Receita de ONG investigada cresce 170 vezes em três anos e entra na mira da Polícia Civil

Instituto Conhecer Brasil declarou faturamento de R$ 54 milhões em 2025; entidade é investigada por suposto desvio de recursos de contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo
Redação NC News
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A receita do Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização sem fins lucrativos investigada pela Polícia Civil de São Paulo, registrou um crescimento expressivo em apenas três anos. Segundo documentos apresentados pela própria entidade ao Ministério da Justiça, o faturamento declarado saltou de R$ 306 mil em 2022 para R$ 54 milhões em 2025.

O aumento ocorreu no período em que a organização passou a administrar um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para a implantação de pontos de internet gratuita em regiões periféricas da capital. O caso é alvo de investigação que apura possíveis irregularidades na execução do contrato e no uso dos recursos públicos.

O que aconteceu?

As investigações concentram-se na execução do contrato firmado em 2024 para instalar cinco mil pontos de wi-fi em bairros da periferia paulistana.

Segundo as autoridades, há suspeitas de irregularidades envolvendo documentos fiscais apresentados para comprovar pagamentos a empresas subcontratadas. Entre os elementos analisados estão notas fiscais consideradas incompatíveis com a prestação dos serviços, incluindo uma emitida em nome da própria organização e outra posteriormente cancelada.

Com base nesses indícios, a Polícia Civil realizou uma operação de busca e apreensão envolvendo o Instituto Conhecer Brasil e empresas ligadas ao caso.

Receita milionária chama atenção

Os demonstrativos financeiros apresentados ao Ministério da Justiça mostram uma mudança significativa no porte financeiro da entidade.

Em 2022, o instituto declarou receita de pouco mais de R$ 300 mil.

Já em 2025, o valor informado chegou a R$ 54 milhões.

Grande parte desse montante foi registrada como recursos provenientes de parcerias e subvenções governamentais. Também aparecem receitas relacionadas a serviços e atividades educacionais.

Entre as despesas declaradas, o maior volume de recursos foi destinado à contratação de serviços de terceiros, que somaram mais de R$ 52 milhões. Os documentos financeiros não detalham individualmente quais empresas receberam esses valores.

Estatuto entrou na mira do Ministério da Justiça

Além da investigação policial, o Instituto Conhecer Brasil também enfrentou questionamentos durante o processo para obter o título de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip).

Na análise técnica, o Ministério da Justiça apontou que o estatuto social precisava ser ajustado para atender às exigências da legislação.

Entre as recomendações estavam alterações em dispositivos que poderiam permitir benefícios aos próprios associados da entidade, situação incompatível com as regras previstas para organizações dessa natureza.

O órgão concedeu prazo para que as adequações fossem realizadas. Até o momento, não há informação pública sobre a conclusão desse processo.

Relação com produtora de filme também é investigada

A representante do Instituto Conhecer Brasil é sócia de uma produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Uma das linhas de investigação apura se recursos provenientes do contrato público poderiam ter sido utilizados para custear a produção cinematográfica.

A produtora nega qualquer irregularidade e afirma que o filme foi financiado por outras fontes de recursos. Segundo a empresa, os valores destinados à produção não têm relação com o contrato firmado pelo instituto com a administração municipal.

O que diz a investigação?

Os investigadores apuram, em tese, possíveis crimes relacionados à contratação pública, lavagem de dinheiro, organização criminosa e eventual desvio de recursos públicos.

As diligências incluem a análise de documentos fiscais, movimentações financeiras e relatórios produzidos por órgãos de controle.

Até o momento, não houve condenação dos investigados, e o caso segue em fase de investigação.

O que acontece agora?

A expectativa é que novas perícias, análises financeiras e depoimentos ajudem a esclarecer a destinação dos recursos movimentados pelo Instituto Conhecer Brasil.

Somente após a conclusão das investigações o Ministério Público poderá decidir se apresenta denúncia à Justiça ou solicita o arquivamento do caso, conforme as provas reunidas.

Entenda o contexto

O crescimento acelerado de organizações contratadas pelo poder público costuma atrair atenção dos órgãos de fiscalização, principalmente quando ocorre em paralelo à administração de contratos milionários.

Neste caso, as investigações procuram esclarecer se houve uso regular dos recursos públicos destinados ao projeto de inclusão digital ou se parte dos valores teve destinação diferente da prevista em contrato.

O caso permanece sob investigação e ainda não há decisão definitiva da Justiça sobre as suspeitas apuradas pelas autoridades.

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