PF prende secretária alvo de sanções dos EUA por elo com PCC; Victor Shimada segue foragido

Operação da PF em São Paulo captura secretária ligada a esquema criminoso e familiares sancionados internacionalmente.
Redação NC News
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A Polícia Federal (PF) prendeu na manhã desta sexta-feira (3), em São Paulo, a brasileira Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Secretária e parente do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, ela é apontada como peça-chave em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A prisão ocorre apenas dois dias após os Estados Unidos incluírem ambos em uma severa lista de sanções econômicas do Departamento do Tesouro.

Operação Exchange e Sanções

A prisão da investigada integra a Operação Exchange, que mobilizou mais de 50 agentes federais para cumprir 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão na Grande São Paulo e em cidades litorâneas, como Santos e Praia Grande. Até o fim da manhã, sete pessoas foram detidas. O empresário Victor Shimada, classificado como o principal operador financeiro do PCC na Flórida, segue foragido da Justiça.

O governo norte-americano bloqueou os bens de empresas ligadas à dupla. De acordo com as investigações, Stella atuava como intermediária logística direta, sendo responsável pela coleta e pela gestão de altas quantias de dinheiro em espécie. O esquema internacional movimentou mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos, utilizando rotineiramente plataformas de criptomoedas para repatriar valores ao Brasil.

Bloqueio Bilionário de Criptoativos

Para desidratar o caixa da facção, a Justiça Federal paulista determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o expressivo limite de R$ 10,4 bilhões. Os alvos responderão judicialmente por associação criminosa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

O uso de pessoas jurídicas em diferentes países, como a Victory Trading Intermediação de Negócios (Brasil) e a Avenidas Flutuantes Unipessoal (Portugal), evidencia a complexidade da rede. Essa estrutura permitia a transição invisível de capitais entre o mercado financeiro formal e o submundo do tráfico.

Conexão com o Escândalo Corinthians e VaideBet

A figura de Victor Shimada não é nova para os investigadores brasileiros. A Polícia Civil de São Paulo já o investiga em outra frente sensível: a Victory Trading integraria uma cadeia de transferências suspeitas ligadas aos supostos desvios no milionário contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas VaideBet.

Embora não haja provas definitivas de que Shimada integre o PCC, o empresário estaria inserido em um fluxo financeiro que cruza com suspeitos ligados à facção, como Danilo Lima de Oliveira. O escândalo pressiona o mercado esportivo e de casas de apostas a adotar medidas urgentes de transparência (compliance) contra o capital ilícito.

Cooperação Internacional

A ação conjunta entre a PF e as autoridades dos EUA estabelece um novo paradigma no combate ao crime organizado. Com o PCC tratado internacionalmente como a maior organização transnacional do Hemisfério Ocidental, a pressão regulatória sobre serviços financeiros digitais e remessas via criptomoedas no Brasil deve sofrer um drástico aumento nos próximos meses.

O que diz a defesa

Com seu cliente foragido, a defesa de Victor Shimada tenta estancar os danos. O advogado Yuri Cruz afirmou, por meio de nota oficial, que não teve acesso aos documentos que embasam as sanções e a operação policial. Ele ressaltou, contudo, que Shimada “nega veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa ou com a prática de lavagem de dinheiro”. Stella, até o momento da deflagração da operação, não possuía nenhum histórico de antecedentes criminais.

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