O governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, deve oficializar nesta quarta-feira (1º) o nome de Gilberto Kassab como vice em sua chapa. O anúncio, agendado para acontecer na capital federal, marca um movimento estratégico decisivo do PSD, que optou por entrar na corrida pelo Palácio do Planalto com uma chapa pura, dispensando, neste primeiro momento, coligações majoritárias na cabeça de chapa.
A escolha de Kassab, atual presidente nacional do partido e amplamente reconhecido nos bastidores como um dos mais hábeis articuladores políticos do país, sinaliza uma tentativa de dar tração e peso institucional à candidatura goiana.
Kassab, que compôs o secretariado do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo, vinha defendendo nos bastidores que o governador paulista fosse o nome escolhido pela direita para enfrentar o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como essa rota não foi endossada pela família Bolsonaro, Kassab mudou a estratégia e decidiu lançar um candidato próprio usando a musculatura de sua legenda.
A busca pelo eleitorado da direita tradicional
Posicionando-se como um conservador de perfil histórico, Ronaldo Caiado tenta atrair uma fatia do eleitorado de direita que busca uma alternativa ao bolsonarismo raiz. Para isso, o pré-candidato tem ancorado seu discurso em resultados de gestão, destacando frequentemente os indicadores positivos que alcançou nas áreas de segurança pública e economia durante seu tempo à frente do governo de Goiás.
Além da vitrine estadual, a forte ligação com o agronegócio desponta como um dos pilares de seu projeto nacional. Caiado também faz questão de reforçar seu histórico de oposição ferrenha e ininterrupta ao Partido dos Trabalhadores, resgatando frequentemente o fato de ter disputado a Presidência da República diretamente contra Lula ainda em 1989.
O teto das pesquisas e o desafio da popularidade
Apesar do forte apoio do agronegócio e de uma máquina partidária robusta, a recém-formada chapa Caiado-Kassab esbarra em um obstáculo significativo: a dificuldade de crescimento nas intenções de voto. Atualmente, diferentes institutos de pesquisa apontam que o governador goiano segue estagnado, oscilando entre 2% e 3%.
O cenário evidencia uma resiliência do eleitorado conservador em relação a outras lideranças. Chama a atenção que nem mesmo os desgastes recentes no campo da direita alteraram a fotografia eleitoral. As revelações recentes envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o chamado “caso Master” não foram suficientes para fazer Caiado subir nas pesquisas ou herdar votos dos insatisfeitos.
- Principais impactos e desafios da chapa do PSD:
Demonstração de força estrutural: Ao lançar uma chapa pura, o PSD garante maior tempo de TV e evita submissão a outras siglas da direita, ganhando poder de barganha nas alianças estaduais. - Abertura de diálogo com o centro: A presença de Gilberto Kassab funciona como um “amortecedor” político. Sua capacidade de trânsito em Brasília ajuda a suavizar a imagem de Caiado, atraindo setores de centro.
- Guerra pelo financiamento rural: A chapa deve intensificar as agendas para monopolizar o apoio (e o financiamento) das grandes lideranças do agronegócio nacional.
- Urgência de exposição: Com números baixos nas pesquisas, a campanha terá que investir agressivamente em marketing para tornar o governador conhecido nas regiões Sudeste e Nordeste, os maiores colégios eleitorais do país.