segue a rotina intensa de treinos, sem concentração em tempo integral no centro de treinamento, e vira foco do trabalho para potencializar o poder de fogo do time.
Longe do gramado, o camisa 91 usa a pausa para reforçar a conexão com a torcida e com a cena cultural da capital. Em 24 de maio, ele aparece no show do rapper Matuê, em Belo Horizonte, em evento temático em dia de jogo da seleção brasileira no Mundial de Seleções. No camarim, presenteia o artista com uma camisa do Cruzeiro e registra o encontro nas redes sociais.
Segundo a Rádio Itatiaia, “Kaio Jorge é fã de rap e, constantemente, usa músicas dos gêneros para embalar treinos e publicações na web”. A imagem do atacante ao lado de um dos principais nomes do trap brasileiro reforça a tentativa de dialogar com um público jovem e urbano, parte importante da base de torcedores do clube.
Quem ganha e quem perde com a saída de Chico
Internamente, o Cruzeiro lê a iminente transferência de Chico da Costa como um ajuste necessário. O jogador ocupa espaço na folha salarial até 2027 e não entrega retorno técnico proporcional. Uma venda para o Oriente Médio, ainda que sem valores divulgados, tende a aliviar custos e abrir margem para reforços em outras posições.
Para a comissão técnica, a mudança simplifica o desenho ofensivo. Sem a necessidade de equilibrar perfis tão distintos de centroavante, Artur Jorge pode construir o modelo de jogo ao redor de Kaio Jorge, priorizando mobilidade, ataque ao espaço e combinações rápidas pelo chão. O desafio passa a ser preservar a condição física do camisa 91, que vira ainda mais fundamental.
A torcida, que não chega a criar vínculo forte com Chico, reage com naturalidade à provável saída. A expectativa se desloca para o desempenho de Kaio na segunda metade do ano e para eventuais reforços que possam dividir o protagonismo ou oferecer alternativa de estilo à referência atual.
Para o próprio Chico, o Oriente Médio representa a chance de retomar minutos, voltar a marcar e aproveitar um mercado que costuma oferecer contratos financeiramente atrativos para jogadores brasileiros em busca de reposicionamento na carreira.
Um ataque em reconstrução e novas interrogações
O processo de transição no ataque do Cruzeiro ainda depende da conclusão das negociações. O clube não coloca data para o desfecho, mas trata a saída como cenário mais provável na janela atual. Até lá, Chico segue treinando enquanto seus representantes buscam acordo definitivo.
Artur Jorge, por sua vez, trabalha para que a dependência de Kaio Jorge não se transforme em problema. O treinador tenta criar alternativas de movimentação, aproximar meio-campistas e pontas e reduzir a previsibilidade do time, ao mesmo tempo em que protege seu principal definidor.
O futuro próximo também reserva outra interrogação: se Kaio mantiver a média de gols, superar as questões físicas e ampliar sua exposição dentro e fora de campo, o Cruzeiro terá fôlego financeiro e esportivo para resistir a propostas do exterior ou de rivais domésticos que acompanham de perto seus números em plataformas como o Transfermarkt? Por ora, o clube aposta que o melhor lugar para ele em 2026 continua sendo a Toca da Raposa II.
Qual o salário de Kaio Jorge?
O Cruzeiro e o estafe de Kaio Jorge não divulgam oficialmente o valor do salário. O clube mantém em sigilo as cifras do contrato do atacante.
Time do coração de Kaio Jorge?
Kaio Jorge não torna público um time do coração. Nas entrevistas recentes, ele centra o discurso na identificação atual com o Cruzeiro.
Onde Kaio Jorge vai jogar em 2026?
Kaio Jorge atua pelo Cruzeiro na temporada 2026. Não há confirmação de transferência para outro clube neste momento.
Qual time Kaio Jorge jogou antes do Cruzeiro?
O contexto fornecido não informa em quais clubes Kaio Jorge atuou antes de chegar ao Cruzeiro.