Moraes mantém Bolsonaro em prisão domiciliar, mas impõe ultimato de 48h para entrega de armas

Ministro do STF prorroga benefício humanitário após fim de prazo original de 90 dias, mas aperta o cerco após pistola do ex-presidente ser apreendida com militar do GSI no DF. Condenado a mais de 27 anos, Bolsonaro se recupera de quadro de broncopneumonia em Brasília.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (3) a manutenção do ex-presidente Jair Bolsonaro em regime de prisão domiciliar. A decisão, amplamente aguardada nos bastidores políticos e jurídicos de Brasília ao longo desta semana, veio acompanhada de uma determinação incisiva: Bolsonaro tem o prazo improrrogável de 48 horas para entregar todas as suas armas de fogo às autoridades competentes.

O despacho do magistrado ocorre logo após o vencimento do prazo original de 90 dias do benefício, que expirou na última quinta-feira (25). A extensão da medida cautelar ocorreu em caráter estritamente humanitário, dadas as condições de saúde do político. No entanto, a exigência do desarmamento imediato reflete a preocupação direta da Corte com episódios recentes envolvendo o arsenal do ex-mandatário em vias públicas.

A polêmica da arma com o militar do GSI

A imposição das 48 horas para a entrega das armas não ocorreu por acaso. Durante a longa reavaliação técnica da prisão domiciliar, Moraes precisou analisar um fato novo e controverso: a apreensão de uma pistola registrada no nome de Jair Bolsonaro.

O episódio aconteceu no dia 15 de junho. Durante uma abordagem de rotina da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), a arma foi encontrada em posse de um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). No momento da fiscalização policial, o servidor não portava o certificado de registro do equipamento, configurando irregularidade.

O caso provocou a abertura de um inquérito oficial pela Polícia Civil do DF (PCDF) para apurar responsabilidades. Em seu depoimento prestado às autoridades, Bolsonaro confirmou ser o verdadeiro dono da pistola, alegou que o militar do GSI estava encarregado apenas de levá-la para um serviço de conserto e justificou que mantinha o armamento em casa exclusivamente por fortes razões de segurança pessoal.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) interveio no caso de forma cautelosa. O órgão ministerial defendeu que o STF aguarde o desfecho do inquérito policial da PCDF antes de decidir de forma definitiva se o episódio configura “falta grave” capaz de revogar o direito à prisão domiciliar.

Saúde debilitada embasa decisão de Moraes

Apesar do embate jurídico envolvendo a pistola, o estado clínico do ex-presidente foi o fator preponderante para a manutenção do cumprimento da pena em casa. Bolsonaro, que cumpre uma pesada condenação de 27 anos e 3 meses de prisão, obteve a liberação emergencial para o regime domiciliar no dia 24 de março, visando o tratamento intensivo de um grave quadro de broncopneumonia.

No texto da decisão expedida nesta sexta-feira, Alexandre de Moraes foi taxativo e detalhou a jurisprudência: “No presente momento, a manutenção de prisão domiciliar humanitária mostra‑se razoável, adequada e proporcional, sobretudo porque, afastados os fatores impeditivos anteriores e presentes as excepcionalidades humanitárias, é possível sua concessão mesmo para os condenados em regime fechado”, argumentou o relator.

Ofensiva da defesa nos corredores do Supremo

Nos últimos dias, a equipe de advogados de Bolsonaro intensificou severamente as articulações para tentar evitar um retorno imediato ao Complexo Penitenciário da Papuda. A defesa reiterou nos autos processuais que o armamento estava com o registro totalmente regularizado e que o ex-presidente não havia sido notificado previamente sobre qualquer suspensão ou cassação documental.

O advogado Paulo Cunha Bueno informou na última terça-feira (30) que participou de uma reunião presencial com Alexandre de Moraes. Segundo o defensor, o ministro ouviu atentamente todas as explicações prestadas sobre o episódio da arma e demonstrou sensibilidade institucional quanto à fragilidade atual do quadro de saúde e aos cuidados diários que Bolsonaro tem recebido fora do cárcere.

Histórico e o enorme peso da condenação

O contexto carcerário de Jair Bolsonaro é consequência direta de sua condenação em setembro de 2025. A Primeira Turma do STF fixou a sua pena total em 27 anos e três meses — sendo 24 anos e nove meses de reclusão e o restante de detenção, acrescidos de dias-multa — pelo crime de tentativa de golpe de Estado orquestrada após a dura derrota nas urnas nas eleições de 2022.

Antes de receber a licença médica, Bolsonaro permaneceu detido na Superintendência da Polícia Federal e, em janeiro deste ano, foi transferido para uma sala de Estado-Maior localizada no 19º Batalhão da Polícia Militar, nas dependências do Complexo da Papuda. A partir desta nova decisão de Moraes, o prazo de 48 horas já corre, e o integral cumprimento desta nova ordem de desarmamento será o próximo grande teste da defesa junto ao Supremo.

Carregar Comentários