Yago Dora confirma o favoritismo nesta sexta-feira (26) e torna-se bicampeão da etapa de Saquarema da Liga Mundial de Surfe (WSL). O atual campeão mundial vence o italiano Leonardo Fioravanti na decisão, na Praia de Itaúna, por 15,00 a 13,37 pontos, e recoloca pressão máxima na briga pelo título da temporada 2026.
Frio, chuva e aéreos que mudam o ranking
O dia amanhece frio e chuvoso em Saquarema, mas a temperatura na areia sobe assim que Yago entra no mar. A torcida lota os arredores do pico principal de Itaúna e transforma a sexta etapa da WSL em um estádio a céu aberto, apesar do vento, da chuva fina e do mar mexido.
Na prática, a vitória do brasileiro não vale só um troféu. O resultado mantém o país no centro do surfe mundial, garante o bicampeonato de Yago em casa e sustenta uma disputa ponto a ponto com Fioravanti pelo topo do ranking. O italiano assume a liderança geral, mas sente a sombra do brasileiro logo atrás.
A construção do bicampeonato em Itaúna
Horas antes da consagração, Yago Dora precisa virar uma semifinal complicada contra o australiano Ethan Ewing. O mar oferece direitas mais consistentes no começo da bateria, e Ewing larga na frente com 5,17 e 6,50, abrindo vantagem. A reação vem pela base que consagrou Yago no circuito: as esquerdas e os aéreos.
Em uma onda da série, o brasileiro encaixa manobras fortes e recebe 8,17 dos juízes. Depois, melhora o somatório com 5,83 e, mais tarde, com 6,13, fechando a disputa em 14,30 a 11,67. Ewing, preso às direitas que param de aparecer, não encontra resposta. O bicampeonato em Saquarema deixa de ser possibilidade distante e vira manchete provável. “Yago Dora vai brigar pelo seu bicampeonato na etapa de Saquarema da Liga Mundial de Surfe (WSL)”, já antecipava o site Olimpíada Todo Dia antes da final.
Na outra semifinal, a festa quase vira completa para o público local. João Chianca, o Chumbinho, conhece Itaúna como poucos, mas esbarra em um Fioravanti preciso. O italiano soma 7,00 e 6,00, fecha 13,00 pontos e segura a reação do brasileiro, que consegue 6,27 e precisa de uma nota alta que não vem. O caminho para a liderança mundial se abre ali para o surfista de 26 anos.
A final que coloca Brasil e Itália lado a lado
A decisão masculina começa com o mesmo roteiro da semifinal de Fioravanti. “A estratégia do italiano, o primeiro da história do país a liderar um ranking, foi parecida com a da semifinal”, descreve o ge. Ele entra cedo em ondas menores, monta um somatório com 5,67 e 2,50, chega a 8,17 pontos e pressiona Yago a responder.
A resposta vem em forma de voo. Depois de 13 minutos, o brasileiro encontra uma esquerda da série, projeta o corpo no ar, completa um aéreo limpo e levanta a praia. “Com grande aéreo, Yago Dora tira 8.50 e assume a liderança da final em Saquarema”, registra o ge. A nota muda a bateria e o clima na areia.
Minutos depois, Yago volta a decolar. Outro aéreo, outra explosão de gritos na arquibancada natural de Itaúna. Os juízes dão 6,50, e o somatório do brasileiro chega a 15,00 pontos. A partir dali, a matemática joga a favor do campeão mundial. Fioravanti passa a precisar de 9,33 para virar. O italiano não desiste. A cinco minutos do fim, encaixa um aéreo sem rotação completa, mas com linha agressiva, e tira 7,50. O placar encurta para 15,00 a 13,37, e a virada passa a depender de mais 7,51 em uma única onda.
Yago fecha as portas com leitura fina de prioridade, o critério que define quem tem direito à próxima onda boa. “O brasileiro soube jogar com o regulamento, segurou a prioridade nas ondas, e se sagrou campeão da etapa”, resume a Rádio Itatiaia. Fioravanti espera, tenta se posicionar, mas nenhuma onda com potencial aparece antes da sirene final. O mar confirma o que a arquibancada já sente: Saquarema continua sendo território de Yago Dora.
Ranking embolado e efeito econômico em Saquarema
A etapa brasileira reorganiza o topo do surfe mundial. “No ranking mundial, Fioravanti está com 33,930 pontos, contra 33,845 de Yago Dora”, registra o ge. A diferença é de apenas 85 pontos, margem mínima em um circuito em que uma bateria decidida nos detalhes pode inverter a tabela. Ítalo Ferreira aparece em terceiro, com 32.950 pontos, fechando um trio que coloca o país em duas das três primeiras posições.
O impacto vai além da classificação. A narrativa de rivalidade entre o italiano estreante na liderança e o brasileiro vencedor em casa interessa à WSL, aos patrocinadores e ao público, que acompanha transmissões em plataformas como WSL ao vivo no YouTube, na WSL em português e nos canais tradicionais. Para Saquarema, a conta é direta: mesmo com chuva e temperatura baixa, a cidade recebe milhares de turistas, lota pousadas, bares e restaurantes e reforça a imagem de capital nacional do surfe.
O protagonismo brasileiro também se reflete na base. Com cinco surfistas do país entre os seis primeiros do ranking masculino, a etapa mostra que a chamada “tempestade brasileira” ainda rende frutos. A pressão sobre nomes como João Chianca, Miguel Pupo e Samuel, eliminados antes da final, cresce, mas o circuito confirma que a disputa interna é tão intensa quanto a internacional.
Renovação no feminino com vitória americana
No feminino, a bandeira que sobe no pódio em Itaúna é dos Estados Unidos. Sawyer Lindblad, de 20 anos, supera a francesa Tya Zebrowski, de apenas 15, e conquista a etapa em um mar bem mais ingrato. A bateria é de notas baixas, decidida na estratégia de escolher ondas aproveitáveis em meio ao vento e à correnteza.
Lindblad vence por 7,67 a 6,10. A melhor nota da final é um 3,90 da americana, somado a um 3,77. Tya responde com 3,47 e 2,63, mas não encontra a onda decisiva que buscava para se tornar a campeã mais jovem da história no Brasil. A campanha, porém, sinaliza uma mudança geracional que já ameaça o topo do ranking.
No cenário geral, a havaiana Gabriela Bryan lidera o circuito feminino com 35.065 pontos, seguida por Carissa Moore, também do Havaí, com 33.490. Lindblad salta para a terceira posição, com 32.970, e a brasileira Luana Silva aparece em quarto, com 31.835, após cair nas quartas de final em Saquarema. Tatiana Weston-Webb vence na estreia, mas se despede na segunda bateria.
Temporada em aberto e novos protagonistas
A sexta etapa da WSL termina com um recado claro: a temporada 2026 está em aberto. Fioravanti escreve um capítulo inédito para o surfe italiano ao liderar o ranking pela primeira vez. Yago responde com o bicampeonato em Saquarema e mantém o status de principal ameaça ao novo número 1.
Os próximos eventos ganham peso de decisão antecipada. Cada onda surfada por Yago e Fioravanti passa a carregar a chance de mudar o líder, enquanto Ítalo e o restante da elite tentam encurtar a distância. No feminino, o avanço de Lindblad e Zebrowski coloca pressão sobre Gabriela Bryan e Carissa Moore e pode acelerar investimentos em categorias de base ao redor do mundo.
Em Itaúna, o mar volta à rotina depois da festa. A cidade, porém, deixa a areia sabendo que a combinação de arquibancada lotada, transmissão global e duelos apertados consolida o Brasil como palco central da WSL. A pergunta que fica para o restante da temporada é simples e poderosa: quem vai conseguir manter o ritmo até a última etapa, em um circuito em que uma única manobra, como o aéreo de 8,50 de Yago, pode redefinir o ano inteiro?
Como ficou o ranking da WSL após Saquarema?
Leonardo Fioravanti lidera o ranking masculino com 33.930 pontos, seguido de perto por Yago Dora, com 33.845. Ítalo Ferreira aparece em terceiro, com 32.950 pontos.
Quem venceu a etapa feminina da WSL em Saquarema?
A americana Sawyer Lindblad, de 20 anos, venceu a final contra a francesa Tya Zebrowski, de 15, por 7,67 a 6,10 em um mar difícil na Praia de Itaúna.
Por que a etapa de Saquarema é importante para o surfe brasileiro?
O evento reforça Saquarema como capital nacional do surfe, movimenta o turismo e a economia locais e consolida o Brasil como protagonista na WSL, com forte presença no topo do ranking.